
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA), considerado uma prévia da inflação, avançou 0,64% em março. Foi o que informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (27). O número indica uma possível desaceleração, já que em fevereiro a alta foi de 1,23%. Com isso, o acumulado dos últimos 12 meses é de 5,26% ante 4,96% registrado no mês anterior, distanciando-se ainda mais da meta oficial de 3%, com tolerância de mais 1,5 ponto percentual (p.p.), ou seja, de 4,5%.
Ainda assim, a elevação foi menor do que a projetada por especialistas, que previam uma alta de 0,70% em março e de 5,30% no ano. O desempenho deste mês ainda mostra que o grupo de Alimentação e bebidas é o calcanhar de Áquiles da inflação, já que teve alta de 1,09% neste mês. Uma aceleração de 1,25%, superior à registrada em fevereiro, quando foi de 0,63%. Os itens que mais subiram foram, respectivamente: ovo (19,44%), tomate (12,57%), café moído (8,53%) e frutas (1,96%).
Outro grupo que pesou no IPCA de março foi o de Transportes, que registrou avanço de 0,92%, influenciado pela alta dos combustíveis de 1,88%. Este grupo e o de Alimentação e bebidas corresponderam a mais de 60% do IPCA deste mês. Em contrapartida, os custos de Habitação tiveram desaceleração de 0,37%, algo substancial se comparado aos 4,34% em fevereiro, quando o desconto na conta de luz chegou ao fim. Durante este mês, a energia elétrica teve uma elevação de 0,43%, ante 16,33% no período anterior. O grupo de Saúde e cuidados pessoais também desacelerou, especialmente pelo recuo dos serviços médicos e dentários, que foi de 1,08% ao mês para 0,62%.
O que pensam os especialistas
Para Carla Argenta, a alta dos alimentos tem sido influenciada por fatores distintos ao longo dos últimos meses. “Essa elevação está relacionada ao ciclo e dinâmica de cada item e não no nível de demanda agregada da economia”, afirma. Em relação ao avanço de Transportes, ela aponta que além dos combustíveis, as passagens aéreas também pressionaram o grupo por conta do Carnaval. No período, o aumento foi de 7,02%.
Alexandre Maluf, economista da XP, acredita que a surpresa baixista veio em grande parte por conta da queda do grupo de Bens Industriais, que registrou desaceleração de 0,17%. “Acreditamos que esse recuo esteja relacionado à Semana do Consumidor, que teve descontos maiores que o projetado pelo mercado”, explica.
Especialistas ouvidos pela Forbes também atribuem o aumento deste mês a outro vilão: o grupo de serviços, apesar de ter desacelerado neste mês, caindo de 0,69% para 0,68%. “As métricas de serviços têm mostrado alguma melhora, mas seguem em patamares muito elevados”, aponta Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura Investimentos. Para ele, o cenário até pode causar algum desconforto no Banco Central (BC), mas não deve alterar o roteiro previsto pela autarquia. Neste mês, o BC reajustou a Selic em 1 ponto percentual, passando de 13,25% ao ano para 14,25%. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), da autarquia, indica que em maio o reajuste para cima persistirá, mas será em menor proporção.
Argenta avalia que o panorama atual vai ao encontro da leitura do Copom sobre “dosar novamente a política monetária”. Para o próximo mês, ela aponta que o “conjunto de indicadores, especialmente o de atividade, será de extrema importância para a determinação dos juros futuros”.