
Começo este artigo com três números que, assim espero, vão deixar você de cabelo em pé: 47% dos brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são sedentários, o que nos faz um dos líderes de inatividade física na América Latina. E entre os jovens (eles mesmos!), pelo que o levantamento indicou, a parcela é ainda maior: praticamente 8 em cada 10 não praticam nem a quantidade mínima de exercício que é recomendada pela OMS. No mundo, aproximadamente 1,8 bilhão de pessoas são sedentárias, o equivalente a 31% dos adultos em todo o planeta.
Ninguém é sedentário apenas porque quer ou porque tem preguiça de se exercitar. O sedentarismo é influenciado por uma combinação de fatores, em que a sua escolha por ficar sentado em uma cadeira ou no sofá é apenas uma dela. A cultura tecnológica em que vivemos, que nos convida fortemente a ficar colado em uma tela de celular ao invés de nos mexermos, a falta de políticas públicas voltadas à ocupação dos espaços e equipamentos públicos, o próprio trânsito nos grandes centros, que, para muitos de nós, nos faz perder parte significativa de nossos dias, também têm impacto direto na decisão de alguém se exercitar ou não.
Falta de atividade física tem enorme impacto na nossa saúde física. Para que se tenha uma ideia, é o quarto fator de risco de morte no mundo, além de aumentarem as nossas chances de desenvolvermos alguma doença do coração, hipertensão, obesidade, osteoporose e até alguns tipos de câncer.

Praticar exercícios não só beneficia o corpo, mas também contribui para um sono mais regular e um humor mais equilibrado
Além dos aspectos físicos, hoje já temos muitas evidências de que o sedentarismo também impacta negativamente a nossa saúde mental. Quanto menos nos movemos, maior a probabilidade de ficarmos vulneráveis a episódios de ansiedade, estresse e até de depressão. Tanto que já se prescreve exercícios físicos (eu sou um dos médicos que adota essa prática) como parte de ações preventivas contra essas questões de saúde mental. E não só preventivas. Há mais de 20 anos venho comprovando que a atividade física também contribui enormemente para a recuperação de dependências e outras condições de saúde mental mais complexas.
Exercitar-se torna, ainda, o nosso sono mais regular, e o nosso humor mais estável. Isso faz a nossa vida ter mais qualidade. E qualidade de vida é sinônimo de boa saúde mental. Por isso, no próximo dia 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, convido você a levantar-se da cadeira e se mexer.
Como começar a se tornar fisicamente ativo? Primeiro, é preciso coragem, porque a primeira resposta que damos a nós mesmos costuma ser o não: “não tenho tempo”, “não sei fazer isso”, “não consigo” e por aí vai. Segundo, dando pequenos passos. Ninguém sai do sedentarismo para a vida ativa da noite para o dia. Vá com calma, mas assuma o compromisso a você mesmo de criar essa rotina. Tenho certeza de que, devagar, você pegará gosto pela coisa, porque seu sono ficará mais regular, você perderá peso, se sentirá mais bem-disposto e a sua vida vai mudar para melhor.
Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.
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