EXCLUSIVO: Tenda investe em construção off-site para expandir atuação no Brasil

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Rodrigo Osmo, CEO da Tenda: resolvendo o paradoxo da construção civil com inovação

A construtora e incorporadora brasileira Tenda adiantou à Forbes, com exclusividade, que concluiu nesta semana a montagem das duas primeiras casas em woodframe em um condomínio fechado no interior de São Paulo. A novidade representa uma inovação não só do ponto de vista da tecnologia adotada, que consiste no uso de enquadramentos de madeira, mas também do processo, já que a construção passa a ser baseada no modelo off-site, ou seja, partes dos imóveis são produzidas em uma fábrica, também no interior do Estado para, em seguida, serem transportadas para os canteiros de obra para montagem e acabamento.

“Esse é o resultado de uma reflexão que começou internamente há três anos”, conta Rodrigo Osmo, CEO da companhia, cujo mercado de atuação está muito relacionado aos imóveis que atendem aos requisitos do Programa Casa Verde e Amarela (antigo Minha Casa Minha Vida). “Nós percebemos que o nosso modelo de negócios tinha uma capacidade de crescimento limitada. Estávamos lançando cerca de 15 mil unidades por ano e poderíamos chegar, no máximo, a 30 mil em algum tempo. Entre ser uma grande geradora de caixa, estável, mas com desenvolvimento restrito, e aproveitar nosso expertise para iniciar um novo ciclo de negócios, ficamos com a segunda alternativa”, conta o executivo.

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Com base nessa definição, a companhia então partiu para o desafio de resolver dois entraves principais. O primeiro era justamente continuar crescendo e, para isso, era preciso sair das grandes regiões metropolitanas. “Até então, essa era uma condição necessária para ter uma escala capaz de manter o nosso modelo de negócios em pé. Mas era preciso encontrar uma forma de operar em escala menor e, assim, entrar em cidades pequenas e médias”, diz Osmo.

O segundo problema passava pela constatação de que a abordagem industrial usada na construção civil produzia ganhos marginais cada vez menores, e que, com o passar do tempo, não haveria mais incrementos de produtividade porque toda a operação já estaria otimizada na ponta. “O modelo off-site veio para equacionar essas adversidades. Por um lado, ele permite que atuemos com uma escala local pequena, no nível da cidade onde está o empreendimento. Por outro, o fato de transferir a obra do canteiro para uma fábrica aumenta muito a nossa capacidade de industrialização do processo”, explica o executivo referindo-se à independência em relação às intempéries, à possibilidade de atuação em três turnos e até à otimização de processos, já que vários deles estarão no mesmo lugar.

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Casa-modelo: woodframe e construção off-site

WOODFRAME E NOVOS MODELOS CONSTRUTIVOS

Após uma série de viagens para o exterior, tanto de Osmo quanto de outros executivos da companhia, decidiu-se pela utilização da tecnologia woodframe, amplamente aplicada em residências de alto padrão em países como Canadá, Estados Unidos, Japão, Alemanha e Suécia. “Mercados desenvolvidos utilizam woodframe em residências menos populares porque ele garante um conforto térmico e um isolamento acústico superiores ao que as tecnologias convencionais oferecem”, explica Osmo, comparando a matéria-prima com o concreto.

Por aqui, o desafio da empresa vai ser justamente encontrar uma maneira de usar a tecnologia no segmento de imóveis populares. “Esse mercado tem um tamanho expressivo e aceita bem a padronização de tipologias. Esses dois componentes são muito importantes para viabilizar uma operação industrial de larga escala e com ganhos de produtividade. Apostamos nesta combinação para oferecer um produto de qualidade superior a um preço acessível.”

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O executivo explica que a madeira também tem um forte componente de sustentabilidade. Diferente de outros insumos, como aço e concreto, que são emissores de carbono, a madeira sequestra CO2 do meio ambiente para crescer. Além disso, a construção em fábrica reduz significativamente o volume de resíduos e o consumo de água nas obras.

Por enquanto, a iniciativa está funcionando em escala artesanal no espaço alugado de 3 mil metros quadrados, onde estão sendo desenvolvidas as prototipagens e os painéis que depois são levados ao condomínio, para a montagem das casas que têm, aproximadamente, 60 metros quadrados. Mas, para o executivo, o resultado das casas-modelo foi animador e abre as portas para acelerar a validação de diversos conceitos da construção off-site.

Se tudo correr como a empresa espera – e o negócio ganhar escala –, será preciso definir como conduzir essa transição para um modelo industrial e não mais artesanal. “Isso pode ocorrer de diversas formas”, diz Osmo. “Pela instalação de várias fábricas como essa que temos hoje, de joint ventures com empresas que já tenham partes do processo fabril constituídas ou até da estruturação de uma única unidade.” Também é preciso, ainda, ganhar mais experiência na montagem nos canteiros, avaliar a aceitação junto aos consumidores e entender como fica a relação com o agente financiador. O executivo estima que sejam necessários cerca de dois anos para começar a produzir em larga escala. O objetivo é ambicioso: cerca de 60 mil unidades por ano, o que quadruplicaria a atual capacidade da construtora.

Para Osmo, esse movimento da companhia está alinhando ao que se entende, de fato, por inovação. “A construção civil é um grande paradoxo, uma vez que é o maior segmento do mundo – representa 13% do PIB mundial – ao mesmo tempo em que é também o mais ineficiente”, explica. “Inovar, nessa área, não é só digitalizar processos. Esse é um componente importante, mas é parte de algo maior. O que de fato vai resolver esse problema de produtividade é a industrialização, ou seja, sair de um ambiente hostil, como o canteiro de obras, para um ambiente mais controlado. Essa é a verdadeira inovação, a verdadeira concepção de construtech.”

Até o momento, a iniciativa consumiu pouco mais de R$ 12 milhões, mas a expectativa é que esse investimento aumente conforme as próximas fases forem sendo encaminhadas. “Originalmente, a ideia era investir 1% da receita em pesquisa e desenvolvimento, mas é possível que esse índice suba para 2% ao longo do tempo.”

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