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Forbes 50+ 2022 traz histórias de reinvenção e sucesso após os 50 anos

Conheça os personagens da lista 50 Over 50 2022 em dez áreas diferentes

Beatriz Pacheco, Décio Galina, José Vicente Bernardo, Maria Rita Alonso e Rebecca Silva
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Lista 50 Over 50 tem nomes como Katleen Conceição, Nizan Guanaes e José Carlos Semenzato

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A lista 50 Over 50 2022 reúne grandes nomes que chegaram à maturidade com mais poder, relevância, influência e sabedoria do que quando eram jovens – vários deles admitem isso com orgulho. Estão divididos em dez categorias: arquitetura e design; artes plásticas e fotografia; ciência e medicina; cinema, teatro e televisão; esportes; influenciadores; moda; música; terceiro setor; e setor privado.

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Arquitetura e design

Sig Bergamin, 67

Foto: Romulo Fialdini

Ecletismo e elegância convivem em harmonia nos sofisticados projetos de Sig Bergamin. A energia dessa mistura, feita de forma instintiva e destemida, está na escolha dos tecidos, tapetes e papéis de parede, na curadoria das antiguidades e nos mobiliários de épocas diferentes, colocados lado a lado de maneira despojadamente clássica. Sua última empreitada é o espaço de 80 metros quadrados na Casa Cor, recém-montado no Conjunto Nacional, em São Paulo. Ali, Sig não segue convenções. Ele é rebelde e ambíguo, unindo cores bacanas e modernas a móveis dos anos 50 e 60, e mais de 20 tipos de tecidos, num mix que é a sua cara. “Adoro correr riscos, sou audacioso. Gosto de ambientes aconchegantes, com um toque meio sexy”, diz ele. “Sou curioso desde criança e essa curiosidade me alimenta criativamente e me renova. Procuro me reinventar viajando, antecipando tendências, sempre antenado no que está acontecendo”.

Autor de cinco livros, o último deles publicado pela Assouline, uma das maiores editoras de arte do mundo, Sig fica feliz em constatar o sucesso internacional. “Art Life” está nas vitrines de livrarias chiques de Paris, Dubai, Veneza… Pudera, Sig tem uma visão absolutamente cosmopolita e refinada do design. Assim, seus projetos com referências que casam objetos e influências orientais e ocidentais custam em média de 100 mil a 1,3 milhão de reais. Entre os novos desafios estão áreas do condomínio Boa Vista Village, um empreendimento da JHSF. Também acaba de virar embaixador de uma das maiores marcas de tintas do país. “Minha vida é um pacote só. Trabalho e lazer andam juntos”.

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Marcio Kogan, 70

Foto: Jonas Poulsen

O humor irônico e refinado de Marcio Kogan, 70 anos, é de certa forma transferido para suas obras. Membro honorário do AIA (American Institute of Architecture) e professor da Politécnica de Milão, Marcio alia simplicidade nas formas com o cuidado extremo aos detalhes e acabamentos. O Studio mk27, fundado no final dos anos 70, conta hoje com 50 arquitetos e diversos colaboradores em todo o mundo. Desde 2001, quando iniciou um sistema de cocriação e trabalho cooperativo no escritório, conquistou mais de 250 prêmios nacionais e internacionais, como o IAB (Instituto dos Arquitetos Brasileiros) em 2019 e, neste ano, o Architizer A+Awards como melhor escritório de arquitetura das Américas do Sul e Central. Além disso, o Studio representou o Brasil em 2012 na Bienal de Veneza. Filho do engenheiro Aron Kogan, autor de construções como o Edifício São Vito e o Mirante do Vale, Kogan trabalha com volumes puros e plantas funcionais, privilegiando materiais brutos como madeira, concreto e pedras, além de elementos tradicionais como os muxarabis. Assim, ele renova, sofistica e aprimora o modernismo brasileiro, levando a arquitetura do país para águas internacionais.

Isay Weinfeld, 70

Foto: Alexandre Charro

Se suas obras fossem um filme, seriam elegantemente existencialistas como os do sueco Ingmar Bergman. Se fosse uma música, teria a densidade sonora e os elementos experimentais da banda britânica Radiohead. Para Isay Weinfeld, 70, a arquitetura, inspirada em outros campos culturais, deve também emocionar. Anticonvencional e surpreendente, ele conquistou reconhecimento internacional e prêmios superimportantes ao longo dos quase 50 anos de carreira. Seus projetos vão de lojas de moda e livrarias às casas mais refinadas, nas quais mistura fachadas cegas, ripas de madeira e cimento, tijolos de demolição, pedras naturais, portas pivotantes e planos intrigantes que mesclam atmosferas intimistas com espaços de amplitude que engrandece o olhar. Seus projetos incluem ainda edifícios, restaurantes, boates e hotéis, como o Fasano, que é de um cliente fiel com quem Isay tem grande afinidade estética – para ele, aliás, a arquitetura não acontece na base da relação comercial, e sim poética.

Arthur Casas, 61

Foto: Jhonatan Chicaroni

Ele é um arquiteto anticlichês. Suas obras trazem uma visão articular do modernismo, com referências absolutamente contemporâneas alinhadas a conceitos sustentáveis. Por isso mesmo ele é desde 1999 um dos arquitetos mais requisitados para projetos de luxo no país e do exterior, mantendo dois escritórios, um em São Paulo e outro em Nova York, e projetando obras em diversas cidades do mundo, como Tóquio e Paris. “Os ambientes que planejamos não devem seguir modismos, tendências, estilos ou buscar apenas o gesto dramático e espetacular. Ao contrário, devem se revelar espaços acolhedores, empáticos, repletos de possibilidades de interação e que possam, ao longo do tempo, transformar a vida dos indivíduos que os ocupam”, descreve ele, que também assina linhas de móveis de design. Nos últimos anos, Arthur Casas, 61 anos, estampou as principais capas de revista de arquitetura e design do mundo, apresentando projetos de casas, edifícios, hotéis e restaurantes. Venceu também o Concurso Público para revitalização do Pelourinho, na Bahia.

Isabel Duprat, 68

Foto: Divulgação

Pense nos jardins mais lindos e exuberantes. Isabel Duprat, fez estágio com Roberto Burle Marx, participou de expedições botânicas com Nanuza de Menezes e seu grupo de pesquisa da USP, trabalhou seis anos no Departamento de Parques de São Paulo, preparou jardineiros em cursos de especialização e cultivou durante toda a sua vida, estimulada pela mãe, o prazer de semear, plantar e ver crescer, sobretudo árvores. Hoje é uma das paisagistas mais aclamadas do país, responsável pela repaginação da área externa da Casa Roberto Marinho, no Rio e Janeiro, pelo jardim circular do Centro de Pesquisa Albert Einstein e pelo jardim da sede do BankBoston, ambos em São Paulo. Além de projetos residenciais belíssimos, nos quais mescla pisos de basalto com grama, forrações e arbustos floridos, como a medinilla, a sobralia, diversas begônias, entre outras espécies tropicais. “O Jardim nos ensina a virtude de cuidar e através desse cuidado exercitar o respeito pela vida natural”, analisa Isabel.

Artes plásticas e fotografia

Beatriz Milhazes, 62

Foto: Christian Gaul

A artista carioca coleciona obras vendidas por mais de US$ 1 milhão. Em 2008, “O Mágico” foi arrematado na Sotheby’s por US$ 1,049 milhão. Três anos mais tarde foi a vez de “O Moderno” ser vendido por US$ 1,1 milhão. A obra brasileira mais cara, no entanto, é “Meu Limão”, negociado por US$ 2,1 milhões, em 2012. Em maio de 2021, foi encerrada a exposição “Beatriz Milhazes: Avenida Paulista”: 170 trabalhos produzidos entre os anos 1990 e 2020, distribuídos entre o Masp e Itaú Cultural. As obras de Beatriz estão presentes em acervos dos mais importantes do mundo, como Centre Pompidou (Paris); The Museum of Modern Art (Nova York) e Tate Modern (Londres). Em 2021, fez sua primeira individual na China: “Beatriz Milhazes: Ballet em Diagonais”, no Long Museum (West Bund), em Xangai. “Manter a qualidade de vida que me faz feliz e aos meus próximos. Estar sempre com a energia de enfrentar novos desafios no trabalho, evoluindo sempre!”, diz ela sobre o que considera mais importante na vida hoje.

Adriana Varejão, 57

Foto: Tinko Czetwertynsk

Até primeiro de agosto, na Pinacoteca de São Paulo, com curadoria de Jochen Volz, Varejão – um dos principais nomes da arte contemporânea do país – está em cartaz: “Adriana Varejão: Suturas, fissuras, ruínas.” Trata-se do maior apanhado retrospectivo da carreira da carioca. São mais de 60 obras elaboradas no intervalo de 1985 até este ano. Das pinturas da época da Escola de Artes Visuais do Parque Laje (RJ) às tridimensionais de grande escala – tudo com a força de quem expôs as tripas do barroco e elevou simples paredes de azulejos azuis para outro patamar. Lá estão exemplos das séries mais emblemáticas da trajetória da artista, como “Saunas e banhos” e “Terra incógnita”. No Instituto Inhotim (MG), Varejão tem uma galeria desde 2008, projeto do arquiteto Rodrigo Cerviño: uma grande caixa de concreto sobre espelho d’água. A galeria é dos lugares mais visitados neste maravilhoso museu a céu aberto, a 60 km de BH, com mais de 500 obras de 60 artistas de 38 países.

Vik Muniz, 60

Foto: Divulgação

Vivendo na ponte entre Nova York, Rio de Janeiro e Salvador, o paulistano é o artista brasileiro com o maior número de obras em coleções institucionais permanentes no mundo. São 165 instituições com itens do artista, acervos como os do Centre Georges Pompidou (Paris), Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia (Madri), Guggenheim Museum e Metropolitan Museum of Art (ambos em Nova York) e Tate Gallery (Londres). Vik completou 60 anos em dezembro passado e a ideia de finitude ganhou novas cores. “A parte intelectual parece que acelera, você tem pressa, se dá conta que não tem muito tempo.” Ele fechou 2021 com três lançamentos: a exposição “Fotocubismo”, na Nara Roesler (SP); o livro “Epistemas” e a galeria “Lugar comum”, na Feira de São Joaquim, em Salvador. 2022 também começou a toda: exposição “Skins, na Sikkema Jenkins&Co, em Nova York. “A vida é a coisa mais preciosa que existe – e ela é curta. Você precisa viver pra valer: não é acumular, ter, poder. É viver.”

Araquém Alcântara, 71

Foto: Pedro Dimitrow

Fotógrafo que é sinônimo de todos os biomas do Brasil, o santista Araquém Alcântara se lembra do marco dos seus 50 anos de vida: o lançamento do “TerraBrasil”, que viria a ser o livro de fotografias mais vendido do país. Ele queria ser escritor, mas mudou de ideia aos 17 anos, ao assistir a “Ilha Nua” (1960), de Kaneto Shindô. “Entrei em transe com a beleza das imagens e fui meditar na praia. Aí aconteceu uma epifania: ‘daqui pra frente vou dizer as coisas com a imagem’. No dia seguinte, pedi uma câmera emprestada e fui fotografar as mulheres do cais.” Com 59 livros no currículo, Araquém deve lançar este ano a obra com o sumo de 50 anos de trabalho. Sua rotina foca a predileção por “ver e contemplar”. “Pra isso tenho uma varanda que dá para árvores e um pedaço de céu. Tenho as viagens e a aventura. Estou sempre preparando uma travessia.” Entre as próximas, livros para crianças das belezas naturais do Brasil. Sobre como sua fotografia amadureceu em cinco décadas: “Agora já consigo enxergar o espaço entre as folhagens, já consigo transver.”

Bob Wolfenson, 68

Foto: Bob Wolfenson

Logo em sua primeira exposição individual, “Minhas amigas do peito”, na Galeria Fotóptica (abertura 29 de março de 1989), o paulistano do Bom Retiro mostrou a habilidade de enquadrar nus (na ocasião com três lentes de Hasselblad – 80, 120 e 150 mm; e três de Nikon – 55, 85 e 105 mm). No catálogo da exposição, ele deixou transparecer seu humor, já que também ficou de peito de fora na foto. Com ensaios antológicos para a Playboy – “os mais emblemáticos foram: Maitê Proença, Alessandra Negrini, Nanda Costa, Fernanda Young, Angela Vieira e Mylla Christie” – e ativa produção de ensaios de moda – “as revistas Vogue e Elle são as relevantes na minha carreira”, Bob se transformou em um dos profissionais mais requisitados do país. Entre outros trabalhos de destaque, estão os livros “Jardim da Luz” (1996) e “Apreensões” (2010). O estagiário que entrou no estúdio fotográfico da Abril em 1970 (“não imaginava que me tornaria um fotógrafo”) celebrou 50 anos de carreira em 2021. “Foi uma data largamente festejada, com lançamento do meu livro ‘Desnorte’ e várias efemérides culminando com uma edição especial da Elle, toda feita por mim e para mim.”

Ciência e medicina

Katleen Conceição, 51

Foto: Lucas Seixas

Referência em pele negra no Brasil, Katleen Conceição mergulhou na especialização depois de se deparar com uma realidade amarga: a inexistência de estudos sobre a pele negra por aqui. Nos seus mais de 20 anos na área, ela foi por muito tempo a única dermatologista especializada em pele negra no Brasil. De estagiária do Hospital Geral Santa Casa do Rio de Janeiro a preceptora do ambulatório da pele negra, atua na formação de profissionais para atender uma população invisibilizada pelo sistema. “Comecei a tratar doenças que não eram assim entendidas pela falta de conhecimento na área. É uma abordagem que traz autoestima para o paciente e pode até criar possibilidades para uma pessoa negra.” É a primeira brasileira mentora no programa internacional Skin of Colour Society, especializado em pesquisa de peles de cor. Katleen está focada na produção do seu primeiro livro de dermatologia para a pele negra e em se dividir entre os atendimentos da agenda lotada. Mas sonha em ter uma estrutura para ampliar o acesso a pacientes de pele negra às consultas e tratamentos. “Sei que boa parte desse público não consegue chegar até mim.”

Duilia de Mello, 58

Foto: Divulgação

A descoberta da supernova SN 1997D, há 25 anos, alçou o nome de Duilia de Mello entre os notáveis da astronomia mundial. Vice-reitora da Universidade Católica da América, em Washington, a astrofísica se interessou pelas ciências ainda na infância. Mais tarde, ingressou nos estudos das galáxias e colaborou por muitos anos com projetos da Nasa. Mas Duilia também se interessa por temas mais próximos. Literalmente. Convoca intelectuais a furar as bolhas para que o saber científico se una à cultura popular. Quer ciência para o cidadão comum, nas esquinas e padarias. Em 2013, foi eleita pela Columbia University uma das dez mulheres que estavam mudando o Brasil. Com a associação Mulher das Estrelas desde 2016, a astrofísica vem estimulando a ciência nas escolas. Duilia entende ainda que seu papel é apoiar mulheres no começo dessa carreira. Durante o governo Trump, viu mais importância em amparar essas cientistas, por isso decidiu deixar a Nasa para se dedicar exclusivamente às salas de aula.

Miguel Nicolelis, 61

Foto: Divulgação

Eleito um dos 20 cientistas mais importantes do mundo pela Scientific American no início dos anos 2000, o hoje professor titular da Duke University abriu caminhos para a criação de interfaces cérebro-máquina. As décadas dedicadas à neurociência permitiram o desenvolvimento de próteses para a reabilitação de pacientes que sofrem de paralisia corporal. Miguel Nicolelis é um dos responsáveis pela existência dos exoesqueletos motorizados como o que foi usado na abertura da Copa do Mundo de 2014. Usou seu prestígio no campo para montar o Instituto Internacional de Neurociências de Natal, que forma pesquisadores no Brasil há mais de uma década. Durante a pandemia, Nicolelis foi um oráculo da ciência, dada a assertividade de suas previsões. Agora, alerta para um dos momentos de maior risco à saúde pública. Com a eliminação das medidas protetivas e o fechamento da janela de imunidade, o neurocientista, que foi um vocal defensor dos lockdowns, receia estarmos diante de um novo estado de caos.

Sidarta Ribeiro, 51

Foto: Felipe Fernandes de Moraes

Sidarta Ribeiro está ajudando a derrubar os muros da academia. Fez da neurociência um tema pop ao simplificar as discussões técnicas sobre a mente humana. É uma figura “de utilidade pública para as futuras gerações”, nas palavras de Mano Brown. Soma 100 mil seguidores no seu Instagram, plataforma que usa para promover a ciência. Fundador do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Ribeiro é referência em estudos sobre o inconsciente. Entre suas obras mais famosas estão “O Oráculo da Noite” (2019) e “Limiar” (2020), além do recente “Sonho Manifesto: Dez Exercícios Urgentes de Otimismo Apocalíptico” (2022), em que denuncia a profundidade das crises ambiental e social, apontando uma saída pela expansão da consciência planetária, o que seria possível pelo resgate de saberes ancestrais. Ribeiro é um dos principais nomes na pesquisa com psicodélicos no mundo. Com base científica, faz coro a movimentos pela liberação do tratamento medicinal à base de cannabis.

Carlos Afonso Nobre, 71

Foto: Maria Leonor de Calasans

Em maio, tornou-se o segundo brasileiro a entrar para a Royal Society, a academia de ciências do Reino Unido, encerrando um hiato de mais de 150 anos. O primeiro conterrâneo a integrar a sociedade foi Dom Pedro II. Carlos Nobre traçou relações entre a Amazônia e o clima, desmatamento e aquecimento global, cruciais para entender o cenário atual. Nobre aponta o processo de savanização da Amazônia há mais de três décadas, desde que era tratado como tema secundário no plano global. Para ele, agora estamos à beira de um ponto irreversível. O pesquisador prevê que, em até 30 anos, o desmatamento terá acabado com o ecossistema em 50% a 70% do território da floresta. Doutor em meteorologia pelo MIT, na última década, Nobre adotou uma postura propositiva. O brasileiro hoje encabeça projetos para promover a restauração ambiental e consolidar uma bioeconomia na região, partindo de estudos sobre o potencial econômico de produtos florestais, que defende ser superior ao das culturas agrícolas.

Cinema, teatro e televisão

Ary Fontoura, 89

Foto: Rodrigo Adriano Oliveira

Ícone do teatro e da teledramaturgia brasileira, Ary Fontoura é um dos maiores criadores de tipos. Eternizou no imaginário popular personagens como o avarento Nonô Corrêa, de “Amor com Amor se Paga” (1984), inspirado na peça de Molière, e Pitágoras, de “A Indomada”, com o qual ganhou o Troféu Imprensa em 1998. Provou mais uma vez sua versatilidade artística ao se tornar um fenômeno nas redes sociais. O Instagram de Ary tem 4,2 milhões de seguidores, e seu perfil no TikTok conquistou 609 mil fãs. O artista captou a essência das plataformas e passou a usá-las na pandemia como extensão de seu trabalho. Por lá, o ator se aproximou de um público que nem sequer tinha nascido quando boa parte das mais de 50 novelas que fez foi ao ar pela primeira vez. É uma figura reverenciada pelos mais velhos e agora incensada entre as novas gerações. Neste ano, participou das gravações da série “Fim”, da Globoplay, baseada na obra de Fernanda Torres, e dublou a animação “Red: Crescer É uma Fera”, do estúdio Pixar. Ary Fontoura é atual, prova de que a arte renova e vive em qualquer espaço. “O futuro é hoje. Escutem esse influencer de 89 anos”, diz nas redes.

Xuxa, 59

Foto: Blad Meneghel

Xuxa entrou para o imaginário popular como a Rainha dos Baixinhos, mas engana-se quem pensa que eles a esqueceram depois de grandinhos”. Ela faz parte da memória afetiva de diferentes gerações e, até hoje, é lembrada como um dos maiores nomes da televisão brasileira. Xuxa começou a carreira como modelo, ainda na adolescência. Em 1983, fez a estreia como apresentadora na finada TV Manchete. Três anos depois, passou a comandar o “Xou da Xuxa”, na Rede Globo, onde permaneceu por quase 30 anos. Ao longo da carreira, vendeu mais de 40 milhões de cópias de discos. Hoje, reúne mais de 23 milhões de seguidores nas redes sociais. Em 2016, retornou aos palcos, relembrando os maiores sucessos da carreira e lotando shows em capitais brasileiras, projeto que foi interrompido por causa da pandemia. Uma exposição imersiva sobre sua trajetória artística está programada para inaugurar em novembro em São Paulo, além do lançamento de um documentário e de uma série biográfica pelo Globoplay.

Silvio Santos, 91

Foto: Gabriel Cardoso/SBT

É difícil desvincular a televisão brasileira da imagem de Silvio Santos, afinal, ele já era um comunicador antes mesmo da chegada dela ao país. A carreira no entretenimento começou quase que por acaso: ele trabalhava como camelô nas ruas do Rio de Janeiro quando, depois de ter a mercadoria apreendida, foi participar de um concurso de novos locutores na Rádio Guanabara, saindo de lá vencedor. Já em São Paulo, abriu sua empresa de comunicação e tornou-se o primeiro grande produtor independente de televisão, fazendo seus próprios programas, como “Pra Ganhar É Só Rodar”. Na década de 1960, criou o Programa Silvio Santos, que se tornou parte da rotina de milhares de brasileiros aos domingos e está no ar há mais de 60 anos. Em 1981, criou o SBT, que faz parte do grupo que administra as empresas de Silvio Santos, como Jequiti e Hotel Jequitimar. Atualmente, suas filhas apresentam programas na emissora, continuando o legado do pai, que segue comandando os domingos.

Cláudia Raia, 55

Foto: Renan Christofoletti

São mais de 30 anos de carreira na televisão e no teatro musical. Aos 10 anos, foi manequim do estilista Clodovil Hernandes (1937-2009). Aos 13, já seguia a carreira de bailarina, dançando profissionalmente na Argentina e nos Estados Unidos. Na televisão, estreou quatro anos mais tarde, ao lado de Jô Soares no programa “Viva  o Gordo”. Nas novelas, atuou em grandes sucessos como “Roque Santeiro”, “Rainha da Sucata” e “A Favorita” – sendo reprisada atualmente no “Vale a Pena Ver de Novo”. Nos palcos, já soma mais de dez musicais no currículo, como “Sweet Charity”, “Cabaret” e o clássico “Cantando na Chuva”. Há um ano, ela lançou o programa “50 e Tantas” em seu Instagram, onde fala sobre sexualidade, maternidade, amor e comportamento com o viés de que a idade é apenas um número para seus mais  de 7,5 milhões de seguidores. Além de usar as redes sociais como plataforma para debater estes temas, a artista realiza trabalhos publicitários com esta temática.

Andréa Beltrão, 58

Foto: Divulgação

Beltrão começou a atuar na adolescência, quando entrou no Tablado aos 14 anos. Tornou-se conhecida do público quando foi para a televisão, onde chamou a atenção pelos papéis em comédias como “Armação Ilimitada”, “A Grande Família” e “Tapas & Beijos”. Ela também integrou o elenco de grandes novelas, como “Rainha da Sucata”, “Pedra sobre Pedra” e, recentemente, interpretou Rebeca no folhetim das nove “Um Lugar ao Sol”. Um dos grandes destaques da carreira da atriz foi interpretar a apresentadora Hebe Camargo em seu filme biográfico, em 2019, exibido nos cinemas e na televisão, como série. Pela atuação, Beltrão foi indicada ao Emmy Internacional de Melhor Atriz, premiação considerada o Oscar da televisão. Em janeiro deste ano, o Teatro Poeira, espaço no Rio de Janeiro aberto por ela em parceria com a amiga e atriz Marieta Severo, completou 15 anos e 166 espetáculos encenados em seus dois palcos.

Esportes

Elizabeth Rodrigues Gomes, 57

Foto: Érico Hiller

Medalha de ouro nas Paralimpíadas de Tóquio 2020, com direito a duas quebras de recorde mundial no lançamento de disco na classe F52, a atleta mais velha da delegação brasileira segue servindo de exemplo de uma história de superação inconteste. “A emoção na hora foi muito forte. Você fica inerte, sabe que vai levar aquele momento pra vida toda. Trazer uma medalha para o seu país é a maior honraria concedida a um atleta. É um sentimento de dever cumprido.” O sucesso no atletismo (20 recordes mundiais batidos entre disco, peso e lançamento do dardo) foi precedido por um histórico paralímpico no basquete em cadeiras de rodas (Pequim 2008). “Foram 12 anos treinando para conquistar esta vaga.” O primeiro esporte do coração, no entanto, foi outro. “Antes de ser diagnosticada com esclerosa múltipla, fui jogadora de vôlei desde os meus 14 anos. Fiquei deficiente em 1993 (aos 27 anos) e três anos depois fui apresentada ao Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Santos através do basquete.” Elizabeth trabalhou na Guarda Civil Municipal por quatro anos. E entrou sem querer: estava no horário de almoço, acompanhou o irmão e uma amiga na inscrição do concurso, e resolveu fazer. Foi a única que passou.

Túlio Maravilha, 53

Foto: Divulgação

Túlio Humberto Pereira Costa não resistiu. Abandonou a aposentadoria anunciada em 2019, e despendurou as chuteiras para entrar em campo pelo Sport Clube Brasil Capixaba (Serra, ES), na Série B do estadual local, que começa em 13 de agosto, contra o Castelo FC. “Decidi voltar a jogar futebol primeiro porque me considero um cara em forma, porcentual de gordura de 13%, que é porcentual de jogador de 20, 25 anos, e 73 kg, só 1 kg acima do meu peso ideal. E tem outra coisa, quem é rei não perde a majestade. A arte de fazer gols é para poucos. Sou um cara de posicionamento, a bola tem que chegar. E chegando duas a gente faz uma.” Após jogar em mais de 30 times profissionais, o Botafogo (RJ) é o do coração. “Lá me consagrei em 1995 com o título do brasileiro e a artilharia pela terceira vez.” Ele começou no Goiás, em 1987. Pela seleção brasileira, disputou a Copa América de 1995, no Uruguai – perdemos a final para os anfitriões nos pênaltis. A partida foi 1 a 1, com gol de Túlio, que erraria a cobrança de pênalti na decisão.

Marcelo Tosi, 52

Foto: Divulgação

“Quanto mais o tempo passa, mais aprendemos com os cavalos. O sentimento da comunicação com este ser vivo maravilhoso se fortalece.” Palavras do paulista nascido em Piracicaba, mas crescido em Jaboticabal desde os 3 anos. “Com 4, já conhecia cavalos graças ao meu pai Hugo Tosi, que foi um bom cavaleiro de hipismo de saltos”. Ano passado, ao competir nos Jogos de Tóquio 2020, Marcelo alcançou sua quarta participação olímpica (Sydney 2000, Pequim 2008 e Londres 2012). Em campeonatos mundiais, já bateu cartão três vezes – a quarta será este ano, em Roma. Com três medalhas pan-americanas por equipe e seis títulos de campeão brasileiro no hipismo completo, Marcelo monta de quatro a cinco cavalos por dia, pela manhã, quando está no Brasil. Vai para a Europa de duas a três vezes por ano, passar quatro semanas competindo com os três cavalos que tem baseados na Inglaterra. “Desde cedo, aprendi que temos que estar sempre prontos. Dedicação diária, disciplina e resiliência são fundamentais para prosperar.”

Antônio Tenório da Silva, 51

Foto: Buda Mendes/Latin Content

O maior judoca paralímpico da história, com quatro medalhas de ouro (Atlanta 1996, Sydney 2000, Atenas 2004 e Pequim 2008), uma de prata (Rio 2016) e uma de bronze (Londres 2012) não trouxe medalha de Tóquio 2020, mas deu o que falar. Contraiu Covid-19 no primeiro semestre, ficou 18 dias internado, saiu com um comprometimento pulmonar de 85% – e conseguiu se classificar. “Quase morri, e com menos de 15 dias após sair do hospital, fui competir no Azerbaijão e na Inglaterra. Fiquei em terceiro no ranking e busquei a vaga pra Tóquio.” Tenório perdeu a disputa do bronze nos últimos três segundos para o uzbeque Sharif Khalilov. “Me desconcentrei, e ele foi persistente até o final. Agora, meu foco está em Paris 2024. Vou buscar a medalha que ficou em Tóquio.” Ele começou no judô aos 7 anos, incentivado pelo pai, em São Bernardo do Campo (SP). Aos 13, perdeu a visão do olho esquerdo ao ser atingido por uma estilingada de mamona. A visão do outro olho se perdeu seis anos depois, por uma infecção.

Beto Pandiani, 64

Foto: Maristela Colucci

As transformações climáticas e a diminuição da calota polar vão ficar mais evidentes na oitava expedição do velejador santista Beto Pandiani: Rota Polar, uma jornada de 100 dias do Alasca à Groenlândia que vai desaguar em documentário para cinema e no seu sétimo livro de aventuras marítimas. A parte terrestre começou em junho; a expedição no Ártico termina em setembro. Sabendo que podem enfrentar dias de pouco vento, um pedal foi acoplado ao barco como alternativa de propulsão. A primeira travessia de Pandiani foi batizada de Entre Trópicos, em 1994: dois catamarãs sem cabine de Miami até Ilha Bela em 289 dias, fazendo uma incursão inédita pelo interior da América do Sul, pegando os rios Orinoco, Negro e Amazonas. Em 2000, foi de Puerto Montt (Chile) para o Rio de Janeiro em 170 dias; já em 2003, encarou o Estreito de Drake, de Ushuaia à Antártica em 42 dias. A travessia do Pacífico em 2007 durou 135 dias; enquanto a do Atlântico, em 2013, da Cidade do Cabo para Ilha Bela, 37 dias.

Influenciadores

Nizan Guanaes, 64

Foto: Victor Affaro

Ele acaba de comprar um rancho na Patagônia, no sul do Chile, um paraíso natural cheio de nascentes e floresta nativa. Está investindo em empresas de neutralização de carbono (Moss), pretende finalizar o curso de Owner President Management em Harvard e colocou como meta estudar todo dia na hora do almoço. É ainda um leitor voraz que transita entre vários mundos e lê várias obras ao mesmo tempo. Anda apaixonado por Aristóteles, pela biografia de Jony Ive, o gênio na construção de marca da Apple, e “Sobre a China”, escrito pelo diplomata norte-americano Henry Kissinger em 2011 (aos 88 anos). Essa pluralidade de olhares moldou o grande estrategista que o publicitário Nizan se tornou em anos recentes, sendo hoje consultor de potências do porte de Itaú, Marfrig, Ânima, Suzano, Magalu e JHSF e influenciando algumas das pessoas mais poderosas do Brasil. Além disso, Nizan acaba de escrever um livro com o seu psiquiatra, Arthur Guerra, com o provocador título “Você Aguenta Ser Feliz?” Depois de fazer história com a DM9, a primeira brasileira a levar o título de Agência do Ano em Cannes (1997/1998), deixar a propaganda para criar o iG junto com Jorge Paulo Lemann, Marcelo Telles e Beto Sicupira, voltar para a propaganda e revolucionar o conceito de agência com a África, criando na sequência o grupo ABC, ele agora se diz mais encontrado do nunca. “Já fui publicitário. Hoje eu sou estrategista. Isso vale para tudo, para a vida pessoal, para o trabalho, para uma nação.”

Mano Brown, 52

Foto: Mauricio Santana/Getty Images

Maior voz do rap nacional, Mano Brown é direto e reto, do tipo que fala do que viveu e vive e não do que ouviu falar, estudou ou leu. É o que se chama na vida corporativa de “walk the talk”. No ano passado, ele se reinventou completamente como entrevistador do podcast Mano a Mano, produção oficial do Spotify, que alcançou a maior audiência da plataforma em 2021. Em sua segunda temporada, a cada semana, Brown recebe um convidado de relevância nacional para tocar em dramas sociais como a desigualdade, o racismo, a fome e a violência. Com seu jeitão despachado e autêntico, costuma deixar o entrevistado à vontade, com uma escuta atenta e tempo para se aprofundar nas questões discutidas. Nascido em 1970 no Capão Redondo, bairro da periferia de São Paulo, Mano Brown virou ícone do rap, com o grupo Racionais MC´s, que desde 1988 expõem as tretas do país, com veemência, lugar de fala e palavras que encaram a realidade e a pobreza dentro do sistema.

Monica Martelli, 54

Foto: Alexandre Schneider/Getty Images

Atriz, escritora, apresentadora, dramaturga, produtora, Mônica Martelli é uma inspiração para toda uma geração de mulheres na faixa dos 50 anos, com sua atitude irreverente e leve diante de questões-tabu, como a menopausa. Na batalha contra o etarismo e a falta de bons papéis para mulheres maduras, ela estourou aos 37 anos, estrelando peça de sua autoria “Os Homens São de Marte… E É Pra Lá que Eu Vou”. A peça fez um enorme sucesso, ficou em cartaz por 12 anos e deu origem a uma série e dois filmes que bateram recordes de bilheteria. No início de 2022, aos 54 anos, Monica deixou o programa “Saia Justa, depois de dez anos integrando o elenco de apresentadoras. Decidiu se dedicar a uma turnê pelo Brasil com a peça “Minha Vida em Marte”, também escrita por ela. Conhecida pelo humor e pela franqueza, a atriz descobriu seu talento e amor pelo teatro quando fazia faculdade de jornalismo no Rio de Janeiro. Atuou em pontas em programas de baixa audiência até conseguir criar seu monólogo de sentimentos e angústias, que despertam tanta identificação no público feminino.

Mário Sergio Cortella, 68

Foto: Reprodução/Site

A vida de Mário Sergio Cortella, 68 anos, dava um filme. Nascido em Londrina, no interior do Paraná, o filósofo, escritor e professor universitário tentou a vida monástica quando jovem, mas largou a batina para seguir carreira acadêmica. Formado em Filosofia e Ciências Sociais, Cortella se especializou na área da educação, realizando mestrado e doutorado ligados ao tema. Carismático e midiático, Cortella defende seu olhar positivo diante da vida na mídia impressa, no rádio e na televisão, discutindo, principalmente, religião, filosofia e educação e firmando-se como um dos pensadores e humanistas mais populares da Brasil. Quem o tornou doutorando foi Paulo Freire, o “papa” da pedagogia. Não à toa, suas palestras sobre filosofia ficam lotadas e seu Instagram com 7,8 milhões de seguidores tem mais engajamento do que o de muitos influencers de esporte, moda e política, astros de música pop e galãs de telenovela.

Bruna Lombardi, 69

Foto: Divulgação

Bruna Lombardi é uma apaixonada pelas manifestações artísticas. Atriz, apresentadora, modelo, escritora, palestrante, ativista ambiental e que agora também pode ser definida como influenciadora digital. Ela se tornou conhecida do grande público pelos papéis em novelas e pelo programa de entrevistas que produziu e apresentou por dez anos, “Gente de Expressão”, onde conversou com nomes como George Clooney, Meryl Streep e Donald Trump. Além do trabalho em frente às telas, a artista também escreveu dez livros. Desde 2017, ela conduz a Rede Felicidade, plataforma digital sem fins lucrativos onde publica conteúdo ao lado de outros autores sobre temas como empoderamento, qualidade de vida, autoconhecimento e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Em seu Instagram, onde soma 2,5 milhões de seguidores, ela compartilha pílulas de conteúdo sobre esta temática, motivada a inspirar as pessoas a buscarem a felicidade e a realização. No YouTube, ela é acompanhada por outros 165 mil inscritos.

Moda

Oskar Metsavaht, 61

Foto: Lucas Seixas

Esteta por natureza, Oskar Metsavaht criou ao longo de carreira um universo criativo fascinante repleto de elementos de estilo que fazem a Osklen ser o que é: a principal marca de moda do Brasil. Como fazem as grandes grifes internacionais, ele soube estabelecer e trabalhar sobre códigos que viraram suas marcas registradas (modelagens ergonômicas, o uso de listras em preto e branco, influências vindas do surf e do montanhismo, peças inspiradas nos maiôs de natação, peças assimétricas mais compridas atrás do que na frente e o golden spirit traduzido no ouro queimado, que é clássico da marca). Seu estilo de vida ligado à natureza despertou um interesse genuíno e visionário pela sustentabilidade quando isso ainda era considerado um assunto “chato”. “A moda é uma plataforma de expressão criativa, na qual é possível decodificar nosso estilo de vida em formas, cores, texturas. E a maturidade me possibilita fazer essas experimentações de forma prazerosa”. A partir daí ele criou um verdadeiro laboratório de sustentabilidade, que é referência para a indústria fashion global, reinventando processos produtivos de maneira mais sustentável, aderindo pioneiramente ao biodesign com o uso da pele de pirarucu, adotando tingimentos naturais em coleções belíssimas e a utilização de fios reciclados. Não à toa, lota palestras em Tóquio e Paris, cidades nas quais abriu lojas próprias em um movimento de expansão internacional da marca anos atrás. “Sempre tive audácia”, diz ele, que se formou em medicina e entrou na moda abrindo uma loja em Búzios, famoso balneário de veraneio, para vender roupas que criava para fazer expedições no frio extremo. Deu muito certo.

Lenny Niemeyer, 70

Foto: Divulgação

Ela misturou o beachwear à vida urbana carioca – fundando não só uma marca, mas reforçando um lifestyle genuinamente nacional. Famosa por seus desfiles potentes e marcantes, Lenny Niemeyer foi uma das primeiras estilistas de moda praia a entrar no calendário oficial da semana de moda do país, dando um novo olhar para biquínis, maiôs e saídas de praia. Durante a pandemia, Lenny fez uma das apresentações digitais mais lindas da São Paulo Fashion Week, com um videodesfile poético e inspirador e uma coleção que ajudou a reforçar a imagem solar do Brasil no exterior. Foi uma tacada digna de sua trajetória, sempre fiel a uma estética elegante e moderna. Nas décadas de 70 e 80, cansada dos biquínis pequenos demais e das estampas monotemáticas, a designer criou peças com modelagens mais sofisticadas e estampas grandiosas, maiôs diferentes, camisas e chemises de linho, pantalonas muito bem cortadas, tudo com forte inspiração arquitetônica e pegada resort. Logo suas peças deixaram as areias e passaram a transitar livremente entre as ruas mais finas do Rio.

Gloria Coelho, 70

Foto: Mathieu Berthemy

O universo criativo de Gloria Coelho é meio mágico, habitado por monstros e dragões, influenciado pelo futurismo dos anos 60, composto por elementos aparentemente antagônicos. Mística e intelectual, Gloria é uma criadora celebrada há anos. Suas roupas são modernistas, minimalistas e interessantes. Do alto de seus mais de 47 anos de carreira, ela foi considerada pelo Fashion Foward como uma das 50 pessoas mais estilosas do mundo da moda, e encara o ofício com a mesma curiosidade de quando começou. Formada em moda no Studio Bersot, em Paris, coleciona fãs famosas, veste de senhoras da sociedade a influenciadoras digitais de moda e beleza. Seus casacos esportivos, com golas poderosas e tecidos tecnológicos, trench coats, parkas e pelerines seguem sendo objetos de desejo neste inverno. É por essas e outras que Gloria Coelho nunca sai de moda.

Adriana Bozon, 50

Foto: Nicole Heininger

“Moda é comunicação e o desfile sem dúvida é uma boa maneira de contar a história de uma coleção. Mas não é a única”, diz Adriana Bozon, diretora de branding das marcas do grupo Inbrands que conta além da Ellus com as marcas Bobstore, VR, Richards, Ellus Second Floor e Salinas. Ao longo de sua carreira, Adriana se destacou por formar e reunir profissionais criativos em campanhas expressivas, chegando a fotografar com supermodelos como Kate Moss. Fez escola também organizando para a Ellus desfiles fora do lugar comum, em locais simbólicos da cidade de São Paulo como a Estação Júlio Prestes, o Theatro Municipal ou a Praça das Artes. Formada em Administração e com pós-graduação pelo Insper, hoje, aos 50 anos, Adriana faz um trabalho de reposicionamento da Ellus, que este ano completa 50 anos, investindo em estratégias digitais que potencializaram a venda online.

Ricardo Almeida, 67

Foto: Divulgação

Em compasso com as evoluções lentas da moda masculina, que é muito mais atemporal do que a feminina, o estilista Ricardo Almeida, 67 anos, se renova nos detalhes, sem mudanças bruscas. Ícone da alfaiataria no Brasil, ele vem adotando modelagens mais triviais, seguindo a casualização do mercado de trabalho inspirada pelo jeito básico de vestir dos bilionários da era digital. Conclusão: atualmente cerca de 45% de sua coleção já não é mais voltada à moda social. Ainda assim, ele faz questão de oferecer um atendimento personalizado, como o dos antigos alfaiates, e está adotando lojas de rua, mais discretas, sem placas. Hoje a marca tem 19 lojas próprias. Também tem planos avançados de lançar uma nova marca ao lados dos filhos Ricardo e Arthur e do empresário Gabriel Pascolato, em um espaço na nova Casa Matarazzo. “Estruturei uma mentoria e estou animado em me exercitar com novas criações”, diz ele. “Moda é comportamento e a gente sente quais são os novos rumos, os novos desejos, antecipando as novas ideias”.

Música

Gilberto Gil, 80

Foto: Fernando Young

Filho de um médico e de uma professora, Gil aprendeu a tocar acordeão aos 10 anos, influenciado por Luiz Gonzaga. A carreira musical começou no grupo instrumental. Os Desafinados, que se apresentava em festas escolares. No início da década de 1960, a música era tocada ao mesmo tempo que os estudos e o trabalho. Após mudar-se para São Paulo para um emprego na Gessy Lever, passou a frequentar a Galeria Metrópole nas madrugadas, onde conheceu outros artistas, como Chico Buarque. Em 1966, deixou o emprego para dedicar-se exclusivamente à música, quando já participava do programa “O Fino da Bossa”, apresentado por Elis Regina, e dos festivais de música. O resto é história. Em 2021, foi eleito imortal da Academia Brasileira de Letras, por sua contribuição para a cultura popular brasileira, com mais de 50 álbuns lançados e quatro obras literárias assinadas. Para celebrar os 80 anos, entrou em turnê com os filhos e os netos pela Europa. Toda a excursão será filmada, por encomenda do Amazon Prime, para chegar ao streaming em 2023.

Roberto Carlos, 81

Foto: David Wolff – Patrick/Redferns

Receber o título de Rei é para poucos. Com seu calhambeque, ele nos levou para passear nas curvas da Estrada de Santos e nos cantou sobre o amor. Nascido em Cachoeiro do Itapemirim (ES), já estudava música e participava de programas de rádio desde a infância, mas foi no Rio de Janeiro que ganhou os palcos e os holofotes. Ao lado do amigo de adolescência Erasmo Carlos e ex-parceiro de The Sputniks, fez parte da Jovem Guarda, e virou febre nacional interpretando músicas inspiradas no iê-iê-iê dos Beatles. Foi alçado ao posto de cantor mais popular do Brasil, batendo todos os recordes de vendagens de discos e estampando todas as capas de revistas. A partir da década de 1970, o Rei começou a cantar o estilo mais romântico pelo qual é conhecido atualmente. Ao longo da carreira, o cantor e compositor vendeu mais de 120 milhões de cópias de discos. Desde 1974, estrela o especial de fim de ano da Rede Globo, onde canta seus maiores sucessos. Na próxima temporada de cruzeiros (2022/2023) vai retomar o projeto “Emoções em Alto Mar”, que realiza há 17 anos, após pausa por causa da pandemia de coronavírus.

Hermeto Pascoal, 85

Foto: Gabriel Quintão

Quem vê Hermeto Pascoal durante suas apresentações pode não acreditar na idade do artista multi-instrumentista. Aos 86 anos, ele esbanja energia em cima do palco, enquanto toca teclado, piano, flauta-baixa, escaleta, sanfona e uma infinidade de outros instrumentos, inclusive aqueles criados por ele a partir de objetos comuns, como chaleiras, serrotes, latas e brinquedos de plástico. Ao lado do seu grupo, o artista encontra formas de fazer música com os itens mais impensáveis. Conhecido como “O Bruxo” e “O Mago”, ele iniciou a carreira no Recife, nos anos 1950. Desde então, já lançou mais de 35 discos e participou de incontáveis gravações, chegando a ganhar fama internacional após tocar com o lendário Miles Davis. Frequentemente, o artista excursiona pelos Estados Unidos e pela Europa, onde também tem uma legião de fãs. Vencedor de dois Grammys Latinos, Pascoal é Doutor Honoris Causa pela New England Conservatory e pela Universidade Federal da Paraíba.

Rita Lee, 74

Foto: Guilherme Samora

A artista começou a tocar piano como uma permuta entre o pai, dentista, e a pianista Magdalena Tagliaferro. O progresso foi rápido e a pequena Rita mostrou que tinha talento para a coisa. Na adolescência, foi backing vocal e integrou grupos musicais. Mas foi n’Os Mutantes que alcançou o sucesso, tornando-se um dos maiores nomes do rock brasileiro. Enfrentando o conservadorismo e o machismo, mostrou o seu valor e vendeu mais de 55 milhões de cópias. Desde 2016, dedica-se à literatura, tendo lançado nove livros desde então, incluindo a sua autobiografia e histórias infantis, onde trata de temas como meio ambiente e respeito aos animais. Em maio de 2021, a artista foi diagnosticada com um tumor no pulmão e, após cerca de um ano de sessões de imunoterapia e radioterapia, se curou. Em setembro de 2021, lançou “Change”, primeira música inédita em nove anos. Uma exposição sobre a sua carreira ficou em cartaz por cinco meses em São Paulo e agora seguirá para outras cidades brasileiras.

Ivete Sangalo, 50

Foto: Divulgação

A cantora acaba de completar 50 anos e, para comemorar o marco, apresentou-se para 70 mil pessoas em Juazeiro, cidade onde nasceu na Bahia, com transmissão ao vivo pela televisão. Ivete iniciou a carreira musical aos 18 anos, cantando em barzinhos de Salvador. Em 1993, assumiu o vocal da Banda Eva e foi alçada ao posto de queridinha do Brasil. Consolidou-se como artista à frente da banda, comandando trios elétricos e frequentando programas de televisão ao longo da década de 1990, no boom do axé music. Em 1999, iniciou carreira solo. No disco de estreia, já conquistou o certificado de platina por 300 mil cópias vendidas. Ao longo de mais de 25 anos de carreira, emplacou vários sucessos, vendeu mais de 18 milhões de cópias e recebeu mais de 150 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Grammy Latino. Além do sucesso nos palcos, Ivete apresenta programas de televisão, como os realities musicais “The Masked Singer Brasil”, “The Voice Brasil” e “The Voice Kids”, da Globo.

Terceiro Setor

Helio Mattar, 75

Foto: Rogerio Assis

Um os fundadores do Instituto Ethos e idealizador do Instituto Akatu, Helio se lembra muito bem da relevância da passagem pelos 50 anos. “Foi uma enorme transição em minha vida. Saí do mundo dos negócios (o então empresário teve os restaurantes America e Arabia) e fui trabalhar pelo coletivo. É um momento que você começa a se perguntar qual será seu legado. E o que interessa mesmo é o que a gente faz pelos outros.” Descendente de sírios e libaneses, o jovem Helio gostava de fotografia e de piano (hoje, adora Schumann) – só não seguiu nestas áreas por entender que poderia ter dificuldades financeiras. “Me formei engenheiro, mas tenho um lado artístico e humanista muito forte.” A vida lhe ensinou que “não dá para lutar por produtividade e eficiência a qualquer custo” e “não existe empresa saudável em um mundo doente.” Em 2001, com o Akatu, trouxe a expressão consumo consciente à tona. A ideia é comunicar para sensibilizar; e educar para mobilizar. “Sustentabilidade é se preocupar com o outro. A mudança de comportamento tem que existir na hora da compra, do uso e do descarte.” Além de curtir os quatro netos, nas horas de folga adora escapar com a mulher para Tiradentes (MG), onde tem uma casa secular no centro histórico.

Sueli Carneiro, 71

Foto: Iara Venanzi

Para encarar o racismo e o sexismo contra mulheres, nasceu no dia 30 de abril de 1988 o Geledés Instituto da Mulher Negra, que também tem atuação importante diante outros males que afetam nossa sociedade, como a lesbofobia e a homofobia, além de preconceitos relacionados à origem dos brasileiros, crenças religiosas e classe social. Coordenadora de Difusão e Gestão da Memória Institucional do Geledés, vice-presidente do Fundo Brasil de Direitos Humanos e ativista do Movimento Feminista e do Movimento Negro do Brasil, Sueli é filósofa e doutora em Educação pela USP. Em 1988, ela integrou o Conselho Nacional da Condição Feminina em Brasília após denúncias de cantores de rap que eram vítimas frequentes de ações policiais. Com a prioridade focada em questões raciais e de gênero, o instituto trabalha nas esferas dos direitos humanos, da educação, da saúde, da comunicação, do mercado de trabalho, da pesquisa acadêmica e das políticas públicas.

Virgilio Viana, 61

Foto: Michael Dantas

“Em nenhum momento ao longo da vida deixei de ter longas e frequentes interações com a natureza. Isso me dá força para seguir lutando pelos ideais de defender a floresta e os povos, que são os seus guardiões”, diz o superintendente-geral da FAS (Fundação Amazônia Sustentável), que tem como objetivos principais a redução do desmatamento e da degradação ambiental e a erradicação da pobreza extrema. PhD por Harvard e pós-doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade da Flórida, Virgilio aprendeu na infância, no sítio dos pais, em Lagoa Santa (MG), duas coisas essenciais até hoje. “Me deliciar na natureza, fazendo cabanas no alto da árvore, e respeitar o saber dos caboclos.” Era a semente para a presidência da Sociedade Brasileira de Etnobiologia e Etnoecologia. Como secretário de Estado do Amazonas (2003 a 2008), reduziu o desmatamento em 70%, ampliando as Unidades de Conservação de 7 para 19 milhões de hectares. “Nos finais de semana, costumo ir para o mato, vou para meu sítio no rio Negro, uma viagem de barco lindíssima, um prazer enorme.”

Joel Scala, 67

Foto: Gabriel Higute/Observatório do Terceiro Setor

Há dez anos, ele sonhou o Observatório do Terceiro Setor, instituto que defende a construção de um Brasil mais igualitário. A plataforma de Joel Scala costura parcerias entre entidades não governamentais, organizações privadas e a esfera pública para viabilizar projetos de intervenção na realidade de populações vulneráveis e do meio ambiente. Com uma carreira de mais de 40 anos no jornalismo, vem buscando dar voz a agentes que atuam no campo social, invisibilizados na grande mídia. Nos mais de 20 anos dedicados ao terceiro setor, ajudou a estruturar a cobertura da área. O projeto de Scala é um dos principais canais independentes na divulgação do trabalho de ONGs no Brasil. Suas mídias alcançam mais de 1,7 milhão de pessoas. A serviço das causas sociais, o jornalista já ajudou a celebrar ações como a selada entre o Ministério Público do Estado de São Paulo e a ReUrbi, instituição que recolhe e transforma lixo eletrônico em computadores vendidos a preços acessíveis para comunidades.

Raí, 57

Foto: Stéphane Mantey

Ídolo do torcedor são-paulino graças aos nove títulos oficiais (entre eles o bi da Libertadores, 1992 e 93; e o Mundial de 92) e aos 128 gols em 395 jogos, Raí fez o grande gol da vida – e virou ídolo de toda a sociedade – em 10 de dezembro de 1998, dia em que criou a Fundação Gol de Letra ao lado de outro tetracampeão na seleção, Leonardo. A fundação é focada em educação para crianças e jovens socialmente vulneráveis. Ela atua na Vila Albertina (SP) e no Caju (RJ) com práticas educacionais e de assistência social para o desenvolvimento da comunidade. “A ideia nasceu da necessidade de usar o poder de mobilização e a comunicação do esporte em prol das causas em que acredito. Da vontade de criar um projeto para participar do movimento para um Brasil mais justo, com oportunidade e educação integral de qualidade para todos e o empoderamento das comunidades. A fundação dá sentido à minha vida; dá vazão ao que tenho de melhor.”

Setor privado

José Carlos Semenzato, 54

Foto: Érico Hiller

Aos 13 anos, ele era uma “máquina de vender coxinhas” feitas pela mãe. Ainda menor de idade, trabalhou em uma empresa de informática e aprendeu a programar computadores. Aos 18, já dava aula de computação. Aos 23 anos, fundou a escola de informática Microlins, o embrião de seu império. Três anos depois, em 1994, teve seu maior susto empresarial, por obra do Plano Real. “Da noite para o dia, a receita de 20 mil alunos não pagava os gastos”, lembra. No limiar da bancarrota, recebeu o conselho que mudou sua vida: aderir ao modelo de franquias. “Eu nem sabia o que era isso, mas converti 16 escolas próprias em franquias. Nunca mais parei de crescer.” Em 2010, com 500 mil alunos, vendeu a Microlins para Carlos Wizard. “Chorei de soluçar por 7 minutos”, confessa. Outro conselho, este vindo do filho Bruno (hoje CEO do grupo), fez com que Semenzato parasse de investir em empresas embrionárias para se concentrar em negócios validados no modelo de franquias, com cheques maiores em troca de equity. Também deu certo. “Este ano devemos ter R$ 6 bilhões de sell-out em 4 mil franquias”, contabiliza. “Depois dos 50, a energia para arriscar e errar é menor. Por outro lado, no meu retrovisor eu vejo todas as experiências que eu tive, todos os planos econômicos do passado, e consigo antever o que pode vir pela frente. Sou presidente do conselho da SMZTO, participo de todas as decisões importantes do grupo. É onde minha experiência será cada vez mais útil.” Planos para o futuro: “Dos 60 aos 90, quero desacelerar, atuar de forma mais seletiva, sendo conselheiro, buscando oportunidades, gerando renda”.

Alexandre Costa, 51

Foto: Divulgação

Alexandre costuma ser considerado o Willy Wonka brasileiro, dono de um império feito de chocolate. Já na infância, no bairro paulistano da Casa Verde, percebeu a importância de uma boa estratégia de vendas – sua mãe vendia chocolates por catálogo. Aos 17 anos, encarou uma encomenda de 2 mil ovos de Páscoa, produzidos em três dias com dinheiro emprestado de um tio – e isso depois de ser deixado na mão pelo principal fornecedor na hora H. Animou-se com o sucesso da operação de guerra e concluiu que podia ir mais longe. Foi à Bélgica para se aperfeiçoar no assunto. Na volta, abriu a primeira loja – em Piracicaba, a 160 quilômetros da capital. Em pouco tempo, já eram 18 franquias com o nome Cacau Show. Em 2010, bateu a marca de mil lojas pelo país, ganhando o título de maior rede de lojas de chocolates finos do mundo (hoje são mais de 2 mil lojas, cinco fábricas e uma fazenda). Alexandre incorporou a marca Brigaderia e criou a holding Cacau Par. “A beleza de continuar empreendendo aos 50 anos é que você encontra um incrível equilíbrio entre disposição e energia. Eu me sinto muito saudável e potente, com a maturidade que apenas 30 anos de trabalho e 50 de vida podem te proporcionar, um blend perfeito que potencializa demais os resultados.”

Eduardo Bartolomeo, 58

Foto: Divulgação

Engenheiro metalúrgico com MBAs nos EUA e na Bélgica, Eduardo despontou nos anos 90, como diretor de operações da Ambev. Desde 2019 é presidente da Vale – onde começou a trabalhar em 2004 e onde hoje prioriza a atenção às pessoas, à segurança e à reparação dos danos de Brumadinho. O acidente ocorreu pouco antes de sua ascensão ao cargo, e o rastro de destruição varreu também a imagem da companhia e seu valor de mercado, que desabou R$ 70 bilhões em um dia. Nestes três anos, ele tem trabalhado na recuperação dessas perdas – e para isso conta com os benefícios da maturidade. “Parece lugar-comum, mas a maturidade dos 50 nos permite aumentar o autoconhecimento, conter a ansiedade e evitar conflitos desnecessários. Aprendi a ter mais serenidade para não tomar decisões precipitadas e antecipar questões futuras”, diz ele. “Quando voltei ao Brasil depois de estudar na Bélgica, não tinha certeza do que viria pela frente na minha vida profissional. Fiquei quatro meses desempregado. Foram momentos de muita angústia e ansiedade. Hoje vejo que eram aflições desnecessárias. O tempo ensina. Aprendi a rir de mim mesmo, a ter mais empatia e uma visão mais humana do mundo.

Marcos Molina, 52

Foto: Divulgação

Marcos Antonio Molina dos Santos nasceu em Mogi-Guaçu (SP), onde a família mantinha um pequeno açougue. Foi lá que ele começou sua trajetória, aos 12 anos de idade. Aos 16, montou um negócio de distribuição de miúdos na região. Antes dos 30, já era um importante fornecedor para restaurantes de Campinas e São Paulo – e achou que era hora de ter seus próprios frigoríficos. Hoje tem 21 unidades produtivas, dez centros de distribuição no Brasil e no exterior e 30 mil colaboradores. Seus produtos estão em mais de 100 países, gerando uma receita líquida de R$ 85,4 bilhões (2021). Casado com sua namorada de adolescência (Márcia, com quem divide os negócios) e pai de dois filhos, Molina comenta a virada dos 50: “Do ponto de vista pessoal, a maturidade traz a realização de ver minha família unida e feliz e meus filhos encaminhados ou se encaminhando na carreira que escolheram. Profissionalmente, fico satisfeito em ver a Marfrig, criada por mim e por minha esposa, consolidada como uma companhia global, uma empresa que gera mais de 140 mil empregos e que tem a missão de produzir alimentos com sustentabilidade, respeitando o meio ambiente e as comunidades nas quais atua, gerando valor para seus investidores.”

Abilio Diniz, 85

Foto: Leticia Moreira

No momento em que este texto era redigido, Abilio dos Santos Diniz aparecia como a 1.199ª pessoa mais rica do mundo na The World’s Real Time Billionaires List da Forbes, com patrimônio estimado em US$ 2,5 bilhões. Presidente do conselho de administração da Península Participações e membro dos conselhos do Grupo Carrefour e do Carrefour Brasil, o fundador do supermercado Pão de Açúcar (ao lado do pai, em 1959) não dá sinais de cansaço, apesar de ter começado a trabalhar aos 12 anos. Abilio certamente perdeu a conta de quantos sustos levou em sua carreira como empresário. Um deles, possivelmente o maior de todos, foi em março de 1990, com o Plano Collor, que levou o negócio da família à beira da falência. Foi preciso cortar na carne para sobreviver, reduzindo a então gigante do varejo a um terço de seu tamanho. Esportista desde a infância para se livrar do bullying dos colegas, mantém a forma aos 85 anos. Virou até apresentador de televisão: em maio, estreou no comando do programa de entrevistas “Olhares Brasileiros”, da CNN.

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