EXCLUSIVO: Vai.Car desafia coronavírus e expande frota

Petri Oeschger/Getty Images
Petri Oeschger/Getty Images

Vai.Car pretende ter 12 mil automóveis compartilhados em circulação até o final do ano

A startup de locação de carros Vai.Car vai colocar milhares de veículos compartilhados nas ruas neste ano e diz não ter receio dos possíveis efeitos do novo coronavírus no segmento de mobilidade.

Depois de levantar um aporte de R$ 380 milhões para ampliar a operação no mês passado, a empresa adicionou 1,2 mil carros à sua frota. A Vai não divulga o número atual de veículos que opera, mas diz que até o final de 2020 pretende ter 12 mil automóveis compartilhados em circulação.

Apesar de alugar carros para qualquer usuário, a maioria dos clientes da Vai.Car no momento são motoristas de aplicativo. Em maio do ano passado, a empresa fechou uma parceria com a Uber, oferecendo a preservação do lucro como maior atrativo, já que o motorista não precisa arcar com custos fixos de propriedade do carro, nem taxas adicionais no aluguel referentes a limites de quilometragem ou depósito.

Questionado sobre a possibilidade de um isolamento de grande parte da população por conta do alastramento do Covid-19 e uma redução do uso dos veículos por motoristas de aplicativo, o cofundador da startup, JP Galvão, mantém-se otimista: “A Vai acredita que o transporte individualizado seja a melhor opção de mobilidade em tempos de crises como a do corona”, aponta o empreendedor.

“Nesta ótica, o negócio da Vai é contra-cíclico: se por um lado algumas pessoas precisarão de menos transporte devido à quarentena, por outro, as que precisarem não optarão por transporte de massa para se moverem”, acrescenta.

Galvão ressalta que, apesar de as pessoas que usam o carro para trabalhar representarem a maioria dos usuários da Vai, a atuação no segmento de “carro como serviço” é maior e bem mais complexa do que o atendimento ao fenômeno da demanda por carros para motoristas que usam Uber ou 99 para ganhar a vida.

“Por isso, nosso foco é em pessoas que já não querem deter a propriedade do veículo, mas viver a experiência de se mover. Dentre estas pessoas, existe uma demanda momentaneamente maior dos motoristas de aplicativo”, explica.

Galvão antecipa um “aquecimento econômico, que trará uma nova dinâmica” no perfil de seus usuários. A ideia é que metade da base seja de motoristas de aplicativo e, a outra metade, de usuários que escolhem usar a plataforma pela facilidade da experiência de locomoção.

Através da Vai.Car, usuários podem alugar veículos mensalmente, com opção de pagamento semanal via cartão de crédito, boleto ou dinheiro. A empresa não tem lojas físicas: o carro é entregue diretamente ao usuário.

A Vai.Car foi fundada em Miami por JP Galvão e seus sócios Fernando Fiuza e o canadense Apoorv Gupta em 2016. No Brasil, a empresa foi lançada no fim de 2017, sob o comando do também sócio Helio Netto, que ocupa a posição de CEO por aqui. A empresa atualmente opera em São Paulo, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Guarulhos.

Nos próximos 18 meses, a Vai planeja estar presente em todas as capitais brasileiras. O plano de expansão começará nas cidades das regiões sudeste e sul, seguidas das capitais do nordeste e centro-oeste e concluindo no norte do país.

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Divulgação

Hotmart faz primeira compra internacional

A startup mineira Hotmart fechou sua primeira aquisição fora do Brasil e anunciou que suas vendas de cursos online já ultrapassam a marca de US$ 1 bilhão.

A aquisição da startup norte-americana de educação online Teachable aumenta o efetivo da Hotmart para mais de 800 pessoas e expande o portfólio da para 400 mil cursos cadastrados e 40 milhões de usuários que consomem os cursos através da plataforma em 188 países.

“Encontramos na Teachable não apenas uma empresa em rápido crescimento, mas também um excelente produto, uma ótima equipe e uma compatibilidade incrível entre a missão e a cultura da Hotmart”, aponta João Pedro Resende (foto), cofundador e CEO da Hotmart e, agora, CEO global do grupo.

A compra da Teachable, que não teve o valor divulgado e deve ser concluída no segundo semestre de 2020. O acordo foi assinado na semana passada.

Com sede em Nova York, a Teachable é uma plataforma que ajuda influenciadores digitais com grandes bases de seguidores a criar vitrines digitais para seus cursos online e permite que estes criadores aceitem pagamentos e criem assinaturas recorrentes para o acesso a seus conteúdos.

A empresa tem mais de 20.000 instrutores, que geram receita de US$ 250.000. Criada em 2014 por Ankur Nagpal, que continua como CEO da empresa depois da aquisição, a Teachable foi eleita uma das empresas mais inovadoras do mundo na lista anual da revista norte-americana “Fast Company”, que também incluiu as brasileiras Magazine Luiza, Amaro e Agronow.

CUIDADOS NA INTEGRAÇÃO

Com a compra da empresa nova-iorquina, a Hotmart aumenta a presença internacional fora de mercados latinos – a empresa já tinha escritórios próprios na Espanha, Colômbia, México e Holanda.

A presença nos Estados Unidos beneficia a Hotmart em diversas frentes. Segundo Resende, as vantagens vão além da possibilidade de acesso a futuros investimentos: “Somos agora uma das maiores empresas de tecnologia em educação do mundo e isto definitivamente abre oportunidades para atuarmos forte no mercados onde já temos presença, expandir para os grandes mercados que ainda não atacamos”, ressalta.

Depois da compra concluída, no entanto, vem a realidade da integração, que costuma ser um processo desafiador. Segundo o cofundador, que já liderou três aquisições na história da empresa, existem boas práticas que podem minimizar problemas.

“A melhor forma de lidar com [possíveis desafios] é entender se as empresas são compatíveis em termos de cultura antes do deal acontecer”, ressalta. “Sócios podem ter opiniões diferentes, mas não podem ter valores diferentes: nós passamos seis meses conversando para termos a certeza que temos visões convergentes e culturas compatíveis.”

LEIA MAIS: Hotmart avança planos de crescimento com compra da Klickpages

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Vittude orienta psicólogos a trabalharem remotamente

Antecipando um alastramento do novo coronavírus no Brasil, a startup de terapia online Vittude testou o home office para metade de seus funcionários e, nesta semana, todos os colaboradores da equipe já estão trabalhando 100% remotamente.

Segundo a fundadora e CEO da empresa, Tatiana Pimenta, a startup também está enviando um comunicado para que a base de mais de 4.100 profissionais que operam através da plataforma sugiram a seus pacientes presenciais que o atendimento seja feito de forma remota. “[O atendimento online] já é permitido pela lei e também é uma medida preventiva para conter o alastramento do novo coronavírus”, aponta.

Muitos profissionais da saúde mental que não viam o atendimento online com bons olhos agora reavaliam suas escolhas, por conta do atual cenário de incerteza, aponta Tatiana. A fundadora vê a necessidade de confinamento como uma oportunidade de inclusão digital da categoria.

“Ou eles se adaptam e atendem seus pacientes online ou correm o risco de alguns pacientes que têm receio de sair de casa migrarem para outros que atendem remotamente”, ressalta.

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Loft fecha com Rappi para isentar frete

A proptech Loft fechou uma parceria com a Rappi para isentar o frete de pedidos de supermercado e farmácias nos cerca de 500 prédios em que a startup tem algum apartamento em operação de compra ou venda, ou esteja fazendo reforma, em São Paulo e no Rio de Janeiro. A campanha, que tem como objetivo fazer com que as pessoas saiam menos para conter o avanço do Covid-19, vai até dia 29 de março. Mil códigos de desconto isentarão os clientes de pagamento de taxas de serviços para compras de qualquer valor, feitos pelo Carrefour Express e Pharmacy. Os códigos serão afixados nos elevadores dos prédios dos imóveis.

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MAIS

– O Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), organização âncora do Porto Digital, de Recife, também decidiu operar remotamente. A decisão, que entrou em vigor nesta semana, foi tomada como forma de diminuir em seus escritórios a chamada densidade populacional, o que contribui para a estratégia de “achatamento” da curva de transmissão do vírus. O centro ressaltou que não há casos de Covid19 na equipe e que determinações estão sendo feitas “de forma tranquila, sem impacto para os negócios”;

– A CEO da HRtech Gupy, Mariana Ramos Dias, também comunicou aos seus funcionários que o expediente seria remoto no final de semana. O evento anual da empresa, o HR4results, que aconteceria nos dias 7 e 8 de maio, em São Paulo, também foi adiado para frear a transmissão do Covid-19;

– A startup Resultados Digitais desenvolveu uma ferramenta que possibilita o trabalho remoto. A plataforma, chamada #matrix, foi criada para atender as necessidades da própria empresa mas agora está disponível para quem quiser usar. A ferramenta open source (ou seja, gratuita) está disponível em português e inglês e permite que os usuários visualizem seus colegas de trabalho e interajam por meio de salas virtuais;

– A União Europeia criou um fundo emergencial de € 168 milhões para apoiar startups de todo o mundo que tenham soluções para combater a crise do novo coronavírus. Inscrições de projetos que possam ajudar a combater o vírus ou atenuar efeitos da crise até quarta-feira, 18 de março, às 17 h (horário de Bruxelas).

Angelica Mari é jornalista especializada em inovação há 18 anos, com uma década de experiência em redações no Reino Unido e Estados Unidos. Colabora em inglês e português para publicações incluindo a FORBES (Estados Unidos e Brasil), BBC, The Guardian e outros.

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