Marcas reduzem taxas para ajudar franqueados a sobreviver

GettyImages/ Thomas Barwick
GettyImages/ Thomas Barwick

Diversas marcas estão entrando em contato com seus franqueados para ajudá-los a passar pelo momento econômico complicado

O fechamento do comércio e de serviços não essenciais por conta do novo coronavírus geraram dois movimentos no mundo das franquias: novas adaptações dos negócios para garantir a sobrevivência, mesmo que de maneira parcial, e iniciativas dos franqueadores para diminuir os impactos dos pequenos.
Entre essas iniciativas estão a isenção (dispensa), a redução ou a suspensão de taxas, negociação direta ou auxílio na negociação de fornecedores e novas campanhas para delivery ou e-commerce. No caso da suspensão de taxas, o pagamento é prorrogado, mas depois deve ser feito, cumulativamente.

O mundo das franquias envolve pelo menos três tipos de taxas mensais: a de royalties, a de fundo de propaganda e marketing e a de assistência técnica (que inclui os sistemas de gestão da rede).

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No pacote de medidas que a Sodiê Doces montou para auxiliar suas 316 lojas, as principais foram a isenção em abril e maio da taxa de propaganda (3% sobre o faturamento) e a renegociação junto a Nestlé, principal fornecedora de ingredientes para os bolos, com a extensão dos prazos de pagamento das duplicatas para 40 dias.

Alguns franqueados da Sodiê optaram por ações com influenciadores digitais, ao enviar bolos para eles experimentarem e postarem em suas redes sociais, incentivando o delivery. E ainda tem a aposta em bolos de meio quilo, menores que os convencionais da rede, que têm também valor final menor.

Christianne Fontes, dona de uma franquia da Sodiê em Itapetininga, conta que antes do período de quarentena tinha uma média de três entregas por dia e, após os investimentos em digital influencers e em divulgação nas próprias redes, consegue cerca de 30 entregas por dia. “O delivery é o que tem sustentado o faturamento parcial da loja, porque ainda assim existem clientes que vêm retirar na porta.”

Outra iniciativa adotada e custeada pelos próprios franqueados foi o frete grátis na região de suas lojas. “A coopetition, união entre competição e colaboração, é extremamente necessária nesse momento de crise”, diz o presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), André Friedheim. Ele explica que, mesmo que exista a competição, é importante que haja a participação colaborativa entre os franqueados para que possam aderir e incentivar diferentes maneiras dos negócios sobreviverem.

O Mercadão do Óculos, franqueadora com 302 lojas espalhadas pelo Brasil, também trouxe um combo de ações para seus franqueados. Dentre as principais medidas, implementaram a prorrogação e o parcelamento em três vezes do pagamento dos royalties de março, o aumento do comissionamento de 6% para 12% sobre todas as vendas do e-commerce em março, abril e maio, e o contato com laboratórios nacionais para negociar parcelamentos de futuros vencimentos.

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“Mesmo com essa situação, estamos tentando manter a rede ativa e viva, com uma comunicação nossa”, diz Fábio Nadruz, diretor de operações do Mercadão do Óculos. Para isso, a franqueadora faz duas rodadas diárias de contatos em diferentes horários pela própria TV Mercadão e também por meio de lives.

Além disso, há a Maratona Mercadão, para a qual fizeram uma série de conteúdos com treinamentos e orientações, disponível na Universidade Corporativa Mercadão dos Óculos, uma plataforma própria da rede em que os franqueados são matriculados.

Com cerca de 150 lojas fechadas por conta da quarentena, a Avatim também adotou um pacote de medidas voltado ao franqueado. Segundo Mônica Burgos, sócia fundadora da empresa, é preciso encontrar soluções que possam minimizar as perdas dos franqueados.

As principais providências apresentadas pela Avatim variam desde campanhas de incentivo ao delivery nas redes sociais até flexibilidade para cancelamento de pedidos dos franqueados e prorrogações e isenção no pagamento de juros e multa.

Gerenciamento de crise

A especialista em franchising e colaboradora do Estadão PME Ana Vecchi explica que algumas pequenas e médias franqueadoras podem ainda não possuir estrutura para zerar taxas, já que dependem das mesmas para manter as marcas. Contudo, ela afirma que há a possibilidade de pelo menos reduzir ou suspender temporariamente. “É preciso que os franqueados entendam que o que vai caber é aquela porcentagem, caso contrário aquela franqueadora pode sofrer com diversos cortes na equipe e aí não vai haver quem preste suporte a rede nesse período.”

Ana Vecchi deixa claro que cada caso é um caso. “As estratégias dependem do setor, do segmento e do quanto a empresa já estava estruturada.” A especialista complementa recomendando que cada empresa franqueadora tenha um comitê de gerenciamento de crise, para que elas possam se apoiar e construir juntos as estratégias em função do setor que atuam, da estrutura que têm e das condições de se relacionar com os seus clientes.

Além das iniciativas das redes, a ABF diz que tem atuado para uma negociação sobre o aluguel com shopping centers e locatários de forma geral (para as lojas de rua), bancos, emissores de cartão e o próprio governo.

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Parcerias da ABF feitas no fim de março com Santander e Bradesco, por exemplo, trouxeram linha de crédito e financiamento exclusivas para as franquias, com condições diferenciadas: mais carências e taxas menores, segundo a associação. (Com Agência Estado)

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