JP Morgan promete US$ 30 bilhões para luta por igualdade racial

Getty Images/Reprodução/Forbes
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Segundo Jamie Dimon, CEO do JP Morgan Chase & Co., “o racismo sistêmico é uma parte trágica da história dos Estados Unidos”

O JP Morgan Chase & Co, o maior banco dos Estados Unidos em ativos, anunciou hoje (8) uma promessa de US$ 30 bilhões para os próximos cinco anos para ajudar a solucionar a lacuna de diversidade racial agravada pela crise da Covid-19. Em meio a movimentos antirracistas nos últimos meses, a ação é uma forma de instituições financeiras atuarem para corrigir o passado de desigualdade racial que ajudaram a criar. Como parte da promessa, que inclui gastos existentes, o banco comprometeu US$ 8 bilhões para originar dezenas de milhares de hipotecas para famílias pretas e latinas.

Os US$ 30 bilhões serão divididos em cinco anos e também financiarão 100 mil unidades habitacionais populares para as comunidades carentes. O credor também tem como objetivo fornecer milhares de empréstimos a pequenas empresas geridas por negros, latinos e minorias, enquanto investe em bancos de propriedade de grupos de minorias, cooperativas de crédito e instituições financeiras de desenvolvimento comunitário.

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O anúncio de hoje se baseia nos compromissos existentes do banco e nas promessas financeiras feitas nos últimos meses, incluindo a orientação de milhares de estudantes negros na próxima década, tornando a casa própria mais acessível e apoiando os esforços na luta pelos direitos civis.

“O racismo sistêmico é uma parte trágica da história dos Estados Unidos. Podemos fazer mais e melhor para quebrar os sistemas que propagaram o preconceito e a desigualdade econômica generalizada, especialmente para negros e latinos. Já passou da hora de a sociedade abordar as desigualdades raciais de uma forma mais tangível e significativa”, disse o CEO Jamie Dimon em um comunicado.

Excluindo os bancos, até junho deste ano, empresas norte-americanas se comprometeram com o valor de US$ 1,7 bilhão para enfrentar a injustiça racial, estima a Reuters.

O ressurgimento de protestos antirracistas após uma onda de negros mortos por policias norte-americanos renovou o foco de instituições que historicamente reforçaram a desigualdade racial. Após a morte de George Floyd, grandes corporações dos Estados Unidos rapidamente expressaram seu apoio ao movimento “Black Lives Matter” (“Vida Negras Importam”, na tradução para o português). No entanto, em vez de discursos vazios, as empresas foram confrontadas com apelos internos e externos para se comprometerem com mudanças mais profundas e significativas.

Os bancos estiveram na linha de frente dessa mudança e foram identificados como tendo desempenhado um papel importante na promoção de uma lacuna de diversidade racial por meio de negócios discriminatórios e práticas de empréstimos hipotecários que persistem até hoje. Em 2017, o JP Morgan pagou US$ 55 milhões para encerrar um processo do Departamento de Justiça em que era acusado de discriminação contra clientes negros e latinos. Já em 2018, pagou US$ 24 milhões para ex-funcionários negros devido à discriminação no espaço de trabalho. Além disso, em janeiro deste ano, o banco privado foi abalado por diversos clientes e funcionários negros acusando-o de práticas discriminatórias.

Outras grandes instituições financeiras dos Estados Unidos fizeram suas próprias promessas de lidar com a diversidade no local de trabalho ou como retaliação ao passado com o comércio de escravos. No entanto, a promessa de empréstimo do JP Morgan poderia ter um impacto muito maior para as comunidades financeiramente marginalizadas. O “Wall Street Journal” observa que os US$ 30 bilhões em cinco anos é apenas uma fração da carteira de hipotecas de US$ 190 bilhões do banco.

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