
No domingo (9), o presidente Donald Trump afirmou que sua administração está em negociações com quatro grupos diferentes interessados em adquirir o TikTok nos Estados Unidos. A revelação foi feita poucos dias depois de sinalizar que pode estender o prazo de 75 dias para a conclusão do acordo.
A bordo do Air Force One, o presidente dos EUA falou a repórteres que “pode haver” um acordo para a venda da plataforma da ByteDance em breve. Trump mencionou que “muitas pessoas” querem comprar o TikTok e que a decisão final cabe a ele. No entanto, não forneceu detalhes sobre os quatro grupos interessados, nem indicou se tem preferência por algum deles, apenas ressaltando que “todos os quatro são bons.” A Forbes entrou em contato com o TikTok para comentar o assunto.
Após assumir o cargo em 20 de janeiro, Donald Trump suspendeu a proibição do TikTok e concedeu à empresa uma extensão de 75 dias para encontrar um comprador para suas operações nos EUA. Esse prazo está previsto para expirar em 5 de abril. Na semana passada, o político republicano disse a repórteres que “provavelmente” estaria disposto a estender o prazo de 75 dias e comentou: “temos muito interesse no TikTok, por isso, espero que a China aprove o acordo.” No entanto, ele não especificou por quanto tempo estaria disposto a estender o prazo. Legalmente, ele só pode prorrogá-lo por mais 90 dias, desde que a ByteDance esteja ativamente trabalhando para vender o TikTok.
Contradições e desgastes
Logo após assinar uma ordem executiva para suspender a proibição do TikTok no dia de sua posse, Trump afirmou que a aprovação da China para o acordo poderia influenciar sua decisão sobre a imposição de tarifas ao país. “Não estou dizendo que faríamos isso, mas certamente poderíamos”, disse no Salão Oval da Casa Branca. Ele completou afirmando que em um possível bloqueio da negociação por parte do governo chinês seria considerado um ato hostil e os Estados Unidos poderiam impor tarifas de 25%, 30%, 50% ou até 100%.
Apesar de associar as tarifas ao acordo do TikTok, Trump já implementou uma tarifa generalizada de 20% sobre importações da China, o que resultou em tarifas retaliatórias por parte de Pequim. A venda do aplicativo exige aprovação chinesa, pois envolve o algoritmo de entrega de conteúdo da plataforma. Esse algoritmo, considerado essencial para o sucesso do app, está sujeito aos controles de exportação da China sobre ferramentas de recomendação de conteúdo personalizado. Nos últimos anos, autoridades chinesas afirmaram que bloqueariam a venda forçada do TikTok, mas, no início deste ano, pareceram adotar uma postura mais flexível.
No dia da posse de Donald Trump, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, comentou sobre a possível venda da plataforma digital. “Para operações e aquisições corporativas, sempre acreditamos que as decisões devem ser tomadas independentemente pelas empresas, com base nos princípios do mercado.” No entanto, as tensões entre Pequim e Washington aumentaram nas últimas semanas, à medida que Trump implementou uma tarifa de 20% sobre todas as importações chinesas.
Na semana passada, durante uma coletiva diária do Ministério das Relações Exteriores da China, o porta-voz Lin Jian mostrou o desgaste com entre chineses e americanos. “Se os EUA querem guerra, seja uma guerra tarifária, uma guerra comercial ou qualquer outro tipo de guerra, estamos prontos para lutar até o fim.” Ainda não está claro se essas tensões podem levar Pequim a barrar o acordo do TikTok.