Frigol aposta em novos mercados e exportação à China para elevar resultados em 2022

A grande expectativa está na aprovação dos Estados Unidos, para onde o frigorífico vê potencial de exportar 2 mil toneladas mensais.

Reuters
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Marcos Brindicci/Reuters
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A companhia já exporta para 60 países espalhados pela América do Sul, Europa, Oriente Médio, Ásia e África

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O Frigol, quarto maior grupo de carne bovina do país, está mais perto de acessar novos mercados para a companhia, como Estados Unidos e Malásia, o que daria impulso adicional para exportações já bastante aquecidas pela demanda chinesa, disse à Reuters o CEO da companhia, Eduardo Miron.

O frigorífico, que obtém a maior parte de sua receita com exportações, iniciou o ano com expectativa de fechar 2022 com avanço de 33% no faturamento, para R$ 4 bilhões, e a confirmação de novos mercados poderia garantir um ganho extra nas projeções após um histórico primeiro trimestre.

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“Tivemos um primeiro trimestre com desempenho recorde para a empresa”, afirmou o executivo sem detalhar em números.

A companhia já exporta para 60 países espalhados pela América do Sul, Europa, Oriente Médio, Ásia e África, e há menos de um mês recebeu habilitação do Irã, que poderá importar até 500 toneladas de carne do Frigol por mês.

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Mas a grande expectativa está na aprovação dos Estados Unidos, para onde o frigorífico vê potencial de exportar 2 mil toneladas mensais.

“Por uma questão de situação econômica e inflação, onde os EUA precisam de uma carne mais barata de outros países para atender a demanda, é onde o Brasil entra como um importante fornecedor. Achamos que será uma resposta rápida para nossa habilitação”, disse o CEO.

O processo para que a empresa seja aprovada pelos americanos está nas fases finais, aguardando visita técnica do Ministério da Agricultura à planta localizada em Lençóis Paulista (SP).

Atualmente, os Estados Unidos estão em plena ascensão de compras da carne bovina brasileira e figuram na segunda colocação entre os principais importadores, atrás apenas da China.

Somente no primeiro trimestre, as aquisições norte-americanas da proteína do Brasil tiveram uma disparada de 395% ante igual período do ano passado, para 69.799 toneladas, conforme dados da associação de frigoríficos Abrafrigo.

Miron destacou que o frigorífico já fez sua parte nos demais mercados em negociação.

Para a Malásia, o processo de habilitação está em fase final, aguardando apenas uma missão das autoridades do país que, segundo o Frigol, é esperada para meados de junho.

Para a Indonésia e Cingapura, as tratativas de competência da companhia também estão todas realizadas, esperando resposta das autoridades dos respectivos países.

Outro fator que o CEO julga importante para a conquista de novos mercados é a certificação internacional de segurança alimentar BRCGS Food, reconhecida pela Global Food Safety Iniative (GFSI), recebida pela companhia no início deste ano.

“É uma certificação que visa checar se os processos de segurança do alimento estão em conformidade e nos dá a possibilidade de participar de mercados mais exigentes.”

China

Apesar dos esforços para diversificar os compradores, a China continua sendo um importante player para a exportação, avaliou Miron.

Ele disse que, até o momento, não há preocupação sobre impactos da pandemia da Covid sobre a demanda chinesa, “porque eles precisam muito” da proteína bovina –diferentemente da procura por suínos, que está em queda.

“A opção para a China além do Brasil no fornecimento seria os Estado Unidos”, afirmou ele.

O novo CFO do Frigol, Eduardo Masson, acrescentou que um desafio relevante para os exportadores tem sido o alto custo com frete, agravado pela guerra entre Ucrânia e Rússia.

“Mas a questão do frete é global, nos afeta como afeta todos os concorrentes, os exportadores de uma maneira geral”, disse ele.

Especificamente sobre o mercado russo, Masson afirmou que o Frigol não é afetado, pois não possui fluxos de embarque para o país.

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