
Os preços do petróleo despencaram nesta quinta-feira (3), registrando sua maior perda percentual desde 2022, depois que a Opep+ concordou com um aumento surpreendente na produção, um dia depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou novas tarifas de importação abrangentes.
Os futuros do Brent fecharam a US$ 70,14 (R$ 395 na cotação atual) por barril, uma queda de US$ 4,81 (R$ 27), ou 6,42%. Os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate terminaram em US$ 66,95 (R$ 377) por barril, uma queda de US$ 4,76 (R$ 26,8), ou 6,64%.
O Brent estava a caminho de sua maior queda percentual desde 1º de agosto de 2022, e o WTI a maior desde 11 de julho de 2022.
Em uma reunião de ministros nesta quinta-feira (3), os países da Opep+ concordaram em avançar com seu plano de aumento da produção de petróleo, agora com o objetivo de devolver 411.000 barris por dia ao mercado em maio, acima dos 135.000 bpd inicialmente planejados.
“A economia e a demanda de petróleo estão intrinsecamente ligadas”, disse Angie Gildea, líder de energia da KPMG nos EUA.
“Os mercados ainda estão digerindo as tarifas, mas a combinação do aumento da produção de petróleo e uma perspectiva econômica global mais fraca pressiona os preços do petróleo para baixo – potencialmente marcando um novo capítulo em um mercado volátil.”
Os preços do petróleo já estavam sendo negociados cerca de 4% mais baixos antes da reunião, com os investidores preocupados com a possibilidade de as tarifas de Trump aumentarem uma guerra comercial global, reduzirem o crescimento econômico e limitarem a demanda por combustível.
Na quarta-feira (2), Trump anunciou uma tarifa mínima de 10% sobre a maioria dos produtos importados para os EUA, o maior consumidor de petróleo do mundo, com tarifas muito mais altas sobre produtos de dezenas de países.
As importações de petróleo, gás e produtos refinados foram isentas das novas tarifas, informou a Casa Branca na quarta-feira (2).