
O presidente Donald Trump anunciou na quarta-feira (02) que os EUA colocariam uma tarifa fixa de 10% sobre todos os países do mundo, com taxas mais altas para muitos dos maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos, incluindo China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e União Europeia. A notícia fez os mercados de ações despencarem ao redor do mundo na quinta-feira (03), com o índice S&P 500 caindo 4,8% e o Nasdaq Composite, focado em tecnologia, recuando 5,9%. Os mercados acionários no Japão, Hong Kong e Europa também sofreram perdas.
Essa queda eliminou um total de US$ 225 bilhões (R$ 1,26 trilhão) das fortunas dos 3 mil bilionários do mundo. Os maiores perdedores até agora são justamente as pessoas mais ricas do planeta, especialmente aquelas que se aproximaram de Trump recentemente.
Quem são os maiores perdedores?
Nenhum foi mais atingido do que Jeff Bezos, da Amazon, cuja fortuna caiu US$ 12,7 bilhões (R$ 71,4 bilhões) desde o fechamento do mercado de ações de ontem, pois os ativos do gigante do comércio eletrônico despencaram mais de 7%. Bezos recentemente tentou se aproximar de Trump, sentando-se na segunda fileira atrás do presidente em sua posse em janeiro, após a Amazon ter feito uma doação para o comitê inaugural de Trump. Em fevereiro, ele anunciou que o Washington Post, que comprou por US$ 250 milhões (R$ 1,4 bilhão) em 2013, alteraria suas páginas de opinião para focar no apoio às liberdades pessoais e aos mercados livres. Um mês depois, ele opinou sobre tarifas, dizendo em um post no X que as páginas de opinião cobririam “os efeitos prejudiciais e distorcidos se as tarifas forem usadas para escolher vencedores e perdedores”.
O segundo maior perdedor até agora? O fundador da Meta, Mark Zuckerberg, que se sentou ao lado de Bezos e Elon Musk na posse de Trump e se encontrou com o presidente na Casa Branca várias vezes desde então, mais recentemente na quarta-feira (02). Com as ações da controladora do Facebook caindo 6%, Zuck ficou US$ 11,4 bilhões (R$ 64 bilhões) mais pobre na quinta-feira (03).
Larry Ellison, fundador da gigante de software Oracle, perdeu US$ 9,2 bilhões (R$ 51,7 bilhões), graças a uma queda de 5% nas ações da Oracle – ele também é um dos principais acionistas da Tesla. Diferente de Bezos e Zuckerberg, Ellison há muito tempo é um grande doador para os republicanos e organizou um evento de arrecadação de fundos para Trump em 2020, além de ter jantado com ele em seu clube Mar-A-Lago, em Palm Beach, no ano passado. Em janeiro, ele se juntou ao presidente para anunciar um investimento planejado de US$ 500 bilhões (R$ 2,81 trilhões) em centros de dados de IA nos EUA, ao lado de Sam Altman, da OpenAI, e do bilionário japonês Masayoshi Son.
Elon Musk, a pessoa mais rica do mundo e braço direito de Trump no Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), também está sofrendo grandes perdas. Ele perdeu US$ 8,7 bilhões (R$ 48,9 bilhões), a quarta maior queda em termos absolutos entre os bilionários, com as ações da Tesla caindo 5% após uma semana difícil na qual a montadora anunciou que suas vendas caíram 13% nos primeiros três meses do ano.
Enquanto isso, o magnata francês do luxo Bernard Arnault, que foi a pessoa mais rica do mundo até o ano passado, sofreu uma perda de US$ 8,6 bilhões (R$ 48,3 bilhões), pois as ações de seu conglomerado LVMH caíram quase 4%. Arnault demonstrou publicamente apoio a Trump em janeiro, comparecendo à sua posse ao lado de dois de seus cinco filhos, que são executivos da LVMH. Além de Bezos e Zuckerberg, outros gigantes da tecnologia, incluindo Jensen Huang, da Nvidia, e os cofundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, também tiveram grandes perdas.
Pelo menos cinco bilionários caíram completamente do ranking hoje. O maior perdedor em termos percentuais foi Gary Friedman, CEO da Restoration Hardware, cuja fortuna caiu 39%, para US$ 700 milhões (R$ 3,93 bilhões). Os ativos da empresa de móveis de alto padrão despencaram 40%, eliminando US$ 450 milhões (R$ 2,53 bilhões) da fortuna de Friedman.
Outros que ficaram de fora da lista fizeram suas fortunas na indústria de vestuário, que também pode ser atingida pelas tarifas: os EUA são o maior importador de vestuário do mundo, obtendo a maior parte de suas roupas da Ásia, incluindo 21% da China e 18% do Vietnã. Não é surpresa, então, que o casal Kenneth e Yvonne Lo, cofundadores do grupo Crystal International Group, de Hong Kong, também tenham caído abaixo da marca de US$ 1 bilhão (R$ 5,62 bilhões). As ações da empresa, sediada em Hong Kong, recuaram 23%. A Crystal fabrica roupas para empresas como Gap, Abercrombie & Fitch, Nike, Adidas e Puma, e dependia da América do Norte para 38% de sua receita em 2024.
E como Trump está se saindo em meio à turbulência do mercado? Nada mal. A fortuna do presidente caiu US$ 64 milhões (R$ 359,7 milhões), para US$ 4,6 bilhões (R$ 25,9 bilhões), pois os acionistas reduziram em 3% o preço das ações da Trump Media & Technology Group Corp., empresa controladora de sua rede social, a Truth Social, uma queda menor do que a do mercado em geral.