
A Natura & Co (NTCO3) parece disposta a se desfazer de mais um de seus ativos para contornar os problemas operacionais da empresa, que já se arrastam por alguns anos. A companhia anunciou hoje, após notícias veiculadas pela imprensa especializada, que está estudando a possibilidade de se desfazer de parte da Avon, adquirida em 2019.
Em fato relevante, a companhia comunicou que retomou os estudos de alternativas estratégicas para a Avon fora da América Latina, a Avon International. Segundo a Natura, esses estudos podem incluir uma possível venda, parcerias ou uma eventual cisão dos negócios de sua subsidiária.
A Natura ressalta que vem mantendo tratativas com a gestora IG4 visando uma potencial transação, mas ainda estão em estágio inicial. A empresa também destacou que permanece avaliando outras alternativas estratégicas.
Em 2023, a companhia já havia se desfeito de dois ativos importantes: a The Body Shop, que foi vendido à gestora alemã Aurelius Investment em um negócio de R$ 1,25 bilhão. Além disso, em abril do mesmo ano, o grupo se desfez da australiana Aesop para L’Oréal, em uma transação avaliada em US$ 2,5 bilhões (R$ 14,3 bilhões).
Em 1982, o projeto de expansão internacional da marca alcançou o mercado chileno e depois toda a América Latina, Estados Unidos e parte da Europa. Agora, na gestão de Fábio Barbosa, que entrou na empresa em junho de 2022, um dos objetivos é simplificar as operações, como, por exemplo, voltar à venda porta a porta.
Outra meta do executivo é diminuir o endividamento da Natura. No terceiro trimestre, a relação entre dívida líquida e Ebitda ficou negativa em 0,66 vez. Em comparação, no mesmo período em 2022, ela foi de 4,15 vezes.
As empresas combinadas têm um valor estimado em US$ 11 bilhões (R$ 62,92 bilhões). Para a Ativa Research, o melhor caminho é a venda da Avon. “Esperamos que a companhia chegue à uma conclusão em breve, dado o seu histórico de execução ágil com a Aesop e The Body Shop”, comentou.
Sonhos não concretizados
A Natura divulgou a compra da Avon em maio de 2019, porém o negócio só foi concluído 2 anos depois, se tornando o quarto maior conglomerado de beleza do mundo. O movimento aconteceu após a aquisição de outras duas marcas internacionais: Aesop e The Body Shop, que também já foram vendidas.
Na época, a companhia brasileira anunciou o negócio com a Avon por um montante aproximado de US$ 2 bilhões (R$ 11,44 bilhões). Com o tempo, a Natura teve dificuldade para integrar as operações, já que o plano inicial de construir uma plataforma global de cosméticos não surtiu o efeito desejado. A pandemia do coronavírus e a disrupção da cadeia global de suprimentos foram alguns dos desafios enfrentados.
Em 5 de fevereiro de 2025, o grupo divulgou que sua diretoria tinha recebido o aval do conselho de administração para avaliar uma possível separação da operação da Natura na América latina e da Avon em duas empresas independentes e de capital aberto.
A empresa brasileira justificou afirmando que o movimento está alinhado para simplificar sua estrutura corporativa. De acordo com a Natura, as companhias têm alcances geográficos distintos, incluindo clientes e revendedores.