Plataformas de inovação entram na luta contra o coronavírus

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Bruno Rondani, CEO da 100 Open Startups

Desde quinta-feira (18), a 100 Open Startups, plataforma de inovação aberta que conecta empresas e startups, abriu gratuitamente seu sistema para o lançamento de desafios relacionados à crise causada pelo coronavírus. Isso quer dizer que empresas de qualquer porte, governo e sociedade civil do Brasil e da Colômbia, onde o movimento atua, podem acessar a plataforma, mesmo que não seja integrante, descrever um problema que esteja enfrentando ou em vias de enfrentar relacionado à Covid-19 e aguardar propostas de startups que se achem capazes de resolvê-lo.

Inicialmente, foram definidos seis temas principais no que está sendo chamado de Super Desafio Covid-19, mas a ideia é incluir outros nos próximos dias conforme as necessidades forem surgindo. O primeiro está relacionado ao trabalho remoto, uma nova realidade nos tempos de pandemia. Como boa parte das empresas não estava preparada para isso – o que gera uma série de novas necessidades para as organizações e seus funcionários – o objetivo é buscar soluções que atendam a essas necessidades, como ferramentas de comunicação e videoconferência, gestão de tarefas e da equipe, recursos para relacionamento com stakeholders, gestão de documentos e assinatura eletrônica, conectividade, cuidados com os filhos e parentes e gestão de finanças, entre outras.

O segundo desafio passa pela saúde e pelos tratamentos, já que além de avanços em direção à cura e ampliação do acesso ao diagnóstico, o cenário gerou demandas específicas para instituições e profissionais do setor. A meta é encontrar soluções a essas necessidades, como novos princípios ativos, medicamentos e tecnologias em vacinas, recursos para monitoramento de sintomas à distância, gestão e ampliação de leitos, telemedicina, monitoramento de grupos de risco e pesquisa e desenvolvimento de testes e exames, entre outras inúmeras possibilidades relacionadas ao tema.

Em seguida está a busca por soluções para o varejo, comércio e logística, já que a necessidade de controle da disseminação da doença limitou a circulação de pessoas e mudou a rotina de toda a cadeia. O objetivo é minimizar esse impacto, com, por exemplo, plataformas para compra e venda de produtos e serviços por meio da internet, redes sociais e outros canais, recursos de relacionamento com clientes, soluções para sustentabilidade de pequenos e médios empreendedores e empresas, sistemas de delivery, gestão financeira e acesso a crédito.

O quarto desafio está relacionado à resolução de gargalos causados na educação, informação e conscientização, já que a suspensão das aulas presenciais para reduzir a propagação da doença gera necessidades específicas para professores autônomos e instituições de ensino. Paralelamente, há a necessidade de informação confiável e conscientização da população sobre a doença e seus desdobramentos. A busca é por soluções como plataformas de ensino à distância, acesso à informação confiável e soluções para o cuidado familiar, entre outras.

No que diz respeito ao entretenimento, vale lembrar que o isolamento também tem impacto direto sobre artistas, músicos e outros profissionais ligados ao lazer e diversão. O objetivo, neste caso, é encontrar soluções que diminuam esse impacto, como streaming de vídeos, música e outros, comercialização de serviços de artistas e plataformas de crowdfunding.

O último desafio está relacionado à mobilidade, já que o deslocamento da população, especialmente nos transportes públicos, é fator de risco e uma das principais formas de propagação do vírus. A meta é encontrar soluções à mobilidade urbana diante dos cuidados que essa crise demanda, como higienização e prevenção da contaminação no transporte público, formas de transportes alternativos, informações sobre rotas seguras e com menos aglomeração e segurança.

AGILIDADE É PRIMORDIAL

“O que estamos fazendo é disponibilizar a nossa plataforma e metodologia para um tema específico, que, neste momento, é mais importante do que todos os outros”, explica Bruno Rondani, CEO da 100 Open Startups, que já conta com uma rede de mais de 10 mil startups e 2.400 instituições, e que vem presenciando um aumento da demanda por soluções emergenciais relacionadas ao coronavírus.

E a proposta é agir com a rapidez que a situação exige. “Vamos fazer a curadoria de centenas de startups levando também em consideração as diversas demandas regionais. Nosso compromisso é divulgar cada desafio cadastrado em até 24 horas para as comunidades de startups e, em outras 24 horas, disponibilizar uma lista de soluções mapeadas e ranqueadas”, explica Rondani. “Acreditamos no poder da colaboração e da rede para enfrentarmos este desafio rapidamente, reduzindo ao máximo seu impacto na sociedade.”

Rondani cita como exemplo uma das demandas vindas do governo colombiano. “Atualmente, estamos tendo a oportunidade de ficar mais próximos das nossas famílias. Queremos que este cenário fortaleça nossos laços, por isso buscamos soluções inovadoras que melhorem as condições de isolamento e distanciamento social”, diz o chamado, já prevendo um provável aumento dos casos de violência doméstica. Outra preocupação é com o cuidado dos idosos. “Cuidar uns dos outros faz parte do nosso DNA. Esta é uma chance de zelar pelas pessoas da terceira idade da nossa comunidade”, diz o documento, em busca de alternativas que garantam a saúde e o bem-estar dessa população sem que ela precise sair de casa.

O executivo revela, ainda, que nas primeiras 24 horas do lançamento da iniciativa, empresas como Latam, Basf e Danone Nutricia já manifestaram interesse nas soluções de uma das 50 startups inscritas no desafio.

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Pierre Lucena, presidente do Porto Digital

PERNAMBUCO ENTRA NA GUERRA

Quem está fazendo algo parecido é o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio do MPLabs e da Secretaria Estadual de Saúde, com realização do Open Innovation Lab (OIL), do Porto Digital. A iniciativa pernambucana, batizada de Desafio Covid-19, foi lançada na última terça-feira (17).

Neste caso, são cinco os desafios propostos: como monitorar o principal grupo de risco (acima de 60 anos) e aumentar o nível de proteção e atenção sustentada para esse grupo vulnerável à Covid-19; como gerenciar o fluxo de informações em tempo real de todo o ciclo de vida dos casos epidemiológicos; como monitorar, em tempo real, os fluxos populacionais para identificar, educar e coibir aglomerações ou comportamentos inadequados ou em não conformidade com as determinações de isolamento social; como criar e uniformizar os protocolos de atendimento à saúde em todos os níveis do sistema; e como aumentar a escala (em massa) dos testes de forma rápida, acessível e confiável.

As empresas interessadas em participar têm até às 18 horas de hoje para submeter suas ideias. Até o momento, já são 267 propostas apresentadas, 156 delas analisadas e 37 selecionadas. As startups contempladas terão a mentoria necessária para que possam entregar uma solução inicial e funcional até às 23h59 de segunda-feira (23). As soluções premiadas serão divulgadas até a terça-feira (24), com objetivo de implementação imediata.

“Esse ciclo de inovação aberta é uma grande contribuição para o enfrentamento aos efeitos do coronavírus no Brasil e até no mundo. Nossa ideia, em conjunto com o governo do Estado e o Ministério Público, é disponibilizar as soluções criadas para que o poder público e outras instituições possam utilizá-las para poder enfrentar melhor esse momento crítico. Por isso, queremos contribuições de todo o país para responder aos diversos desafios como telemedicina, por exemplo. Só com a cooperação vamos conseguir resultados mais positivos em um curtíssimo espaço de tempo”, diz Pierre Lucena, presidente do Porto Digital.

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Buser interrompe operações para conter coronavírus

A startup de fretamento colaborativo Buser vai suspender as viagens interurbanas em todas as 60 cidades em que opera a partir de amanhã (21) como forma de ajudar a conter a disseminação do coronavírus no país. A decisão segue o cancelamento da rota Rio-São Paulo na quarta-feira (18). “Este é um momento sem precedentes no nosso país e no mundo”, disse Marcelo Abritta, cofundador da startup de São José dos Campos (SP), em nota.

“Todos os dias surgem novas determinações, e o poder público tem imposto, acertadamente, um número crescente de restrições às viagens. A Buser concorda com a extrema necessidade dessas restrições”, ressalta. Segundo o empreendedor, a empresa, que crescia 30% ao ano, considerou sua responsabilidade para com os clientes, mais também com outros atores do seu ecossistema, como os mais de 1.000 motoristas e parceiros que operam através da plataforma.

A empresa está pronta para retomar as operações “a qualquer momento”, diz Abritta, e está criando um plano de ação para minimizar o impacto da interrupção das atividades para as pessoas envolvidas no funcionamento da Buser.

A startup, que é investida do fundo SoftBank desde outubro do ano passado e anunciou planos na época de investir R$ 300 milhões em sua expansão, não vai buscar apoio do governo mesmo com o impacto sofrido pela pandemia. “Acreditamos que os recursos públicos devem ser destinados à área de saúde, e saberemos lidar com a situação junto aos nossos parceiros de maneira independente”, reitera.

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Telecine incentiva adesão ao streaming em meio à preocupações globais sobre pressão na rede

A plataforma de streaming Telecine está incentivando a adesão ao streaming com a oferta de um período de 30 dias de experimentação gratuita de seus serviços. A empresa oferece um catálogo de mais de 2 mil filmes, de todos os gêneros, entre produções nacionais e blockbusters de Hollywood.

A oferta vem na esteira de crescentes preocupações sobre a crescente pressão na infraestrutura de internet global, trazida pelo isolamento social provocado pelo coronavírus. A permanência das pessoas em casa em vários países causou um uso sem precedentes de plataformas de streaming.

Nesta semana, o comissário europeu de mercado interno da União Europeia, Thierry Breton, tratou do assunto com o CEO da Netflix, Reed Hastings, e pediu que plataformas transmitam em definição padrão ao invés de alta definição (HD), para garantir acesso estável à internet para todos.

Um anúncio também inédito foi feito na Espanha, um dos países europeus líderes em infraestrutura de fibra ótica e provisão de serviços móveis de telecomunicações. Os principais operadores – Movistar, Orange, Vodafone, Masmovil e Euskaltel – divulgaram uma nota revelando que suas redes, tanto fixas quanto móveis, tiveram uma explosão de demanda como resultado do isolamento social.

Procurada pela FORBES, o Telecine diz que não tem planos imediatos de reajustar a definição de suas transmissões. “Até o momento não recebemos nenhum direcionamento ou contato do governo”, afirma Eldes Mattiuzzo, diretor geral da empresa. “Independentemente disso, estamos prontos para colaborar e seguir a determinação das autoridades.”

LEIA MAIS: Telecine desafia as Big Techs: “Somos Golias”

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Criminosos se aproveitam de pandemia para aplicar golpes na internet

Levantamento da Apura Cybersecurity Intelligence, empresa brasileira especializada em cibercrimes, revelou a existência de 2.236 sites com a palavra “coronavírus” no domínio, sem o Certificado SSL, uma espécie de protocolo que atesta a segurança do ambiente. Apenas uma das plataformas que detectam ameaças da companhia já acumula 63.463 eventos (ocorrências) que mencionam a palavra “coronavírus”.

“A alta repercussão mundial sobre a Covid-19 abriu espaço para pessoas mal intencionadas se aproveitaram tanto do caos como da constate procura por informações para disseminarem malwares e ransomwares”, adverte o fundador e CEO da empresa, Sandro Süffert.

Um dos casos detectados vitimou a Johns Hopkins University, dos Estados Unidos. Um mapa com a atualização dos casos do novo coronavírus pelo mundo idêntico ao do site da instituição era enviada por e-mail pelos cibercriminosos. Na mensagem, o mapa exigia download, por meio do qual se escondia um malware, voltado ao roubo de senhas.

Por aqui, um vídeo adulterado sobre a construção do hospital na China erguido para receber as vítimas de coronavírus era enviado por e-mail, como phishing (isca) contendo um malware que, por acesso remoto, permitia aos criminosos acessarem o computador da vítima.

Ainda em território brasileiro, circulam pelo Whatsapp e outros grupos de mensagens informações sobre empresas como a Ambev e Netflix, por exemplo. No caso da primeira, a mensagem é que a empresa está distribuindo, gratuitamente, unidades de álcool gel para quem clicar no “Continue Lendo”. O segundo oferece acesso gratuito às primeiras pessoas que se cadastrarem mediante cliques em links fraudulentos. “É preciso tomar cuidado e nunca acessar este tipo de mensagem”, afirma Süffert.

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MAIS

– O Sebrae e a EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) vão liberar, hoje (20), R$ 2 milhões para o desenvolvimento de soluções tecnológicas para auxiliar o país a enfrentar o avanço do coronavírus em seu território. O aporte será somado a outros R$ 4 milhões da EMBRAPII e a contrapartidas das empresas e recurso econômicos das Unidades EMBRAPII. A expectativa é chegar a R$ 10 milhões em projetos de PD&I. As soluções podem envolver o diagnóstico e o tratamento da doença por meio de tecnologias que incluem softwares, sistemas inteligentes, hardware, peças e equipamentos médicos, entre outros;

– A Positivo As a Service, unidade da Positivo Tecnologia para locação de equipamentos de informática, está flexibilizando o prazo para novos contratos de locação de notebooks. A condição, que antes indicava período de 36 a 60 meses, está adaptada ao novo tipo de demanda das empresas, que estão solicitando períodos menores de locação de computadores, principalmente notebooks, para atender ao aumento da prática de home office;

– A startup Xprajá, especializada em recolocar bens de consumo descartados pelas indústrias, registrou um aumento de 40% na procura por alimentos e produtos de higiene por parte de supermercados e distribuidores. É o caso de itens como biscoitos, sucos e sabonete. Segundo Vinicius Alves, fundador da greentech, o giro no varejo aumentou muito com a proliferação de novos casos de coronavírus no Brasil. Por conta disso, é natural que os estabelecimentos do setor também queiram potencializar esta movimentação criando promoções para o consumidor conseguir comprar por melhores preços.

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