
Os acionistas da Apple votaram para manter as políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) da gigante da tecnologia nesta terça-feira (25), uma vitória para a administração que se opôs aos esforços de um grupo conservador para descartar o programa.
A votação durante a reunião anual da fabricante do iPhone foi vista como um teste sobre as opiniões dos acionistas em relação ao valor dos programas de DEI, que muitas empresas adicionaram ou reforçaram a partir de 2020 em meio ao movimento Black Lives Matter.
Uma crescente reação conservadora tem pressionado grandes empresas dos EUA, incluindo a Meta e a Alphabet, para abandonar iniciativas DEI depois do retorno de Donald Trump à presidência dos EUA.
Trump criticou os programas corporativos de DEI como discriminatórios e sugeriu que o Departamento de Justiça dos EUA poderia investigar se tais esforços violam a lei.
O National Center for Public Policy Research, que se descreve como um think-tank de livre mercado, havia submetido a proposta intitulada “Request to Cease DEI Efforts” à reunião de acionistas. A proposta foi derrotada, com 210,45 milhões de votos a favor e 8,84 bilhões de votos contra.
Os proponentes argumentaram que as recentes mudanças legais significavam que a Apple veria um aumento nos casos de discriminação se continuasse com as políticas de DEI. A Apple disse que tinha um esforço de supervisão ativo para evitar riscos legais e que a proposta restringia inapropriadamente a gestão.
Embora a Apple divulgue dados de diversidade sobre sua base de funcionários, a empresa não estabeleceu metas ou cotas. Muitos de seus esforços de DEI estão na forma de programas, como uma iniciativa de justiça racial sob a qual ela forneceu suporte a faculdades e universidades historicamente negras nos EUA.
A Apple também realiza esforços de DEI fora dos Estados Unidos, como suporte ao ensino de tecnologia para populações indígenas no México e apoio a uma organização sem fins lucrativos liderada pela comunidade aborígene que busca a reforma da justiça criminal na Austrália.
No passado, os acionistas da Apple rejeitaram propostas que exigiriam que a empresa divulgasse mais informações sobre disparidades salariais raciais e de gênero.
O CEO da Apple, Tim Cook, disse na reunião de terça-feira (25) que a “força da empresa sempre veio da contratação das melhores pessoas e do fornecimento de uma cultura de colaboração, onde pessoas com origens e perspectivas diversas se reúnem para inovar”.
Mas Cook acrescentou que “à medida que o cenário legal em torno dessas questões evolui, podemos precisar fazer algumas mudanças para cumprir, mas nossa estrela-guia de dignidade e respeito por todos e nosso trabalho para esse fim nunca vacilarão”.
US$ 500 Bilhões
Na segunda-feira (24), a Apple destacou seus gastos nos Estados Unidos, dizendo que planejava US$ 500 bilhões em investimentos nos próximos quatro anos, recebendo elogios de Trump, dias após a mídia noticiar que Cook havia se encontrado com o presidente.
Os acionistas da Apple também votaram contra uma proposta que pedia à empresa que preparasse um relatório avaliando os riscos de seu trabalho com IA. Ela recebeu 1,04 bilhão de votos “a favor” e 7,96 bilhões de votos “contra”.
Todas as propostas da gerência da Apple, incluindo uma cláusula de “opinião sobre remuneração”, foram aprovadas.
Cook disse na terça-feira (25)que a Apple seria o maior cliente da Taiwan Semiconductor Manufacturing Co, fábrica no Arizona que Trump ajudou a trazer para os Estados Unidos durante seu primeiro mandato.