O contrato da Peacock, de mais de US$ 300 milhões, coloca Dick Wolf na corrida para se tornar o próximo bilionário da TV

Forbes
Corte dos contratos de reprise faz com que lista de magnatas da televisão seja curta

Ao longo de três décadas, Lei & Ordem, de Dick Wolf, produziu várias séries derivadas que preencheram cerca de 60 temporadas de televisão com mais de mil episódios. Todas essas cifras se somaram em uma fortuna do tamanho de Manhattan: mais de US$ 550 milhões. Agora, chega a notícia de que a NBCUniversal está pagando pelo menos US$ 300 milhões pelo direito de exibir as principais franquias dele na Peacock, seu serviço de streaming de vídeo.

Anunciado na última quinta-feira (16), o contrato é o mais recente de uma série de transações que canalizaram mais de US$ 1 bilhão pelos direitos de sucessos do passado para, entre outros, os criadores de Seinfeld, Jerry Seinfeld e Larry David, para Chuck Lorre, de The Big Bang Theory, e para a equipe por trás de Friends, Kevin Bright, Marta Kauffman e David Crane. Em rápida sequência desde setembro, as transações colocaram o status de bilionário ao alcance de alguns dos principais criadores.

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No entanto, os aspectos econômicos da televisão mudaram radicalmente desde que Lennie Briscoe entrou em cena. Os números ainda estão repletos de zeros: Shonda Rhimes, a produtora que criou Grey’s Anatomy, Escândalos – Os Bastidores do Poder e outros sucessos, assinou um contrato de nove dígitos com a Netflix em 2017, seguido depois por um pacote de US$ 300 milhões para Ryan Murphy, de Pose e American Horror Story. Outros estúdios foram atrás, como o NBCU Content Studios, que, esta semana, trouxe a bordo o criador de Uma Família da Pesada, Seth MacFarlane, em um contrato avaliado em US$ 200 milhões.

O que sumiu foram os contratos de reprise, que geravam polpudos pagamentos do tipo anuidade. Os serviços de streaming como Netflix e Amazon Prime vieram para ficar e funcionam de maneira diferente: um alto adiantamento, mas com potencial muito mais limitado de pagamentos adicionais posteriores – e apenas para programas que sobrevivem por tempo suficiente para receber.

Isso faz com que a lista dos verdadeiros magnatas da TV seja curta. Veja, na galeria de imagens a seguir, alguns dos poucos privilegiados que atingiram o status de bilionários ou que podem chegar lá com mais alguns contracheques gigantescos.

  • Oprah Winfrey

    Idade: 65 anos
    Fortuna: US$ 2,8 bilhões
    Programa: The Oprah Winfrey Show

    Ambição: “Eu crio sozinha e, se der certo, deu; se não der certo, crio outra coisa”, disse Winfrey à Forbes em 1995. Mas ela não criava, apenas; também era dona. Em 1985, negociou um novo contrato com a afiliada local da ABC, o qual lhe dava controle parcial sobre os direitos de seu talk show; ou seja, ela ficava com uma parte dos lucros sempre que seu programa era vendido em um novo mercado. Acabou dando certo: Oprah, que começou como repórter de TV local, viu seus ganhos atingirem mais de US$ 300 milhões em 2010, um ano antes de tirar seu programa do ar.

    Ostentação: Winfrey, nascida em uma casa sem encanamento interno na zona rural do Mississippi, tem uma propriedade de 16 hectares em Santa Barbara chamada The Promised Land (A Terra Prometida), que ostenta uma mansão de 2,1 mil metros quadrados, além de uma fazenda de 24 hectares em Maui e imóveis em Milwaukee, Tennessee, Colorado e no estado de Washington.

  • John de Mol

    Idade: 64 anos
    Fortuna: US$ 1,8 bilhão
    Programas: Big Brother, Fear Factor, Deal or No Deal, The Voice

    Ambição: Muito antes de as Kardashians ou as Real Housewives surfarem as ondas televisivas, havia de Mol, o holandês avô dos reality shows. Em 1999, Big Brother – nome dado em homenagem ao personagem de Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, de George Orwell – estreou na televisão na Holanda. Passados vinte anos, mais de 50 franquias da série já foram ao ar no mundo todo. Sua produtora, a Endemol, veio a desenvolver mais reality shows de competição, como Deal or No Deal e Fear Factor, antes de ele vender a empresa por US$ 5,3 bilhões à gigante espanhola de telecomunicações Telefonica em 2000.

    Mas ele não parou por aí. Em 2005, abriu uma nova produtora, a Talpa Media, que criou o sucesso The Voice, bem como programas mais obscuros, como Battle of the Choirs e Dating in the Dark. Em 2015, ele vendeu a empresa para a emissora britânica ITV por US$ 545 milhões.

    Ostentação: Em 2003, de Mol tornou-se investidor da Spyker, uma montadora de carros de luxo ressuscitada. O C8 Aileron Spyker era típico da linha de produtos da empresa, um supercarro de US$ 252 mil com motor V8 que alcançava a 300 km/h. (“Nosso cliente deseja uma alternativa muito clássica, refinada e elegante aos carros que já possui, o que é muito mais exclusivo”, disse Victor Muller, CEO da Spyker, em 2009.) O destino da Spyker sofreu um revés depois que ela adquiriu a Saab da GM, vindo a falir em 2014.

  • Jerry Bruckheimer

    Idade: 74 anos
    Fortuna: mais de US$ 750 milhões
    Programas: C.S.I.: Investigação Criminal, The Amazing Race, Desaparecidos, C.S.I.: Miami, Cold Case: Arquivo Morto, C.S.I.: Nova York

    Ambição: Os filmes de Bruckheimer, como Piratas do Caribe, Top Gun – Ases Indomáveis e A Lenda do Tesouro Perdido, ganharam 41 indicações ao Oscar e bilhões nas bilheterias, mas são os programas de televisão dele que reabastecem sua carteira ano após ano. Bruckheimer encontrou um tesouro com C.S.I., o drama processual que estreou em 2000, continuou por 15 temporadas e deu origem a duas bem-sucedidas séries derivadas. Mesmo após o término das franquias, o programa continua sendo uma das séries mais populares em todo o mundo: é distribuído em 200 mercados e foi dublado em mais de 60 idiomas diferentes.

    Ostentação: Em 2013, ele comprou uma casa de US$ 23 milhões em Beverly Hills e também tem residências em Veneza e Hollywood Hills. Do outro lado do país, ele e a esposa, Linda, têm uma fazenda de 650 hectares nos arredores de Bloomfield, Kentucky (população: 1.038).

  • Jerry Seinfeld

    Idade: 65 anos
    Fortuna: mais de US$ 700 milhões
    Programas: Seinfeld, Comedians in Cars Getting Coffee

    Ambição: Quando Seinfeld estreou, em 1989, o personagem-título e cocriador estava recebendo apenas US$ 880 mil por temporada. Avanço rápido para a nona e última temporada do programa: ele estava ganhando US$ 22 milhões. Mas isso não é nada comparado ao rendimento de sua participação de 15% nos lucros do programa: graças a acordos com redes de cabo e difusão e com serviços de streaming, ele ganhou mais de meio bilhão de dólares (brutos) com a distribuição do programa. (Larry David, que também detinha uma participação de 15%, tem uma fortuna muito menor, depois que abriu mão da metade de sua parte em um divórcio.) Os dois continuarão a embolsar dinheiro: em setembro passado, a Netflix pagou mais de US$ 500 milhões pelo direito de exibir a série por cinco anos.

    Ostentação: Em 2016, Seinfeld vendeu parte de sua coleção de carros em um leilão em Amelia Island, Flórida, que arrecadou US$ 22,2 milhões por 17 veículos. O destaque da venda: um Porsche 550 Spyder de 1955, que faturou US$ 5,3 milhões. Dois anos depois, ele contou à New York Times Magazine o que aconteceria com os carros depois de sua morte. “Minha esposa vai vender, e está tudo bem para mim. Quero que pessoas como eu desfrutem deles. Deve ser como soprar um dente-de-leão.”

  • Dick Wolf

    Idade: 73 anos
    Fortuna: mais de US$ 550 milhões
    Programas: Lei & Ordem, Lei & Ordem: Crimes Premeditados, Lei & Ordem: Unidade de Vítimas Especiais, Chicago Med, Chicago P.D., Chicago Fire

    Ambição: Ele passou sete anos produzindo textos publicitários para a Procter & Gamble e tentou escrever roteiros antes de sofrer a influência do criador de Chumbo Grosso, Steven Bochco, uma das figuras seminais que moldaram a televisão na década de 1980. Wolf trabalhou como escritor ou produtor em Chumbo Grosso, Miami Vice e New York Undercover, aprimorando suas habilidades em um gênero que se tornaria sua marca registrada: dramas processuais policiais. Ele aprendeu bem seu ofício. No ano passado, Lei & Ordem: Unidade de Vítimas Especiais se tornou a série de ação ao vivo no horário nobre mais longa de todos os tempos; sua 21ª temporada ofuscou o recorde de Gunsmoke e da série Lei & Ordem original, que tiveram 20 temporadas cada uma.

    Lei & Ordem e suas derivadas, Lei & Ordem: Unidade de Vítimas Especiais e Lei & Ordem: Crimes Premeditados, chegaram a dominar a programação da NBC no horário nobre, atraindo até 90 milhões de telespectadores por semana. Em 2003, Wolf fechou o contrato televisivo que foi descrito como o mais lucrativo da história: cerca de US$ 1,6 bilhão em três anos por seu trio de programas policiais.

    Ostentação: Sua compra, por US$ 10,5 milhões, de uma propriedade em Mount Desert Island, no Maine, teria estabelecido um recorde estadual em 2003. Ele se juntou a outros vizinhos famosos, como Martha Stewart e o bilionário David Rockefeller.

  • Chuck Lorre

    Idade: 67 anos
    Fortuna: mais de US$ 400 milhões
    Programas: Cybill, Dharma & Greg, Dois Homens e Meio, The Big Bang Theory, Mike & Molly

    Ambição: Por ser o gênio responsável pelos maiores seriados da CBS, Lorre colherá os frutos da distribuição por muitos anos. Embora Cybill e Dharma & Greg, seus sucessos do início dos anos 1990, não tenham resistido tão bem ao teste do tempo, as séries de Lorre que se seguiram certamente resistiram: The Big Bang Theory e Dois Homens e Meio. The Big Bang Theory faturou US$ 1,5 milhão por episódio em 2011 para passar na TBS e atraiu mais de 23 milhões de telespectadores para seu episódio final, em maio passado, a maior audiência de um programa não esportivo em 2019.

    Essa popularidade continua a gerar dividendos. Em setembro, a WarnerMedia, da AT&T, pagou US$ 490 milhões para colocar The Big Bang Theory na HBO Max. É uma boa notícia para Lorre, que embolsa uma participação de 25% nos lucros da distribuição. Ele se juntou a Wolf no recebimento de pagamentos da Peacock pelos direitos de streaming de Dois Homens e Meio, que já um clássico das reprises nas TVs aberta e a cabo.

    Ostentação: A CBS permite que Lorre insira “vanity cards” (cartões de vaidade) nos créditos de seus programas – pequenos ensaios sobre assuntos que vão da promiscuidade masculina ao budismo. Um deles entrou em conflito com a rede: um artigo de 2008 sobre o divórcio (Lorre estava passando por seu segundo, assim como o acionista majoritário da CBS, Sumner Redstone), que a CBS pediu para Lorre encurtar. Ele publicou o texto completo, no qual se refere a si e a Redstone como “Prenup Chuck e Endless Sumner”, em seu site pessoal.

Oprah Winfrey

Idade: 65 anos
Fortuna: US$ 2,8 bilhões
Programa: The Oprah Winfrey Show

Ambição: “Eu crio sozinha e, se der certo, deu; se não der certo, crio outra coisa”, disse Winfrey à Forbes em 1995. Mas ela não criava, apenas; também era dona. Em 1985, negociou um novo contrato com a afiliada local da ABC, o qual lhe dava controle parcial sobre os direitos de seu talk show; ou seja, ela ficava com uma parte dos lucros sempre que seu programa era vendido em um novo mercado. Acabou dando certo: Oprah, que começou como repórter de TV local, viu seus ganhos atingirem mais de US$ 300 milhões em 2010, um ano antes de tirar seu programa do ar.

Ostentação: Winfrey, nascida em uma casa sem encanamento interno na zona rural do Mississippi, tem uma propriedade de 16 hectares em Santa Barbara chamada The Promised Land (A Terra Prometida), que ostenta uma mansão de 2,1 mil metros quadrados, além de uma fazenda de 24 hectares em Maui e imóveis em Milwaukee, Tennessee, Colorado e no estado de Washington.

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