
Michelle Williams construiu uma carreira marcada por personagens intensos e multifacetados. Desde sua estreia no cinema aos 14 anos com o filme “Lassie”, a atriz americana, vencedora de dois Globos de Ouro e cinco vezes indicada ao Oscar, se consolidou como um rosto conhecido na frente das câmeras por papéis em longas como “O Segredo de Brokeback Mountain”, “Manchester à Beira-Mar” e “O Rei do Show”, até seu trabalho mais recente em “Os Fabelmans”.
Agora, aos 44, ela encara um novo desafio: protagonizar e produzir “Morrendo por Sexo”, série do Disney+ que estreia nesta sexta-feira (4). “Não é sempre que você tem contato com um material que realmente te surpreende e, ao mesmo tempo, te oferece uma oportunidade diferente das que você já teve no passado”, disse Michelle Williams durante coletiva de imprensa, com a participação da Forbes Brasil. “Foi como um choque de água fria.”
Na trama, a atriz dá vida à Molly, uma mulher que, ao receber o diagnóstico de um câncer terminal, decide explorar sua sexualidade e embarca em uma jornada de autodescoberta. A série é baseada no podcast homônimo criado pela atriz Nikki Boyer, inspirado na história real de sua melhor amiga, Molly Kochan. “Quando terminei de ouvir o podcast, me vi no chão, chorando, profundamente tocada”, relembrou Williams. “Foi nesse momento que soube que precisava fazer essa série – para entender por que esse mergulho na amizade feminina e na sexualidade mexeu tanto comigo.”
Para Williams, “Morrendo por Sexo” se tornou mais do que apenas um projeto. “Sempre quis trabalhar em algo do qual eu me orgulhasse, algo que meus filhos, ao crescerem, pudessem ver e sentir uma compreensão mais profunda de quem eu era e do que me interessava. Então, eu realmente me joguei de coração nessa experiência.”
“Quero deixar um registro de quem eu fui e, se meus filhos se interessarem, eles poderão ver e entender o que eu estava fazendo quando não estava com eles.”
Para Nikki Boyer, a escolha da atriz para o papel principal foi imediata. “Quando ouvi o nome Michelle Williams, senti que era a escolha certa, no fundo da minha alma”, disse Boyer. “Vejo partes da Molly nela e sei que ela teria ficado extremamente orgulhosa de ver sua história contada com tanta autenticidade.”

Molly Kochan, que morreu de câncer em 2019 aos 45 anos, ao lado da amiga Nikki Boyer
Maternidade e legado
Pouco depois de aceitar o papel, Michelle Williams descobriu que estava grávida e o projeto precisou ser adiado por um ano e meio. “Quando finalmente pude voltar, pensei: ‘Será que esse projeto ainda existe? Será que já escalaram outra pessoa?’ Mas no fim, tudo deu certo.”
Mãe de Matilda, de 19 anos, Hart, de 4, e Baby, de 2, a atriz conta que pensou especialmente na filha mais velha ao aceitar o papel. “Quando encaro um projeto como esse, penso na minha filha e em como espero que sua experiência de pertencimento e aceitação do próprio corpo se desenvolva.”
Mesmo assim, teve suas dúvidas. “Lá no fundo da minha cabeça, ouvi aquela voz dizendo: ‘Não faça algo que sua avó não poderia ver’”, brinca. “Mas o pensamento mais forte foi: ‘Faça coisas que você gostaria que seus filhos vissem – de forma apropriada para a idade deles, é claro’.”
O poder da amizade feminina
Na série, Michelle Williams divide a tela com Jenny Slate, que interpreta Nikki, sua melhor amiga. A personagem acompanha a jornada da protagonista nos últimos momentos da vida e traz uma mensagem importante para a comunidade de mulheres. “Pode ser difícil se sentir amada em um mundo que diz às mulheres que, conforme elas mudam – especialmente com o passar do tempo –, seu valor diminui”, disse Jenny. “Mas, para essas duas personagens, o valor que elas têm, tanto na forma como se veem quanto como veem uma à outra, vai se tornando ainda maior.”

Michelle Williams e Jenny Slate construíram uma amizade na frente e atrás das câmeras
Para a atriz, a série reforça que a intimidade emocional pode existir em diversos tipos de relacionamentos, não apenas os românticos. “Muitas vezes, o amor romântico é tratado como a validação definitiva de que alguém é digno de amor. Mas essas duas personagens mostram que a amizade pode ser igualmente poderosa.”
Slate espera que a série tenha um impacto profundo no público, especialmente nas mulheres. “Espero que quem assista à série veja alguém em sua vida – ou até a si mesma – e perceba essa oportunidade de se reconhecer e se valorizar.”