Vale tem prejuízo de US$ 1,56 bilhões no 4º trimestre com baixas contábeis e Brumadinho

Os resultados financeiros líquidos representaram uma perda de US$ 3,413 bilhões, ficando US$ 1,544 bilhão abaixo do que em 2018

A mineradora Vale registrou prejuízo líquido de US$ 1,56 bilhão no quarto trimestre de 2019, ante lucro líquido de US$ 3,79 bilhões no mesmo período do ano anterior, principalmente devido a baixas contábeis e provisões relacionadas ao rompimento de barragem em janeiro de 2019.

Em seu relatório de desempenho financeiro publicado ontem (20), a companhia reportou baixas contábeis de US$ 4,2 bilhões entre outubro e dezembro em ativos da Vale Nova Caledônia e da mina de carvão de Moçambique.

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Segundo a empresa, a operação da Nova Caledônia enfrentou problemas desafiadores ao longo de 2019, principalmente nas atividades de produção e processamento.

“Dessa forma, a Vale revisou seu plano de negócios, reduzindo os níveis de produção esperados para a vida útil restante da operação”, disse a companhia.

No segmento de carvão, houve uma reavaliação das expectativas relacionadas ao yield de carvão metalúrgico e térmico nas operações em Moçambique, a revisão do plano de lavra, que levou a uma redução nas reservas provadas e prováveis, e a redução da premissa de preços no longo prazo.

No quarto trimestre, a empresa também considerou uma provisão de US$ 671 milhões relacionada ao plano de descaracterização de barragens, colocado em prática após o colapso de barragem em Brumadinho (MG), há cerca de um ano. Uma provisão de US$ 227 milhões também foi considerada no resultado trimestral da companhia por acordos firmados.

Uma das maiores produtoras globais de minério de ferro, a empresa teve um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de US$ 3,5 bilhões nos últimos três meses de 2019, queda de 20,8% ante o mesmo período de 2018.

O Ebitda ajustado do segmento de minerais ferrosos foi de US$ 4,538 bilhões no quarto trimestre, em linha com o trimestre anterior, apesar de menores preços de venda, o que foi parcialmente compensado por maiores volumes de venda, menores custos e maiores dividendos recebidos.

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No quarto trimestre, o preço de finos de minério de ferro (CFR/FOB) realizado da Vale totalizou 83,5 dólares/tonelada, versus US$ 89,2 no terceiro trimestre e US$ 68,4 no mesmo período do ano anterior.

Apesar da queda de 13% do preço de referência 62% CFR China na comparação com o terceiro trimestre, o preço realizado da Vale reduziu-se apenas cerca de 6%, devido ao efeito positivo dos mecanismos de precificação, impactado pela forte volatilidade de preços durante o trimestre e por uma maior curva de preços futura, disse a companhia.

PRÊMIO

Já o prêmio de qualidade total de finos de minério de ferro e pelotas somou US$ 6,4 por toneladas no quatro trimestre, ante 11,5 dólares/tonelada no mesmo período do ano anterior.

No ano, o prêmio também caiu, para 8,3 dólares/tonelada em média, ante US$ 10,2 em 2018.

A composição dos produtos prêmios na composição do total das vendas, por outro lado, subiu para 87%, ante 84% no quarto trimestre de 2018.

RESULTADOS DO ANO

No acumulado de 2019, a mineradora registrou prejuízo líquido de US$ 1,68 bilhão, comparado a um lucro líquido de US$ 6,86 bilhões em 2018, diante principalmente de provisões e despesas relacionadas ao desastre em Brumadinho e também devido ao rompimento anterior, de uma estrutura da joint venture Samarco, em 2015.

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O desastre de Brumadinho, que matou pelo menos 259 pessoas – onde a empresa era a única dona das operações que colapsaram -, levou a companhia a uma grande revisão de segurança das suas estruturas, com a paralisação de atividades, além de uma aceleração em planos para a descaracterização de barragens.

Os resultados financeiros líquidos representaram uma perda de US$ 3,413 bilhões, ficando US$ 1,544 bilhão abaixo do que em 2018, principalmente por menores despesas com variação cambial no ano, com a adoção do investimento líquido em hedge, que foram parcialmente compensados por maiores despesas de marcação a mercado das debêntures participativas.

Os investimentos em 2019 permaneceram em linha com 2018, totalizando US$ 3,704 bilhões, sendo US$ 544 milhões em execução de projetos e US$ 3,160 bilhões em manutenção de operações.

Em 2020, a Vale espera investir US$ 5 bilhões, o que significará um aumento de 35% em relação a 2019, principalmente para impulsionar o uso do sistema de filtragem e empilhamento a seco.

A dívida líquida da Vale totalizou US$ 4,880 bilhões no fim de 2019, nível mais baixo desde 2008, mostrando uma redução substancial em comparação aos US$ 9,650 bilhões no fim de 2018, devido à forte geração de caixa ao longo do ano.

Entretanto, levando em consideração obrigações de arrendamentos e Refis, além de provisões de Brumadinho e obrigações com a Samarco, o valor total seria de US$ 17,75 bilhões em 31 de dezembro de 2019.

O Ebitda ajustado da empresa em 2019 somou US$ 10,585 bilhões, queda de 36,2% ante o mesmo período do ano anterior.

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