Para Toia Lemann, psicanálise, empreendedorismo e moda se unem para “mulheres que conjugam conforto com elegância”

A carioca Toia Lemann, psicanilista por formação, explica como chegou à moda e fala de seu processo criativo na Anna Vic por Toia Lemann

Donata Meirelles
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A carioca Toia Lemann é psicanilista por formação e dirige a marca de moda Anna Vic por Toia Lemann

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Psicanálise, arte e moda são o principal foco do trabalho da carioca Toia Lemann. “Sou psicanalista por formação e trabalhei muitos anos na área, mas sentia vontade de fazer algo mais dinâmico e não ficar apenas dentro de um consultório”, conta. Assim, tornou-se uma psicanalista que ama arte e faz moda.

Hoje ela dirige a Anna Vic por Toia Lemann, marca de moda que criou em 2018, enfrentou as agruras da pandemia e agora acompanha a retomada dos negócios. “Estou animada”, diz.

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Para Toia, os dias de crise nos últimos dois anos possibilitaram o crescimento interno da empresa, a revisão dos processos de produção e o aprimoramento do produto em si. No momento as vendas estão apenas no atacado, mas a empresária já pensa em abrir uma loja física – provavelmente em São Paulo – e planeja o lançamento de uma linha home.

“Quero fazer almofadas, tecidos para decoração, papel de parede…” diz e, ao mesmo tempo, avisa não ser uma “comerciante voraz”, observando a expansão dos negócios de maneira orgânica, passo a passo. “Comecei a idealizar uma linha home ao me mudar para uma casa nova. Eu mesma fiz as almofadas, cuidei dos papéis de parede, das cortinas… enfim, de todos os detalhes. Ficou lindo!”, admite sem falsa modéstia.

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Enquanto isso, a Anna Vic vem conquistando clientes fiéis desde seu lançamento há três anos. O conceito e o estilo da marca vêm da expressão artística através da moda. Na primeira coleção, Toia teve como base e inspiração o trabalho de sua mãe, a artista Tote Quental – seu pai é o megaempresário Jorge Paulo Lemann.

Assim, a ideia é mesclar conforto, elegância e atemporalidade através da assimetria e da alfaiataria desconstruída – trabalhadas com materiais naturalmente luxuosos como linho, seda e lã. Estampas e cores fazem a conexão com a arte, sendo apresentadas em grafismos e abstrações. Depois de colaborações com alguns artistas plásticos, há quatro anos Toia cria ela mesma as estampas. São duas coleções anuais, inverno e verão, com cerca de 50 looks cada. “Meu trabalho é bem autoral”, define. E conclui: “Minha maior ambição é fazer um produto realmente bom”.

A seguir, Toia Lemann explica como a psicanalista chegou à moda e fala de seu processo criativo.

Esquentando os motores

“Finalmente sinto que as coisas voltarão ao normal. Antes da pandemia estávamos indo bem, mudamos nosso ponto de venda – que era em uma galeria – para um local mais comercial, uma loja em um shopping. Quando o mundo entrou em quarentena, tivemos que fechar e, como todo mundo, acionamos o modo sobrevivência. Com certeza durante esse tempo aprimoramos tanto o nosso conceito como o produto. Agora estou muito animada, aguardando que os negócios peguem no tranco.”

Livre, leve e solta

“Como pede o Rio de Janeiro, e o Brasil, fazemos coleções de verão e inverno, mas nada muito rígido, as roupas são sempre mais leves. Também não acompanhamos as tendências internacionais, porque as maiores mudanças em nossas coleções aparecem nas cores e nas estampas de cada temporada. Uma de nossas peças chave é a segunda pele, que serve tanto para aquecer no inverno como para compor um look de verão.”

O mundo no divã

“A arte apareceu primeiro na minha vida. Minha mãe era artista e sempre gostei de desenhar. A moda veio depois, quando comecei a pensar em mudar meu rumo profissional, me afastando do consultório de psicanalista. Mas não houve uma ruptura entre uma carreira e outra, fui mudando aos poucos, de forma natural. Jamais vou dispensar a psicanálise porque é a minha visão de mundo. É como se eu olhasse a vida com óculos psicanalíticos.”

Oriente-se

“Trabalho em conjunto com uma estilista, que é quem constrói a engenharia da roupa e materializa minhas ideias para as roupas. Nunca fui de seguir a moda e sempre usei apenas aquilo que eu sentia vontade de vestir. Não acompanhava lançamentos, não via desfiles, nada disso. A minha influência na criação de roupas tem a ver com a cultura oriental. Gosto de peças mais leves, soltas, de colorido leve e isso está presente no meu trabalho. E quando falo em ‘oriental’, falo de toda uma estética e não apenas da moda. E essa estética pode ser tanto do Japão como do Marrocos.”

Foco no cliente

“Faço roupas pensando em mulheres que conjugam conforto com elegância. Ela não usa nada extremamente justo, mas as peças acompanham as formas do corpo. Eu conjugo naturalmente conforto e elegância.”

Minuto de sabedoria

“Gosto muito mais da parte criativa do negócio e não sou uma comerciante de alma. Mas tenho bom senso.”

O que vem por aí

“Já fotografamos a próxima coleção, de inverno, para lançarmos no mês que vem. E estou pensando no inverno do ano que vem.”

Uma certa baianidade

“Gosto de trabalhar de forma bem livre. Faço colagens, desenhos e pinturas. Então sento com a minha estilista, analisamos aquele monte de papéis e cores e decidimos o que realmente funciona para as estampas. A partir disso falamos sobre formas, cartela de cores e só então aparece o tema da coleção. Na verdade ele já estava ali no meio de tudo mas ainda não havia sido nomeado. Mas isso também pode mudar. Por exemplo, no momento estou muito disposta a fazer um verão inspirado na Bahia.”

Com Mario Mendes

Donata Meirelles é consultora de estilo e atua há 30 anos no mundo da moda e do lifestyle.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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