Hernan Kazah fala sobre estratégia para investir US$ 360 milhões no Brasil

Divulgação
Fundo argentino Kaszek Ventures, de Hernan Kazah, avança para fechar três deals no país e busca apoiar as maiores empresas em seu portfolio

A semana começou a todo vapor para Hernan Kazah. O veterano da tecnologia, que ajudou a criar o Mercado Livre e hoje é cofundador da Kaszek Ventures, está para fechar três investimentos no Brasil com recursos de seu novo fundo de US$ 600 milhões, anunciado na semana passada.

Todos os investimentos serão em empresas brasileiras e devem ser concluídos nas próximas semanas. Uma das empresas receberá capital do primeiro veículo de later-stage da Kaszek, que soma US$ 225 milhões e focará em suas próprias investidas. O portfólio existente do fundo no Brasil inclui empresas como o Nubank, Guiabolso, Creditas, Loggi e GetNinjas.

O que se sabe sobre a startup que está prestes a fechar “uma rodada grande” é que ela está no portfólio da Kaszek há cerca de quatro anos. Empresas apoiadas pelo fundo por aproximadamente este período de tempo incluem a desenvolvedora de software de RH na nuvem Xerpa, a lawtech Docket e a empresa de entrega de comida LivUp.

Dois outros investimentos que estão prestes a fechar serão bancadas pelo fundo early stage da Kaszek, de US$ 375 milhões, em uma empresa operante no segmento de healthtech e outra do setor de e-commerce.

“Estamos mais animados que nunca em relação ao nosso pipeline. Teremos anos fantásticos pela frente,” diz Kazah, que pretende investir 60% do seu novo fundo no Brasil e o restante em outros países da América Latina.

Alvos em potencial para o fundo são startups de tecnologia nos segmentos de serviços financeiros, saúde e educação. Kazah também está de olho em startups focadas no mercado corporativo. Um exemplo é a Contabilizei, fintech de contabilidade para empresas em que a Kaszek investiu em 2013.

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A emergência de sucessos brasileiros no setor de tecnologia como Nubank, PagSeguro e Stone, combinado a fatores como o aumento na adoção de smartphones pela população e melhora da cobertura 4G no país, e a consequente demanda local por serviços digitais, trouxeram um “interesse avassalador” para o novo fundo da Kaszek, que fechou em menos de dois meses.

“As maiores empresas dos Estados Unidos e China são do setor de tecnologia e, na América Latina, vemos empresas de petróleo, varejo e bancos. Sempre falamos na promessa de que este cenário mudaria mas agora dados concretos mostram a investidores que isso está acontecendo e já temos empresas de tecnologia que valem bilhões,” ressalta.

O perfil do investidor da Kaszek também está mudando: além dos tradicionais investidores norte-americanos, fundos patrimoniais de universidades e uma série de empreendedores de sucesso do setor de tecnologia do Brasil e do México (onde muitas das investidas tem operações), também há interesse de diversos fundos asiáticos:

“[Investidores asiáticos] estavam muito focados em seus países de origem até recentemente, mas à medida em que esses negócios se consolidam, eles agora começam a focar em outras partes do mundo. Evidência disso é o investimento da Tencent no Nubank,” ressalta.

Segundo Kazah, investidores antecipam ver no Brasil um movimento similar ao que se viu na China em termos de oportunidades de investimento em empresas de tecnologia:

“Na China, houve um crescimento exponencial e repentino em áreas como pagamentos online. Até alguns anos atrás a economia lá era baseada em dinheiro vivo e hoje só se paga com o celular. A previsão é que o mesmo pode acontecer no Brasil,” aponta.

Quando o assunto é a saída de investimentos, Kazah dará preferência a IPOs, que devem começar a sair entre 2021 e 2022, protagonizados por empresas apoiadas pelos primeiros fundos. Exemplos incluem a paulistana Grupo ZAP, de portais imobiliários, bem como a Technisys, desenvolvedora de software bancário argentina que também tem operações no Brasil.

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Kazah não vê a presença de fundos focados em investimentos later stage como o SoftBank como uma ameaça. O burburinho em torno do fundo japonês até ajudou no processo de fundraising da Kaszek: “Consideramos a presença deles um movimento ótimo, a região precisava disso,” aponta.

“A publicidade gerada por eles ajudou investidores que talvez estivessem hesitantes em ter mais confiança sobre startups de tecnologia latino americanas. É uma validação extra.”

 

Angelica Mari é jornalista especializada em inovação há 18 anos, com uma década de experiência em redações no Reino Unido e Estados Unidos. Colabora em inglês e português para publicações incluindo a FORBES (Estados Unidos e Brasil), BBC, The Guardian e outros.

 

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