9 CFOs de grandes empresas dão dicas para quem quer ter sucesso na área financeira

Carreira é considerada uma das mais promissoras no pós-pandemia.

Maria Laura Saraiva
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Marina Szocs [foto] é diretora de financial planning and analysis da P&G

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Considerado o terceiro cargo mais importante na hierarquia de uma empresa – atrás apenas do CEO e do COO -, o CFO (chief financial officer), ou diretor financeiro, é o responsável pelas principais decisões contábeis da organização. A Russell Reynolds, empresa especializada na seleção de executivos, refere-se a esses profissionais como “copilotos”. Já um levantamento feito pela consultoria Robert Half mostrou que a profissão é uma das mais promissoras para 2021 no cenário pós-pandemia. 

No rol das ocupações mais comuns dos CFOs estão o gerenciamento dos departamentos financeiros e do patrimônio da empresa, o acompanhamento de metas, a administração fiscal e orçamentária e a coordenação das atividades da tesouraria. As atividades também podem se expandir para outros setores, como mostrou outra pesquisa da Robert Half. Segundo ela, 80% dos diretores financeiros atuam também em parceria com os departamentos de recursos humanos e tecnologia da informação. Além disso, segundo a consultoria EY, quase metade dos CFOs das maiores corporações do mundo também ocupam assentos em conselhos administrativos de outras organizações. 

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Por se tratar de um cargo de caráter misto, que envolve desde a análise aprofundada de fatores econômicos até a elaboração de estratégias administrativas, o leque de graduações para quem almeja atuar na área é grande. De acordo com o Certifiquei, plataforma especializada em certificações do mercado financeiro, as formações mais procuradas pelos CFOs são em ciências contábeis, administração de empresas e economia. Para completar, o mercado oferece uma série de MBAs e pós-graduações para aqueles que querem se aprofundar em determinados segmentos. 

A Forbes conversou com nove CFOs de grandes empresas, dos mais variados setores, para entender quais são, na opinião deles, os passos mais importantes para quem deseja seguir carreira na área. Veja, na galeria de fotos a seguir, o que eles disseram:

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  • 1. Cedric Thubert, diretor financeiro da Air France-KLM para América do Sul

    “As finanças não são apenas números, são pessoas. Quando você é um diretor financeiro, precisa ser capaz de inspirar e liderar pessoas e influenciar a mudança. Comunicação e inovação são fundamentais para o sucesso nessa jornada. Nessa posição, você não olha para um elemento específico da empresa apenas, precisa ter uma visão holística do negócio. Por isso, para seguir nessa carreira é preciso ser capaz de demonstrar aptidão para isso, ter uma visão do todo. Para fazer isso, você deve conhecer perfeitamente não só os processos financeiros da sua empresa, mas também todos os processos que levam ao resultado financeiro. Como costumo dizer, o que quer que tenha acontecido na empresa, chega uma hora que acaba na minha mesa porque tudo tem impacto financeiro. Integridade, confiança e comercialidade são importantes. Como diretor financeiro, você deverá equilibrar as decisões entre a visão global da sua empresa, as oportunidades e o bem-estar financeiro.”

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  • 2. Marcelo Marquês, CFO da Mobly

    “Já foi o tempo em que o CFO de uma empresa era aquela pessoa que ficava olhando o balanço e dizendo números em uma reunião mensal para acionistas. O CFO de hoje é alguém que não apenas entende e explica a empresa toda através de números, como é a ‘maria-fumaça’ das transformações. O CFO de hoje é a pessoa que entende os primeiros sinais que algo vai bem ou vai mal e alerta a companhia. E, principalmente, é a pessoa que fala – através dos números e indicadores – para o mercado externo. Dito isso, se eu fosse elencar três pontos importantíssimos para ser um CFO de sucesso, o primeiro deles seria: familiarize-se e goste de números e lógica. Mais do que ir bem na escola, entender a matemática por trás dos números, as lógicas de causa e efeito e o modelo de análise numérica são fundamentais para o bom CFO. Buscar carreiras que puxem seu conhecimento analítico sempre ajudam (engenharias, matemática, administração etc.). Em segundo lugar, eu aconselharia a viver o mundo financeiro na prática – nenhum curso, nem mesmo os melhores MBAs do exterior, vão ensinar e “calejar” como viver na prática. Arranje estágios, trabalhe como voluntário financeiro em ONGs, ajude de graça. Mas, desde cedo, veja na prática como funciona o departamento financeiro de uma empresa e quais são as demandas. E, por último, minha dica é criar uma disciplina de ler os relatórios das empresas de capital aberto, ver as apresentações de resultados, acompanhar os balanços e as notícias de economia. Isso vai dar traquejo e exemplos do que e como deve ser feito.”

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  • 3. Ni Jen Chung, CFO do grupo TPV (Philips e AOC)

    “Atuar como CFO tem seu início desenhado por uma boa formação acadêmica nas áreas de administração, ciências contábeis ou ciências econômicas, geralmente como as mais recomendadas. No entanto, profissionais com graduação em engenharia e matemática também são bem-vindos, uma vez que podem agregar sua vivência e experiência às dinâmicas em finanças, raciocínio lógico, foco em metas e objetivos de carreira, além da busca de uma visão de longo prazo. E o desempenho de atividades em auditoria ou consultoria financeira também ajudam a consolidar estes conhecimentos, trazendo excelentes oportunidades para expandir seus aprendizados em diversos ambientes de negócio.

    É Importante destacar a contínua atualização das competências com especializações, pós-graduações e MBAs. Igualmente como ocorre em outros segmentos do mercado, mais do que os conteúdos específicos e atuação profissional na área escolhida, é fundamental ao CFO o conhecimento de um segundo ou terceiro idiomas, fator de extrema relevância, combinado à convivência em cenários de negócios internacionais. A vivência contínua em assuntos relacionados a finanças é essencial para o entendimento e absorção da dinâmica. Tudo isso, em conjunto com os negócios da esfera em que atua, somado aos dos stakeholders, para que assim seja adequadamente correspondido. Manter a resiliência, o pragmatismo e reunir fundamentos técnicos abrangentes em múltiplas frentes complementam a qualidade de atuação. Entre eles, estão contabilidade societária, internacional e gerencial, controles internos, mercado financeiro, economia, finanças corporativas, jurídico, tributário, tecnologia, gestão de riscos (financeiros), além do mercado em que atua, com o propósito de maximizar continuamente o retorno aos acionistas.”

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  • 4. John Suzuki, diretor de planejamento e controle da Ipiranga

    “Minha dica para aqueles que buscam a carreira de CFO ou estão iniciando na área é que persigam oportunidades que proporcionem experiências ricas e diversas, que vão além do desenvolvimento de competências financeiras. Ampliem seus conhecimentos para gestão de pessoas, tecnologia, ESG, estratégias empresariais e modelos de gestão, entre outros. No mundo atual, que evolui mais rápido do que nunca, é fundamental que o executivo financeiro tenha essa amplitude para alavancar mais valor para empresa.”

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  • 5. Ednalva Vasconcelos, vice-presidente de finanças da SAS para América Latina

    “Acredito que não exista uma única fórmula para o sucesso. Cada um constrói a sua carreira com os recursos que tem à sua disposição. Entrei no mercado de trabalho sem faculdade de primeira linha, idiomas ou qualquer outra formação complementar. Mas levava comigo a resiliência, que aprendi com os meus pais, e a curiosidade e ousadia da juventude. Por isso, frente aos desafios de um mercado cada vez mais competitivo, recomendo se manter firme em suas convicções e seguir trabalhando nos seus objetivos. Lembrando que ser resiliente não é o mesmo que baixar a cabeça. Então busque saber mais sobre tudo o que lhe interesse e arrisque. Esse é o momento de experimentar, de errar e aprender.”

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  • 6. Alécia Bernardinelli, diretora operacional da Ajinomoto Brasil

    “No desenvolvimento da carreira profissional, foco e dedicação são o principal, mas existe um ponto que me ajudou muito. No início da minha vida profissional, estabeleci – numa folha de papel – onde eu estava e aonde eu queria chegar, e tracei os objetivos a serem alcançados e o tempo necessário para isso. Revisitei essa folha muitas vezes para alinhar algo ou relembrar o caminho. Minha dica é, a partir daí, começar o trajeto, sempre com muita perseverança, responsabilidade e ética. Saiba que você não vai fazer apenas aquilo de que gosta, muitas vezes as atividades não são aquelas que você queria, mas dê o seu máximo para aprendê-las, pois no futuro esse conhecimento vai ajudá-lo nas decisões. Busque aprender com profissionais competentes e que o inspiram, compartilhe o seu conhecimento na busca do desenvolvimento das pessoas e, muito mais do que isso, seja humilde para aprender com elas. Os fracassos vão existir, mas são eles que vão levá-lo ainda mais longe, então utilize-os como trampolim para vencer e ir em busca de mais acertos. Afinal de contas, só erra quem faz. Trabalhe sempre buscando ser a inspiração de alguém e esteja sempre à disposição para ajudar e para aprender. Procure sempre compartilhar as decisões com os pares e, sempre que julgar necessário, busque opinião externa. Acho que essa é a receita do sucesso.”

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  • 7. Marina Szocs, diretora de financial planning and analysis da P&G

    “Minha principal dica para quem quiser ingressar na carreira de finanças é procurar por oportunidades de aprendizado e desenvolvimento que deem uma visão de diversos setores da empresa, como na P&G, onde temos uma cultura de job rotation que nos permite obter um entendimento mais abrangente de como a companhia opera em diversas frentes. Isso faz de nós profissionais mais completos. Um antigo CFO da P&G dizia que “o melhor financeiro é aquele que é o primeiro a mais conhecer sobre finanças e o segundo a mais conhecer sobre todas as outras áreas”. E eu concordo plenamente, pois como uma função de suporte ao negócio, o conhecimento extenso sobre todas as áreas da empresa nos permite ter um trabalho de maior valor agregado e usar nosso conhecimento analítico para mudar os rumos do negócio.”

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  • 8. Rafael Bossolani, CFO da Hering

    “O mercado e as empresas estão mudando cada vez mais e mais rápido. A evolução do papel do CFO se faz necessária para acompanhar essas mudanças. Neste sentido, é preciso que o profissional de finanças se prepare para uma alteração no mindset, sempre desafiando as crenças antigas de como a área financeira opera, construindo novas visões de futuro, se reequipando de novas competências e funções e, ao mesmo tempo, exercendo nosso papel primordial de parceiros do negócio.”

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  • 9. João Paulo Bittencourt, CFO da Sephora Brasil

    “Uma formação generalista e forte resiliência são extremamente importantes para a carreira. Além disso, é preciso ter uma visão estratégica e holística da companhia, focando no negócio e agindo como um parceiro e facilitador. Como características pessoais importantes, curiosidade, abertura e equilíbrio emocional são fundamentais, fora o espírito de equipe e liderança que se constrói através de uma comunicação clara e objetiva permeada por relações de confiança.”

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1. Cedric Thubert, diretor financeiro da Air France-KLM para América do Sul

“As finanças não são apenas números, são pessoas. Quando você é um diretor financeiro, precisa ser capaz de inspirar e liderar pessoas e influenciar a mudança. Comunicação e inovação são fundamentais para o sucesso nessa jornada. Nessa posição, você não olha para um elemento específico da empresa apenas, precisa ter uma visão holística do negócio. Por isso, para seguir nessa carreira é preciso ser capaz de demonstrar aptidão para isso, ter uma visão do todo. Para fazer isso, você deve conhecer perfeitamente não só os processos financeiros da sua empresa, mas também todos os processos que levam ao resultado financeiro. Como costumo dizer, o que quer que tenha acontecido na empresa, chega uma hora que acaba na minha mesa porque tudo tem impacto financeiro. Integridade, confiança e comercialidade são importantes. Como diretor financeiro, você deverá equilibrar as decisões entre a visão global da sua empresa, as oportunidades e o bem-estar financeiro.”


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