Indústrias se articulam para operar no mercado brasileiro de carbono

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Economia circular pode significar grande vantagem competitiva

Desde que a sustentabilidade passou, nos últimos anos, a ser tema fundamental das discussões sobre meio ambiente em todo o mundo, o mercado de carbono – embora anterior ao debate – ganhou força. O número de empresas e até pessoas físicas interessadas em mitigar suas pegadas no planeta vem ganhando adeptos. E esse cenário foi acelerado pela pandemia de Covid-19. De acordo com uma pesquisa realizada no ano passado pela EY-Parthenon, 70% dos brasileiros estão prestando mais atenção aos impactos ambientais e sociais dos produtos que consomem. Esse comportamento resulta na exigência de um posicionamento mais consciente de empresas e marcas.

A tendência também foi detectada pela Ambipar, multinacional brasileira especializada em gestão ambiental com presença em 16 países da América do Sul, Europa, África, América do Norte e Antártida. “Hoje o assunto está mais conhecido e os setores industriais já entendem que é uma questão necessária. É preciso mensurar suas emissões. Sem a execução adequada de gestão de resíduos e práticas sustentáveis, a empresa pode estar exposta a riscos financeiros e comprometer seu futuro”, diz Onara de Lima, diretora de sustentabilidade da companhia.

No entanto, essa é uma jornada que exige um planejamento estratégico sólido, para que, como resultado, as empresas reduzam ou neutralizem suas emissões de CO2 e, consequentemente, aumentem a competitividade. Para chegar nesse nível de maturidade, a recomendação dos experts no assunto é contar com ajuda especializada.

PASSO A PASSO

O ponto de partida é uma análise meticulosa da empresa, seja ela de qualquer setor de atuação. A Ambipar visita os parques industriais e as plantas de operação, entende a cadeia produtiva e os produtos, avalia os riscos, identifica os potenciais de melhoria e mapeia os principais stakeholders. A identificação deste potencial segue metodologias internacionais do Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC).

“Em seguida, nosso complexo de pesquisa, desenvolvimento e inovação, formado por laboratórios, equipamentos e pesquisadores, desenvolve soluções com vistas à economia circular e programas de geração de unidades de carbono certificadas. Ou seja, valoriza e transforma resíduos para retorno à cadeia produtiva como matéria-prima reciclada em produtos”, explica Gabriel Estevam Domingos, diretor da área.

SOLUÇÕES

A economia circular trabalha com o conceito da transformação de resíduos em novos produtos, retornando para a cadeia produtiva. “Incorporamos tecnologia e apresentamos para o cliente uma solução sustentável, que seja economicamente viável e vantajosa”, conta Onara, usando como o exemplo o setor de beleza, no qual resíduos cosméticos podem ser transformados em produtos de limpeza.

“Na indústria farmacêutica, resíduos de cápsulas de vitaminas e medicamentos podem servir de base para shampoos, condicionadores e sabonetes. No setor alimentício, sobras do processo de limpeza dos silos são fermentados e se transformam em ecoálcool, além de insumos para rações para animais. Resíduos minerais, como areia e cinzas de caldeiras, são utilizados para produção de artefatos cimentícios para construção civil, como pisos intertravados, blocos e base para argamassa”, exemplifica Domingos.

Para incentivar esta economia de baixo carbono, a Ambipar usa a ferramenta do programa nacional GHG Protocol, um padrão internacional para estimar as emissões de gases de efeito estufa. O cálculo é feito antes e após a implantação da gestão de resíduos e os resultados servem de indicadores para o cliente.

A mensuração das reduções de emissões leva em conta a não disposição em aterros e práticas estruturadas para uma transformação sustentável. “Este cenário é potencial gerador de unidades de carbono para contribuir positivamente no balanço das organizações. O engajamento é a métrica desse potencial”, diz a doutora em bioprocessos Bianca Ayres, responsável pelo setor na Ambipar.

Todas essas iniciativas não vão apenas contribuir para a sustentabilidade do planeta. Quando o mercado brasileiro de carbono estiver regulado, as empresas que estiverem operando nesse modelo terão dados muito claros sobre oportunidade de programas e geração de unidade de créditos de carbono – ativos passíveis de negociação e monetização. O professor de finanças da Saint Paul João Valente, que também atua na empresa, conclui: “Assim, é possível trazer maior liquidez e revolucionar o mercado de carbono”.

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