Síndrome da impostora: diretora do Grupo Boticário conta como lidou com o problema

Renata Gomide teve que lidar com a insegurança ao descobrir a gravidez durante o processo de contratação. Agora, ajuda a criar um ambiente de acolhimento para outras mulheres.

Fernanda de Almeida
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Um ambiente de liderança feito por mulheres é o que encoraja outras mulheres a se abrirem, diz Renata Gomide

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Um dia antes de receber a proposta para assumir a área de comunicação da Eudora, marca do Grupo Boticário, Renata Gomide descobriu que estava grávida. Naquele momento, bateu a insegurança e a executiva pensou em desistir. “Me perguntei se eu era a pessoa certa para o cargo, se eu teria a capacidade de fazer o que precisava ser feito durante a gravidez.” 

Esse questionamento tem nome. A síndrome da impostora, ou a sensação de ser uma fraude prestes a ser descoberta,  atinge especialmente as mulheres.  Não é incomum que profissionais em ascensão pensem que não são boas o bastante ou que não merecem a posição em que estão, apesar de serem qualificadas para isso.

Uma pesquisa feita pela Universidade da Geórgia mostrou que 70% das executivas entrevistadas se sentem uma fraude no trabalho. A síndrome abala a confiança de 75% das mulheres no mercado de trabalho, de acordo com um outro estudo feito em 2020 pela consultoria de gestão  KPMG.

A executiva aprendeu a lidar com a síndrome seguindo um conselho que passou a dar a outras mulheres. “Se tiver medo, vá com medo mesmo.” 

Leia mais: Minha jornada: “Fui a primeira a contratar uma grávida na empresa”

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Antes de entrar para a empresa atual, Renata Gomide já tinha uma trajetória como líder de marketing do Grupo Pão de Açúcar, mas, ao longo desse caminho, percebeu que as mulheres quase nunca se sentem prontas. “Sempre achamos que não estudamos o suficiente ou não temos experiência para tal cargo”, diz. Depois de seis anos no Boticário, ela atua como diretora de marketing, responsável por todas as marcas do grupo.  

Líderes contra a síndrome da impostora 

Como uma liderança feminina – e levando em conta sua própria experiência com o assunto -, Renata acredita que é importante que esse tema seja trabalhado com as funcionárias dentro das empresas. “Quem está na liderança tem que colocar esse tema na mesa”, diz. Ela defende a criação de um espaço seguro e transparente de trocas para elas crescerem e se colocarem. “Um ambiente com mulheres na liderança facilita muito que outras mulheres sejam encorajadas.”

No dia a dia com a equipe, a diretora de marketing fica atenta a situações e comportamentos das mulheres e traz suas vivências para orientá-las e garantir que elas não sejam paralisadas pela síndrome. Ela também oferece mentorias para ajudar as mulheres em suas trajetórias profissionais. 

Transbordando os limites do escritório, a síndrome da impostora virou tema de campanha da Eudora, uma das marcas do Grupo Boticário, numa estratégia de levar discussões importantes para as consumidoras, segundo Renata. A ação é protagonizada por Ivete Sangalo, além das atrizes Camila Queiroz e Erika Januza. As três abordam suas inseguranças, apesar da fama.  “A gente procurou trazer mulheres bem diferentes dando exemplos de como elas vão adiante mesmo com todos esses sentimentos.”

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