A importância da prevenção de acidentes no ESG: como tornar uma empresa mais segura e eficiente

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Os simulados são parte importante da política de prevenção de acidentes

Cerca de 5.000 mortes são provocadas todos os anos no mundo em decorrência de acidentes no ambiente de trabalho, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho). Esses dados demonstram como a prevenção é importante e a seriedade com a qual o assunto deve ser debatido, para minimizar os riscos de emergências nas empresas dos mais diversos segmentos.

No entanto, já existem inúmeras ações para combater essa realidade, vistas como aliadas fundamentais das organizações. A prevenção de acidentes em ambientes de trabalho é regulamentada por uma série de normativas que levam em consideração os potenciais riscos que determinado ambiente laboral pode gerar.

Uma dessas ações é a manutenção preventiva de máquinas e equipamentos, capaz de evitar vazamentos de produtos, explosões, incêndios ou mistura de substâncias. Existem, também, alguns documentos técnicos e planos de ação que precisam ser elaborados para prevenir acidentes.

GERENCIAMENTO DE RISCOS OCUPACIONAIS

A elaboração do GRO (Gerenciamento de Riscos Operacionais) é o primeiro passo a se tomar no processo da prevenção de acidentes. O documento levanta e relaciona todos os potenciais riscos ocupacionais que uma determinada empresa pode gerar durante suas mais variadas operações.

Ele utiliza como base para sua gestão a ferramenta PDCA, sigla em inglês para a sequência de ações Plan-Do-Check-Act (planejar-executar-verificar-agir, em português). Levando isso em conta, o GRO deve contemplar três esferas em seu processo de elaboração: identificação, avaliação e controle dos riscos. Cada uma dessas esferas vai desembocar na elaboração de planos estratégicos para a prevenção de acidentes.

ESTUDO DE ANÁLISE DE RISCOS

O EAR (Estudo de Análise de Riscos) é necessário para todas as empresas que possuam atividades perigosas, capazes de causar danos ao meio ambiente como um todo e colocar em risco a saúde e a segurança de seus colaboradores e da população no geral.

O estudo analisa as instalações, os processos industriais existentes, os possíveis riscos e qual o tamanho da área atingida em caso de emergência, além de identificar as comunidades do entorno que poderiam ser afetadas. No EAR também estão presentes as estimativas de frequências e de efeitos físicos, avaliação de vulnerabilidade e a probabilidade de ocorrência do risco.

A iniciativa permite, ainda, o desenvolvimento do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e o Plano de Ação em Emergência (PAE).

PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RISCOS

O PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) tem como base um conjunto de normas, procedimentos e instruções técnicas relacionadas às atividades executadas na empresa. Seu objetivo é reconhecer e avaliar os riscos ambientais e planejar ações prioritárias para eliminar ou reduzir estes riscos. O programa também estabelece protocolos para a mitigação de eventuais impactos secundários decorrentes de um incidente.

Para elaboração do PGR é preciso levar em consideração quaisquer incidentes que possam colocar em risco a integridade física dos colaboradores, da comunidade do entorno da organização e das funções ambientais. Fazem parte de sua estrutura:

• Informação de segurança do processo;
• Revisão dos riscos do processo;
• Gerenciamento de modificações;
• Manutenção e garantia da integridade dos sistemas críticos;
• Procedimentos operacionais;
• Capacitação de recursos humanos;
• Investigação de incidentes;
• Plano de emergência;
• Diretrizes do Programa de Comunicação de Riscos;
• Auditorias; e
• Divulgação e manutenção do PGR.

A partir da elaboração do PGR, outros planos devem ser feitos para prever protocolos de ações para mitigação e controle de riscos.

PLANO DE AÇÃO EM EMERGÊNCIA

Diferentemente do GRO e do PGR, que são documentos elaborados para entender os riscos e prevenir incidentes, o PAE (Plano de Ação em Emergência) é elaborado como um protocolo de medidas a serem executadas no transcorrer de uma determinada ocorrência.

O documento fornece diretrizes, estratégias, informações e dados para definir ações específicas de resposta para cada tipo de emergência que possa vir a ocorrer. No plano também são detalhadas todas as atividades da companhia, os produtos que são manuseados, as instalações e o fluxograma de acionamento em caso de acidentes. Fazem parte de sua estrutura básica:

• Descrição das instalações envolvidas;
• Cenários acidentais considerados;
• Área de abrangência e limitações do plano;
• Estrutura organizacional;
• Fluxograma de acionamento;
• Ações de resposta às situações emergenciais; e
• Divulgação, implantação, integração com outras instituições e manutenção do plano.

Para cada risco detectado pelo GRO e avaliado pelo PGR, deve existir um PAE. Em uma empresa que trabalha com diversos tipos de componentes químicos tóxicos, por exemplo, deve-se elaborar um PAE para cada tipo possível de incidente envolvendo cada tipo específico de componente químico. Isso porque os componentes são distintos e seu manuseio em meio a uma crise também exige ações diferenciadas.

PLANO DE EMERGÊNCIA INDIVIDUAL

O Plano de Emergência Individual (PEI) é balizado pela Resolução N° 398 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), de 11 de junho de 2008, que dispõe sobre as ações a serem executadas por uma determinada empresa em meio a um incidente de poluição de óleos e derivados em corpos de água no território brasileiro.

O PEI é um documento técnico e prático que deve conter uma gama variada de informações relativas às operações da empresa e quais classes de resíduos são manejados em suas operações, assim como quais medidas de controle devem ser tomadas frente a um incidente de derramamento ou vazamento de óleo.

No PEI também devem constar informações relevantes sobre as regiões circunvizinhas, suas atividades econômicas e sociais e quais áreas devem receber maior visibilidade no processo da prevenção de acidentes ambientais de acordo com sua riqueza ecossistêmica. Em síntese, o PEI tem a seguinte estrutura:

• Identificação da instalação;
• Cenários acidentais;
• Informações e procedimentos para resposta;
• Sistemas de alerta de derramamento de óleo;
• Comunicação do incidente;
• Estrutura organizacional de resposta;
• Equipamentos e materiais de resposta;
• Procedimentos operacionais de resposta;
• Encerramento das operações; e
• Mapas, cartas náuticas, plantas, desenhos e fotografias.

PLANO DE CONTROLE DE EMERGÊNCIAS

O Plano de Controle de Emergências (PCE) é um documento elaborado em continuidade ao GRO e ao PGR e tem como função estabelecer os procedimentos e métodos a serem tomados frente a uma situação de emergência em um complexo portuário. Este documento, que segue a Norma Regulamentadora NR-29, deve contemplar tanto emergências embarcadas como emergências em terra.

Nele devem estar descritas as ações a serem executadas como resposta a um incidente que possa vir a repercutir dentro e fora das instalações portuárias. O plano precisa delimitar, com clareza, as funções, seus responsáveis, os materiais a serem empregados e também os protocolos de prevenção e de resposta a situações de crise. O PCE deve ser elaborado levando em consideração a totalidade de riscos apresentados pelo GRO e avaliados pelo PGR.

PLANEJAMENTO DE SIMULADOS

As etapas mais importantes no processo de prevenção são os processos de treinamento dos colaboradores e das equipes técnicas responsáveis pelas respostas às emergências e pelos simulados de acidentes.

De nada vale a confecção do GRO, PGR e dos diversos outros planos de ação se os colaboradores não tiverem compreensão das quais ações devem ser tomadas frente a determinados acidentes. Dessa forma, deve ser dada muita atenção aos processos de treinamento e preparação.

Os simulados de emergência são exercícios que encenam, da maneira mais realística possível, uma situação de acidente. Eles devem ser cuidadosamente planejados e executados e devem contar com a participação da maior quantidade de colaboradores possível. É por meio desse tipo de ferramenta didática que os responsáveis pelas ações de resposta podem compreender a importância de seu trabalho e se preparar para atuar com confiança e seriedade em um momento de real emergência.

A IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO DE ACIDENTES

O Brasil evoluiu muito no quesito segurança do trabalho, mas ainda registra anualmente números alarmantes de registros de acidentes. Estima-se que cerca de 2.700 mortes diretamente relacionadas a acidentes e incidentes no ambiente laboral ocorrem todos os anos. Esse número pode ser muito maior se considerarmos mortes que estão relacionadas a fatores cumulativos como, por exemplo, intoxicações crônicas.

Levantamentos feitos pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), da USP (Universidade de São Paulo), apontam ainda que, anualmente, o Brasil gasta cerca de R$ 100 bilhões com custos relativos a acidentes no ambiente de trabalho e suas consequências, como afastamentos, despesas médicas e aposentadorias precoces.

Ao associarmos esses custos aos valores irreparáveis que representam a perda de uma vida e o dano corporativo que os acidentes causam, fica claro que seguir toda a legislação existente sobre o assunto e investir na prevenção de acidentes é o melhor caminho a ser tomado pelas empresas, qualquer que seja a sua área de atuação.

QUEM PRECISA DE PREOCUPAR?

Emergências e acidentes no contexto laboral sempre acabam gerando efeitos negativos para a imagem de uma empresa perante a sociedade, pois é de sua responsabilidade prezar pela segurança em suas instalações, assim como se encarregar de que seus colaboradores recebam todos os treinamentos e todas as orientações necessários para evitar incidentes.

Um ambiente de trabalho seguro é um ambiente de trabalho eficiente. Diversos estudos acadêmicos comprovam que os colaboradores são mais produtivos quando se sentem seguros e protegidos. Ou seja, investir em segurança do trabalho e prevenção de acidentes não serve somente para evitar custos médicos e afins, mas também ajuda a otimizar o ambiente laboral, maximizar a eficiência das operações e a produtividade dos colaboradores.

Tendo isso em conta, este tipo de investimento torna-se um importante aliado para as empresas. Além disso, o atual mercado investidor preza por ativos de organizações que possuam compromisso atestado com as questões ambientais, sociais e de transparência corporativa.

Para isso utilizam-se de indicadores atrelados ao denominado sistema ESG (Environmental, Social and Governance em inglês) ou, traduzindo para o português, meio ambiente, social e governança corporativa, em que são verificados uma série de aspectos e fatores relacionados aos respectivos temas das organizações. Os níveis de segurança do trabalho, por exemplo, estão diretamente relacionados aos indicadores sociais de ESG. A manutenção de políticas eficazes de prevenção de acidentes por parte de uma companhia transmite ao mercado que aquela é uma entidade confiável e sólida, facilitando assim o processo de atração de investimentos.

A Ambipar, líder em gestão ambiental, oferece serviços atrelados a todos os pilares do ESG e, no esteio socioambiental, por meio de seu corpo técnico especializado, auxilia na elaboração de estudos e planos de prevenção de acidentes nos diferentes modais de transporte, plantas industriais, barragens e terminais portuários, dentre outros inúmeros segmentos empresariais. Além disso, colabora para o cumprimento das metas de redução e prevenção de acidentes, contribuindo com o sistema ESG das organizações.

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