
O Banco do Brasil trabalha com a expectativa de que o risco de crédito na carteira do agronegócio se acomode ao longo de 2025, afirmou, Tarciana Medeiros, presidente-executiva do banco nesta quinta-feira (20), chamando a atenção para a previsão de safra recorde no ano.
“Com o crescimento previsto para a safra 2025, de safra recorde, (o BB) tende sim a melhorar bastante a qualidade da carteira (do agronegócio)”, afirmou a executiva em coletiva de imprensa sobre o balanço divulgado na véspera.
No quarto trimestre de 2024, a carteira do agronegócio voltou a mostrar aumento relevante na inadimplência, com o índice acima de 90 dias chegando a 2,45% em dezembro, de 1,97% em setembro e 0,96% um ano antes.
De acordo com Felipe Prince, vice-presidente de controles internos e gestão de riscos, o setor continuou afetado pela “advocacia predatória” nas recuperações judiciais, bem como por compressão de margens, principalmente no mercado de soja e milho, concentrado em produtores do Centro-Oeste. “Essa realidade se manteve”, afirmou.
Medeiro ressaltou, porém, que o BB não observou novos casos relevantes de recuperação judicial no agro e tem conseguido aplacar essa questão. Ela citou que o banco tinha 210 casos no terceiro trimestre e chegou ao quarto trimestre com 270. “Continuamos com trabalho muito forte de orientação”, afirmou.
A executiva ainda citou que, neste ano, a carteira agro do BB chegou a R$400 bilhões. “Nós vamos distribuir 100% dos recursos equalizados que foram destinados ao Banco do Brasil (no Plano Safra). Na velocidade de desembolso que está acontecendo, (o banco) já prevê essa entrega”, afirmou.
Em julho do ano passado, o BB anunciou R$260 bilhões para o financiamento da safra 2024/2025, o maior de sua história e equivalente a um aumento de 13% em relação ao realizado na safra anterior, considerando todos os tipos de operações, não apenas de custeio e investimento.