
Impulsionados pelo fluxo de investimentos de capital de risco e pelo entusiasmo dos investidores por tudo relacionado à IA, nenhum outro grupo enriqueceu tanto — somando US$ 600 bilhões (R$ 3,4 trilhões) — ou ganhou mais bilionários (46) no último ano do que os magnatas da tecnologia. Como setor, eles formam a indústria mais rica da lista de bilionários da Forbes, com um patrimônio combinado de US$ 3,2 trilhões (R$ 18 trilhões).
A corrida da IA, desencadeada pelo lançamento do ChatGPT em 2022, está a todo vapor. O entusiasmo dos investidores, os lançamentos de novos modelos de linguagem e uma lista crescente de aplicações comerciais para a ferramenta impulsionaram as avaliações das empresas de tecnologia — e criaram uma nova leva de bilionários. Os sete ex-funcionários da OpenAI que deixaram a empresa para fundar a Anthropic em 2021 agora são bilionários, graças a uma rodada de financiamento de US$ 3,5 bilhões (R$ 19,9 bilhões), que avaliou a startup em US$ 61,5 bilhões (R$ 350 bilhões), anunciada em março.
A xAI, de Elon Musk, arrecadou US$ 6 bilhões (R$ 34 bilhões) em dezembro, alcançando uma avaliação de US$ 50 bilhões (R$ 285 bilhões). (Após o fechamento da lista, Musk fundiu a xAI com o X, antigo Twitter, em um acordo de final de março que avaliou a rede social em US$ 80 bilhões. Já a DeepSeek, fundada pelo gestor de fundos de hedge chinês e novo bilionário Liang Wenfeng, chamou a atenção do mundo com o lançamento do modelo de raciocínio R1 em janeiro — afirmando que seu treinamento é mais barato e ainda assim rivaliza com o desempenho dos modelos mais recentes da OpenAI. No setor de aplicações empresariais, empreendedores como Phil Shawe, da TransPerfect, os cofundadores do Duolingo, Luis von Ahn e Severin Hacker, e o criador de jogos de IA Yao Runhao apostaram tudo na inteligência artificial e, no processo, alcançaram o status de bilionários.
Outras startups de tecnologia estão lidando com armas — literalmente. Alexandr Wang, que se tornou brevemente o bilionário mais jovem do mundo em 2021, saiu da lista após a retração do mercado privado em 2022. Agora, ele está de volta, desta vez no setor de defesa, depois que sua startup de rotulagem de dados, Scale AI, arrecadou US$ 1 bilhão (R$ 5,7 bilhões) de investidores, atingindo uma avaliação de quase US$ 14 bilhões (R$ 79,8 bilhões) em maio de 2024. Em março de 2025, a Scale AI anunciou um contrato com o Departamento de Defesa dos EUA para fornecer modelos de IA para aplicações militares. O investidor de risco Joe Lonsdale, por sua vez, entrou na lista da Forbes pela primeira vez este ano, impulsionado por suas participações na Palantir, cujas ações dispararam 225% nos últimos 12 meses, e na Anduril, que está negociando uma nova rodada de financiamento privado com uma avaliação de US$ 28 bilhões (R$ 159 bilhões), o dobro do valor de agosto de 2024. Ambas as empresas também possuem contratos significativos com o Departamento de Defesa dos EUA.
É claro que a pesquisa e as aplicações de IA exigem quantidades quase inimagináveis de poder computacional — e aqueles que podem fornecê-lo enriqueceram ainda mais. Entre as startups, o destaque é a CoreWeave, que vende poder de computação a empresas que vão de pequenas startups à Microsoft. A valorização da empresa saltou de US$ 2 bilhões (R$ 11,4 bilhões) em 2023 para US$ 23 bilhões (R$ 131 bilhões) quando abriu seu capital na última sexta-feira; seus três cofundadores e um investidor inicial agora fazem parte do clube dos bilionários.
“Este foi o momento perfeito para nós, impulsionado pela demanda dos clientes por IA”, diz Brannin McBee, cofundador e diretor de desenvolvimento da CoreWeave. “Estamos expandindo a penetração da IA em todos os setores do planeta.”
Mas não descarte o “dinheiro tradicional” da tecnologia. As sete grandes empresas do setor estão fazendo apostas ousadas em IA — desde modelos de linguagem avançados até infraestrutura de data centers. Em parte devido ao entusiasmo em torno de uma colaboração de US$ 500 bilhões (R$ 2,8 trilhões) entre Oracle, SoftBank, OpenAI, Nvidia e Microsoft, apelidada de “Stargate“, o cofundador e CTO da Oracle, Larry Ellison, e o cofundador e CEO da Nvidia, Jensen Huang, aumentaram suas fortunas em US$ 51 bilhões (R$ 290 bilhões) e US$ 21,7 bilhões (R$ 123 bilhões), respectivamente.
O lançamento do Gemini 2.0 pela Alphabet, em dezembro, também elevou o valor de suas ações, impulsionando o CEO Sundar Pichai para a lista de bilionários da Forbes pela primeira vez e acrescentando cerca de US$ 30 bilhões (R$ 171 bilhões) às fortunas dos cofundadores da Alphabet, Sergey Brin e Larry Page. Os investidores também estão otimistas com as perspectivas da Meta para a IA; as ações da empresa, antes conhecida como Facebook, subiram o suficiente para tornar seu cofundador e CEO, Mark Zuckerberg, a segunda pessoa mais rica do mundo pela primeira vez, com um patrimônio estimado em US$ 216 bilhões (R$ 1,2 trilhão).
A bolha da IA ainda não estourou — e não há como prever quando, ou se, isso acontecerá. Por enquanto, aqui estão alguns dos bilionários mais notáveis da tecnologia que entraram pela primeira vez na lista de bilionários da Forbes em 2025, listados do “mais pobre” ao mais rico:
-
9. Liang Wenfeng
Liang Wenfeng | Patrimônio líquido: US$ 1 bilhão | Fonte de riqueza: IA, hedge fund | Cidadania: China
Sua empresa de IA, DeepSeek, tomou o mundo de assalto quando lançou seu último modelo em janeiro, alegando rivalizar com o desempenho do ChatGPT da OpenAI a um custo muito menor. Liang, que não aceitou investimentos externos, financiou a DeepSeek com parte com seus lucros da High-Flyer Capital Management, fundo de hedge de negociação quantitativa que cofundou em 2015 com dois colegas de faculdade.
-
8. Sundar Pichai
Sundar Pichai | Patrimônio líquido: US$ 1,1 bilhão | Fonte de riqueza: Google | Cidadania: Estados Unidos
Nascido em Chennai, Índia, Pichai atua como CEO da Alphabet, empresa-mãe do Google, desde 2019 e possui apenas 0,02% das ações da companhia. Mas, com a valorização das ações em quase 30% no último ano, atingindo um recorde histórico, em parte graças ao novo modelo de IA Gemini 2.0 do Google, essa fatia foi suficiente para torná-lo bilionário pela primeira vez — combinada com suas centenas de milhões de dólares em vendas de ações.
-
7. Luis von Ahn, Severin Hacker
Luis von Ahn, Severin Hacker | Patrimônio líquido: US$ 1,1 bilhão (cada) | Fonte de riqueza: Duolingo | Cidadania: Estados Unidos (von Ahn); Suíça (Hacker)
Mais de 100 milhões de pessoas usam o aplicativo Duolingo todos os meses para aprender mais de 40 idiomas, do árabe ao iídiche. Nascido e criado por uma mãe solteira na Cidade da Guatemala, von Ahn mudou-se para os EUA para estudar em Duke e na Carnegie Mellon, onde se tornou professor, inventou o sistema de verificação online CAPTCHA e, posteriormente, lançou o Duolingo em 2011 ao lado de seu aluno de pós-graduação suíço, Severin Hacker — três anos antes de Hacker concluir seu doutorado.
-
6. Dario Amodei,
Dario Amodei, Daniela Amodei, Tom Brown, Jack Clark, Jared Kaplan, Sam McCandlish, Christopher Olah | Patrimônio líquido: US$ 1,2 bilhão (cada) | Fonte de riqueza: Anthropic | Cidadania: Estados Unidos; Canadá (Olah)
A Anthropic, criadora do concorrente do ChatGPT, Claude, levantou US$ 3,5 bilhões em março com uma avaliação de US$ 61,5 bilhões. O CEO Dario Amodei cofundou a empresa em 2021 com sua irmã, Daniela, e mais cinco ex-colegas da OpenAI; todos os sete agora são bilionários, incluindo o ex-jornalista da Bloomberg Clark e o professor de física teórica Kaplan.
-
Anúncio publicitário
-
Capa do jogo Love and Deepspace, criado por Yao
Yao Runhao | Patrimônio líquido: US$ 1,3 bilhão | Fonte de riqueza: Jogos online | Cidadania: China
Cerca de seis milhões de pessoas jogam mensalmente o popular simulador de namoro com IA de Yao, Love and Deepspace. Lançado em janeiro de 2024, o jogo já responde por mais de 80% dos US$ 850 milhões de receita do estúdio particular de Yao, a Paper Games, sediada em Xangai. Jogador desde criança, Yao e sua atual esposa lançaram juntos um jogo de moda para dispositivos móveis.
-
4. Phil Shawe
Phil Shawe | Patrimônio líquido: US$ 1,8 bilhão | Fonte de riqueza: Serviços de tradução | Cidadania: Estados Unidos
Shawe e sua então namorada cofundaram a empresa de serviços de tradução TransPerfect em um dormitório da NYU em 1992. Após uma conturbada disputa corporativa que durou mais de três anos, um juiz de Delaware aprovou, em 2018, a compra da parte de sua ex-noiva e co-CEO por Shawe, devido à “completa disfunção” entre eles. Hoje, a empresa, que faturou US$ 1,3 bilhão em 2024, usa IA e tem como clientes a Microsoft e o Departamento de Justiça dos EUA.
-
3. Joe Lonsdale
Joe Lonsdale | Patrimônio líquido: US$ 2 bilhões | Fonte de riqueza: Investimentos em tecnologia | Cidadania: Estados Unidos
Ex-estagiário do PayPal, fiel seguidor de Peter Thiel e grande apoiador de Trump, o cofundador da Palantir tornou-se bilionário depois que as ações da empresa de mineração de dados dispararam 225% no último ano. Ele também cofundou a OpenGov, ferramenta de orçamento para governos, que vendeu uma participação majoritária para a Cox Enterprises por US$ 1,8 bilhão em fevereiro de 2024.
-
2. Alexandr Wang
Alexandr Wang | Patrimônio líquido: US$ 2 bilhões | Fonte de riqueza: Inteligência artificial | Cidadania: Estados Unidos
O mais jovem bilionário autônomo do mundo, aos 28 anos, Wang fundou a Scale AI, que faz anotação de dados para gigantes da IA como OpenAI, Google e Meta. Em maio de 2024, a empresa arrecadou US$ 1 bilhão com uma avaliação de quase US$ 14 bilhões. Nascido no Novo México, Wang começou a trabalhar em tempo integral no Vale do Silício aos 17 anos e, aos 19, abandonou o MIT para entrar na Y Combinator e fundar a Scale.
-
1. Michael Intrator, Brian Venturo, Brannin McBee, Jack Cogen
Michael Intrator, Brian Venturo, Brannin McBee, Jack Cogen | Patrimônio líquido: US$ 3,1 bilhões (Intrator), US$ 2 bilhões (Venturo), US$ 1,5 bilhão (McBee), US$ 1,2 bilhão (Cogen) | Fonte de riqueza: Computação em nuvem | Cidadania: Estados Unidos.
Com dois outros traders de commodities, o CEO da CoreWeave inicialmente acumulou chips da Nvidia para minerar criptomoedas. Em 2019, o trio mudou o foco para a venda de poder computacional e agora atende desde pequenas startups até grandes empresas como a Microsoft. A empresa arrecadou US$ 1,1 bilhão de investidores privados em uma rodada de financiamento que avaliou a CoreWeave em US$ 19 bilhões em maio de 2024 e abriu seu capital em 28 de março. (Os patrimônios líquidos mencionados acima são referentes a 7 de março, data em que consolidamos as avaliações e preços das ações para a lista de bilionários; a CoreWeave encerrou seu primeiro dia de negociação com uma avaliação de aproximadamente US$ 23 bilhões, valor semelhante ao da venda privada de ações da empresa em outubro passado.)
Liang Wenfeng | Patrimônio líquido: US$ 1 bilhão | Fonte de riqueza: IA, hedge fund | Cidadania: China
Sua empresa de IA, DeepSeek, tomou o mundo de assalto quando lançou seu último modelo em janeiro, alegando rivalizar com o desempenho do ChatGPT da OpenAI a um custo muito menor. Liang, que não aceitou investimentos externos, financiou a DeepSeek com parte com seus lucros da High-Flyer Capital Management, fundo de hedge de negociação quantitativa que cofundou em 2015 com dois colegas de faculdade.