O que a listagem da Coinbase significa para o bitcoin e criptomoedas

SOPAimages Lightrocket / Getty Images
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Com avaliação próxima de US$ 100 bilhões, estreia da maior exchange cripto dos EUA acontece hoje (14) na Nasdaq

A estreia da Coinbase, maior exchange de criptomoedas dos Estados Unidos, hoje (14), na Nasdaq, movimentou o mercado nos últimos dias, mas vamos dar uma olhada em algumas possíveis implicações em longo prazo da listagem da companhia de criptomoedas norte-americana.

Uma avaliação potencial de quase US$ 100 bilhões, outros bilhões em receita, operações altamente lucrativas e uma base de clientes em rápido crescimento que já chega aos milhões: o que mais uma organização poderia pedir? Os ganhos do primeiro trimestre da Coinbase reforçaram a forte e crescente posição financeira da empresa.

O pedido da oferta da Coinbase gerou uma onda de análises e avaliações cautelosas em relação ao atual cenário do mercado de criptomoedas, das próprias operações da companhia e possíveis impactos futuros.

É razoável supor que o momento da listagem não é acidental e que a empresa está buscando se capitalizar em cima do interesse crescente de indivíduos e instituições em criptoativos. Dito isto, também é interessante notar que a Coinbase não está buscando levantar nenhum novo capital em decorrência da listagem, reforçando os resultados financeiros e a solidez divulgados em seu prospecto. Com este cenário, vamos nos concentrar na faixa de negociação potencial e na avaliação da Coinbase após sua estreia.

Dessa forma, há várias implicações de longo prazo que podemos examinar e podem ser ofuscadas pela empolgação em torno do IPO. Em outras palavras, a Coinbase abre a porta para desenvolvimentos novos e inovadores que vão muito além de simplesmente fornecer aos investidores uma plataforma para negociar criptos.

Cripto adoção

O debate sobre se o bitcoin é ou não uma reserva de valor continua a crescer intensamente, mas a realidade é que isso tem sido uma força motriz no mercado altista atual. A estreia da Coinbase vai reforçar essa posição já assumida pelas instituições, bem como aumentar a conscientização das negociações de moedas digitais para indivíduos que talvez não estivessem envolvidos anteriormente.

A estreia de uma empresa como a Coinbase no mercado é praticamente uma garantia de impulsionamento da consciência e do interesse geral sobre o bitcoin e outros criptoativos. Isso inclui tanto o potencial de uso como moeda, quanto como reserva de valor.

Um ETF (fundo de índice) de bitcoin ou cripto tem sido o sonho dos defensores das criptomoedas há anos, mas apenas recentemente esse desejo passou a se concretizar. Especificamente, a notícia de que a Grayscale (exchange de criptomoedas) está comprometida em trabalhar para converter seus fundos em ETFs seguindo exigências dos reguladores norte-americanos não parece ser uma coincidência. Integrar os criptoativos ao mercado financeiro é algo que vem ocorrendo há muito tempo e foi turbinado pelo mercado em alta.

Pense desta forma: com a maior plataforma de negociação de criptomoedas dos EUA tornando-se uma empresa aberta e regulada, há algum argumento válido a ser feito contra um ETF de criptomoedas?

As DeFi (finanças descentralizadas, em tradução livre do inglês) têm sido um tópico frequente no espaço dos criptoativos, permitindo que blockchains e criptomoedas realmente forneçam uma estrutura financeira alternativa sem depender de bancos ou outras instituições financeiras estabelecidas. Embora a ideia inicial e o potencial das DeFi fossem criar o referido sistema financeiro sem intermediários ou terceiros, é lógico pensar que algum tipo de barreira será necessária para continuar atraindo clientes que desconhecem esse mercado, pelo menos no início.

A Coinbase, sendo a maior plataforma de negociação de criptos dos EUA, permite a negociação de dezenas de criptoativos e, com a legitimidade de ser negociada em Bolsa, deve desempenhar um papel central na consolidação das finanças descentralizadas no futuro.

Liquidação em tempo real

Desde a saga da GameStop no Reddit, que atraiu a atenção dos mercados e do Congresso norte-americano, houve um interesse renovado em saber se a negociação de ativos pode ou não ser acelerada para acontecer em tempo real, em comparação com os vários dias que pode levar atualmente. O que isso significa, na prática, é que as negociações serão liquidadas em uma base instantânea, potencialmente eliminando o funcionamento que chamou tanta atenção durante o caso da GameStop.

Um dos atributos mais amigáveis para o mercado blockchain e dos criptoativos é o potencial dessas transações serem liquidadas instantaneamente por uma fração do custo das transações financeiras tradicionais. Com a Coinbase introduzindo a criptomoeda em um mercado cada vez mais amplo após sua listagem, não seria surpreendente ver essa discussão continuar a crescer.
A listagem da Coinbase é um evento de mudança para o mercado das criptomoedas. Estreando na Nasdaq com uma avaliação potencial superior a US$ 100 bilhões, esta é certamente uma estreia que terá um impacto sobre os padrões de negociação. As implicações e a potencial influência no futuro da listagem da Coinbase também são dignas de nota e podem ser mais interessantes para os defensores dos criptoativos do que parecem à primeira vista. A listagem da Coinbase está se transformando em um divisor de águas para o bitcoin, para as criptos e blockchain em geral.

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