Metaverso e games: como universos lúdicos inspiram novas profissões

Roberta Campos, diretora de insights na Descomplica, fala sobre a pesquisa “Descomplicando o futuro das profissões”

Luiz Gustavo Pacete
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Games e metaverso são universos que inspiram direta ou indiretamente novas profissões

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Batizado de “Descomplicando o futuro das profissões”, uma pesquisa realizada pela edtech Descomplica se propôs a mapear como a tecnologia, bem como o metaverso, games, NFTs e outros conceitos populares, estão contribuindo para a formação de um novo ecossistema de funções, profissões e habilidades para os profissionais do futuro.

O estudo foi composto de duas frentes de coleta de dados. A primeira, foi um mapeamento amplo de dados secundários e relatórios especializados com mais de 100 materiais consultados (desde IBGE aos principais relatórios sobre tendências do trabalho). A segunda foi um painel de tendências, que entrevistou 19 profissionais brasileiros em posições de destaque no Brasil e Exterior, nas áreas de Tecnologia, Recursos Humanos, Cultura, Finanças, Saúde, Educação, Entretenimento, Startups, Marketing, Marketing Digital, Comunicação, Logística e Games.

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À Forbes Brasil, Roberta Campos, diretora de insights na Descomplica, profissional responsável pelo projeto, fala sobre as profissões do futuro, as principais constatações da pesquisa e coloca em perspectiva algumas das entrevistas realizadas. “A tecnologia não vai apenas abrir diversas frentes profissionais específicas e relacionadas ao território digital, como profissões ligadas ao metaverso, como vai revolucionar estruturalmente setores tradicionais, como a medicina, o direito ou mesmo o setor financeiro.”

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Roberta Campos, diretora de insights na Descomplica

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Forbes Brasil – Quais foram as principais constatações da pesquisa do ponto de vista de tecnologia?
Roberta Campos – Alguns acreditam que podem se proteger da transformação tecnológica em carreiras que não são diretamente relacionadas à tecnologia. No entanto, a transformação tecnológica está em toda parte: na medicina, no chão de fábrica, no transporte, no marketing, na arte, na logística, nas finanças. A tecnologia não vai apenas abrir diversas frentes profissionais específicas e relacionadas ao território digital, como profissões ligadas ao metaverso, mas também revolucionar estruturalmente setores tradicionais, como a medicina, o direito ou mesmo o setor financeiro, através, por exemplo, das finanças descentralizadas e da tecnologia blockchain. Parte dessas potenciais mudanças são já amplamente visíveis hoje, através por exemplo da crescente comercialização de criptomoedas, mas é uma transformação que ainda vai amadurecer muito.

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FB – O elemento flexibilidade, que se tornou transversal ao perfil do profissional do futuro é algo que se desenvolve? Se ensina? Como fomentar flexibilidade? Ou ela é inerente a uma cultura e tem relação direta com o indivíduo?
Roberta – Flexibilidade é uma palavra ampla que pode ser pensada de diversos ângulos. Uma primeira chave de leitura para pensar flexibilidade no trabalho é o nomadismo digital ou o trabalho remoto. No Brasil, essa ainda é uma realidade mais restrita a certas áreas ou classes, mas ainda assim vem ampliando sua presença. Mas flexibilidade tem um outro lado talvez mais interessante. Com a perspectiva de carreiras alongadas por uma longevidade maior do indivíduo médio, o profissional do futuro viverá potencialmente muitas profissões em uma única vida. Soma-se a isso o fato de que com a transformação digital, já se sabe que grande parte das profissões que existem hoje se modificarão ou se tornarão obsoletas, dando lugar a novas configurações profissionais. Por essa razão, o profissional deve concentrar sua atenção na composição de um conjunto, uma combinação de competências que vão se relacionando com territórios profissionais específicos. Não se trata mais de ter uma mesma profissão para toda a vida, mas da construção de uma constelação – evolutiva e dinâmica – de competências que vão sendo acionadas diante das oportunidades e das novas configurações do mundo do trabalho. Muitos entrevistados usaram metáforas como “legos / blocos de competências” ou “combinações de competências” para falar desse movimento.

FB – Metaverso, NFTs, mundo cripto, de que maneira esse ecossistema se materializa de forma prática quando o assunto é demanda por novas profissões?
Roberta – A pesquisa apontou para diversas áreas que serão territórios mais aquecidos ou pertinentes no futuro do trabalho. Entretenimento é uma das verticais que mais se beneficiará das mudanças tecnológicas do futuro, não só por sua proeminência no assunto metaverso, mas também pelo crescimento do tempo ocioso em um mundo em que as pessoas buscam reequilibrar vida pessoal e trabalho. Wellness e saúde é outro tema importante, sobretudo em um mundo onde as pessoas vivem mais tempo, acelerado pela tecnologia, cresce a necessidade por profissões que cuidam da saúde física e mental. Do mesmo modo que houve a revolução do fitness, de cuidar do corpo preventivamente, o futuro dará a mesma importância à saúde mental preventivamente e não só após a doença se instalar. DeFi e Cripto são duas áreas que já estão na moda hoje, mas que ainda passarão por muitas mudanças e terão muitas rotas e caminhos inexplorados. Por fim, Engenharia. As avenidas de crescimento para as engenharias parecem inesgotáveis. De acordo com nossos entrevistados, as engenharias mudaram nos últimos anos, áreas se integraram (hardware e software), e também se expandindo em novas áreas (como engenharia espacial).

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