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Saúde mental x carreira: o que a saída de Naomi Osaka de Roland Garros pode nos ensinar

A tenista, vencedora de quatros títulos de Grand Slam, decidiu deixar o campeonato após episódios de depressão

6 min

Reprodução/Forbes
Reprodução/ForbesNaomi Osaka [foto] já venceu torneios de Grand Slam quatro vezes
Naomi Osaka é uma espécie de estrela do rock do tênis. Ela já venceu torneios de Grand Slam quatro vezes e é uma das atletas femininas mais bem pagas do mundo. Tudo isso com apenas 23 anos.

A estrela postou nas redes sociais recentemente que não daria entrevistas coletivas durante o torneio de Roland Garros devido a problemas de saúde mental. E no dia 1 de junho ela desistiu do prestigioso campeonato.

LEIA MAIS: Quer ter saúde mental? Trabalhe a seu favor

Mesmo que  você não seja um fã de esportes, com certeza você já viu uma dessas coletivas de imprensa pós-jogo. Geralmente, elas são todas iguais. Um atleta cansado e esgotado é atacado com uma enxurrada de perguntas sobre seu desempenho na partida por jornalistas que nunca estiveram na sua pele. 

Se a pessoa teve um desempenho ruim, você pode sentir o desconforto aumentando, assim como a raiva e a frustração com o esporte. É compreensível que os fãs queiram saber informações sobre os pensamentos de seus jogadores favoritos sobre o que aconteceu durante o jogo, embora, às vezes, essas entrevistas pareçam um circo de contestações. Você se pergunta se algumas das perguntas são feitas para provocar um momento de “pegadinha”, incitando os jogadores a dizerem algo controverso ou impróprio e ir parar nas manchetes.

Naomi postou sua declaração no Twitter, escrevendo que estava desistindo do torneio para que “todos possam voltar a se concentrar no tênis que está acontecendo em Paris”. No esforço de autocuidado, a atleta disse que “tiraria um tempo de descanso”. A tenista compartilhou ainda que havia “sofrido longos períodos de depressão” desde que ganhou seu primeiro título de Grand Slam em 2018. A decisão foi baseada na sua saúde mental, já que essas coletivas de imprensa induzem a uma grande quantidade de estresse e ansiedade, especialmente quando ela diz que se sente desconfortável em falar em público.

O torneio de Roland Garros é um negócio lucrativo e não ficou nada satisfeito com a decisão da atleta de não falar com a imprensa, multando-a em US$ 15 mil. Dando um exemplo de falta de empatia, os organizadores do evento escreveram:

“Avisamos Naomi Osaka que se ela continuar a ignorar suas obrigações com a mídia durante o torneio, ela estará se expondo a possíveis consequências de violação do Código de Conduta. Como seria de se esperar, as violações repetidas atraem sanções mais duras, incluindo inadimplência do torneio (Código de Conduta, artigo III T.) e o desencadeamento de uma investigação de ofensa importante que pode levar a multas mais substanciais e futuras suspensões do Grand Slam (Código de Conduta, artigo IV A.3.). ”

O presidente da Federação Francesa de Tênis, Gilles Moretton, posteriormente declarou: “Em primeiro lugar, sentimos muito e estamos tristes por Naomi Osaka. As consequências da saída de Naomi de Roland Garros são lamentáveis. Desejamos a ela a melhor e mais rápida recuperação possível, e estamos ansiosos para tê-la em nosso torneio no próximo ano.” Moretton acrescentou: “Como todos os Grand Slams, WTA, ATP e ITF, continuamos muito comprometidos com o bem-estar de todos os atletas e com a melhoria contínua de todos os aspectos da experiência dos jogadores em nosso torneio, inclusive com a mídia, como sempre nos esforçamos para fazer”.

Um dos benefícios da pandemia foi que falar sobre problemas de saúde mental tornou-se subitamente aceitável. O estresse e a ansiedade ​​associados a crise sanitária, assim como os sentimentos de isolamento e esgotamento, tornaram-se grandes demais para serem ignorados por mais tempo.

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Em nossa sociedade, evitamos amplamente o tópico da saúde mental. Se uma pessoa fica doente, ela vai ao médico – sem fazer perguntas. Mas quando um trabalhador se sente esgotado, sofre de depressão, sente-se solitário, isolado ou tem uma sensação avassaladora de insegurança e pavor, ele guarda isso para si, temendo o que as pessoas vão pensar ou dizer.

As corporações perceberam isso. Os bancos de Wall Street, Goldman Sachs e Citigroup, tomaram medidas para ajudar seus funcionários a lidar com a tensão das longas horas de trabalho e a pressão durante uma pandemia. David Solomon, CEO do Goldman Sachs, voltou atrás em sua exigência de que banqueiros, corretores e negociantes retornassem imediatamente ao ritmo do escritório após conduzir uma pesquisa com cerca de 40 mil colaboradores. Solomon também fez ajustes nas agendas de trabalho após um grupo desabafar sobre suas frustrações por ter de trabalhar 100 horas semanais.

A CEO do Citigroup, Jane Fraser, informou a seus 210 mil funcionários que está proibindo chamadas de vídeo internas às sextas-feiras. A mudança faz parte de um programa para estabelecer limites e ajudar sua equipe a ter um equilíbrio maior entre vida profissional e pessoal. Jane também pediu um novo feriado para a empresa, chamado “Citi Reset Day”. Ele é considerado um dia de aliviar tensões, já que a pandemia afetou a psique de quase todos os trabalhadores.

A executiva disse: “A linha tênue que separa nossa casa e o trabalho afetaram nosso bem-estar. Simplesmente não é sustentável. Uma vez que o retorno a qualquer tipo de novo normal ainda está a alguns meses de distância para muitos de nós, precisamos redefinir algumas de nossas práticas profissionais.” 

Se você estiver enfrentando desafios, veja, na galeria de fotos abaixo, estão algumas sugestões para agir:


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