Milho e soja caros elevarão comércio agrícola dos EUA com China a novas máximas

As duas potências assinaram um acordo comercial no ano passado, que previa que a China compraria e importaria US$ 80 bilhões em produtos agrícolas dos EUA até 2021.

Redação
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Peter Dazeley/Getty
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EUA e China tem um acordo comercial de exportações agrícolas

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Embora a soja seja o pilar tradicional das exportações agrícolas dos Estados Unidos para a China, o milho provou ser o elemento mais valioso até agora neste ano, com os embarques batendo as máximas anteriores.

A soja será o foco principal até o final do ano e o preço elevado da oleaginosa deve impulsionar o  comércio agrícola geral para a China a um novo recorde, apesar das incertezas sobre os volumes.

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É improvável que a China cumpra as metas agrícolas do acordo comercial da Fase 1, mesmo com preços altíssimos, embora seja incerto quais penalidades podem ocorrer com base na aparente falta de direção do lado norte-americano.

Até setembro, as exportações de produtos agrícolas e afins dos EUA para a China foram avaliadas em US$ 21,2 bilhões, incluindo US$ 1,9 bilhão em setembro, de acordo com os dados do Censo dos EUA publicados ontem (4). Esse total de nove meses é amplamente o melhor para o período, acima da máxima de 2012 de US$ 17,8 bilhões.

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O total para 2020 atingiu US$ 28,75 bilhões, perdendo para o recorde de 2013 de US$ 29,1 bilhões. Isso apesar da tonelagem de commodities a granel em 2020, incluindo soja e milho, ter subido quase 50% acima dos níveis de 2013.

O acordo comercial de Fase 1, assinado em janeiro de 2020, implicava que a China compraria e importaria cerca de US$ 80 bilhões em produtos agrícolas dos EUA entre 2020 e 2021. A expectativa é que o total de 2021 fique em cerca de US$ 43,5 bilhões.

O acordo foi aparentemente escrito sem levar em consideração que os preços das commodities poderiam oscilar drasticamente como ocorreu em 2021. O salto de preço funcionará a favor da China, no entanto, mesmo com volumes de exportação mais leves em comparação aos níveis do final de 2020.

Até setembro, as exportações de milho dos EUA para a China chegaram a 16,9 milhões de toneladas, avaliadas em US$ 4,6 bilhões. As exportações de soja somaram US$ 4,3 bilhões, e o volume de janeiro a setembro, de 8,8 milhões de toneladas, caiu 22% no ano.

Os custos de exportação de milho e soja dos EUA em setembro atingiram máxima de nove anos para o mês, cerca de 60% e 50% acima de setembro de 2020, respectivamente. No entanto, os preços caíram em relação aos níveis mais fortes do meio do ano.

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SOJA

Os embarques de soja dos EUA em outubro para a China provavelmente não foram um recorde em volume, mas seu valor pode ter ultrapassado o recorde mensal de US$ 3,56 bilhões estabelecido em outubro de 2020.

Isso possibilitaria que os volumes de novembro e dezembro caíssem um pouco abaixo da média e, ainda assim, elevaria as exportações agrícolas totais do ano a um novo recorde, assumindo que os atuais níveis de preços se mantenham.

A adição de outros produtos deve garantir o recorde, embora assim como a soja, as vendas de outras commodities não são tão altas quanto no ano passado.

Mesmo com o recorde das exportações agrícolas dos EUA para a China em 2021, o total de dois anos deve ficar aquém da meta de US$ 80 bilhões, e não está claro quais ações as autoridades norte-americanas podem tomar, se houver.

O presidente Joe Biden não mencionou questões comerciais com a China desde que assumiu o cargo em janeiro, embora os analistas esperassem que a representante comercial dos EUA, Katherine Tai, esclarecesse a estratégia do governo no início do mês passado.

O resultado foi altamente desanimador para muitos economistas, pois o plano de Tai careceu de detalhes sobre negociação e tempo. Continuar a comunicação com Pequim parecia ser seu próximo passo tangível. (Com Reuters)

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