Entenda o que é cultura maker e por que líderes precisam dela

Fazer, testar, corrigir rapidamente. Essa é a ideia por trás da cultura maker e um dos assuntos do curso Leading the Future, parceria da Forbes com SingularityU.

Martina Colafemina
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Ricardo Cavallini, expert em inovação, será um dos professores no curso Leading the Future

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Na cultura maker, a colaboração e as soluções encontradas por meio da experimentação são as principais habilidades. Essa é a ideia que será apresentada por Ricardo Cavallini durante o curso Leading the Future, parceria entre a Forbes e a SingularityU, que começa no dia 7 de março (inscrições aqui). “Na velocidade com que as empresas precisam inovar, não dá para relegar a tarefa a uma só pessoa ou só um departamento: você vai precisar de colaboração”, diz Cavallini, um dos professores do curso, fundador da consultoria Maker, autor de seis livros e criador da primeira agência digital do Brasil, a Vizio, além de professor da SingularityU e embaixador do MIT Sloan Management Review. Em entrevista à Forbes, ele explica como pensam os makers, a importância de incentivar a experimentação na educação e como a tecnologia revolucionou os modelos de produção em escala.

Forbes: O que é cultura maker? Por que os líderes devem estar por dentro desta cultura?

Ricardo Cavallini: Basicamente, estamos falando de uma comunidade que tem usado as novas tecnologias para criar novas soluções. Por que isso é relevante para liderança? Por exemplo, colaboração é uma coisa muito forte na cultura maker e que para as empresas hoje é fundamental. Também tem outras questões como prototipagem, que tem muito a ver com entregar rápido, fazer MVPs (Minimum Viable Product) e tudo mais. A diversidade e a multidisciplinaridade são muito presentes na cultura maker e cada vez mais relevante nas empresas, não só pela questão social, mas também pela questão de inovação. Ter pessoas com  histórico de vida diferente, com visões de mundo diferentes, é fundamental para inovar. 

F: O que é mais importante na transição para a inovação tecnológica?

RC: As coisas estão mudando muito rápido. E não dá mais para a empresa ficar cinco anos trabalhando em um produto novo. Até porque, depois de cinco anos, muito provavelmente esse produto nem faz mais sentido. A mudança não é só de tecnologia, mas também de comportamento do consumidor. Então, fazer um  MVP, o mínimo produto viável para testar, para  a partir daí você criar as novas adaptações e melhorar para lançar o produto final. Prototipar para errar rápido, ou seja, testar e avaliar.

F: Como aplicar essa cultura no dia a dia, na equipe?

RC: Faço sempre um paralelo com a internet. Há muitos anos, quando a internet ainda era uma coisa de nicho. o Brasil chamava quem estava na internet de internauta, porque era um  bicho diferente. Hoje não faz o menor sentido ser chamado assim. A história do maker é a mesma coisa. A partir do momento que mais pessoas se tornam makers, essa nomenclatura não vai fazer sentido. E hoje o que deve se aplicar no dia a dia das empresas para fazer essa mudança de pensamento para uma mentalidade exponencial é trabalhar em quatro pilares: vontade, capacidade, caminhos e processos. A empresa precisa dar ferramentas para que as pessoas possam mudar a cultura, para que possam inovar. Até a questão da vontade que parece uma coisa muito inerente a um protagonismo próprio, não  é só isso..

F: É importante cultivar essa cultura na educação?

RC: Esse movimento já está sendo feito. Aqui no Brasil, inclusive, você tem iniciativas de compra de impressora 3D para escolas públicas. Óbvio que ele começa antes nas escolas privadas. Começou com as escolas bilíngues, porque elas já vinham com isso lá das escolas norte-americanas. É um movimento que não está na velocidade que eu gostaria. Mas, entre os profissionais que estão entrando nas empresas agora, muitos estudaram programação na escola. Então, nas próximas gerações, a gente vai ter uma quantidade de profissionais que entendem de impressão 3D, eletrônica, programação…

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F: Como a Internet das Coisas e tecnologias como a impressão 3D influenciarão o futuro dos negócios?

RC: Quando a gente fala de internet das coisas, as pessoas precisam entender que isso vai ser tão forte ou mais forte que a própria internet. A gente tem que pensar que tudo o que hoje é considerado inteligente vai ser burro no futuro. Não no sentido pejorativo, mas no sentido de que é mediano e que pode ser melhorado. Em relação à impressão 3D, eu acho que é um capítulo à parte. A impressão 3D permite criar formatos que não são possíveis nos métodos tradicionais. Há produtos que ficaram 95% mais leves. Isso vai destravar a inovação no mundo. Mais do que isso, vai destravar também a necessidade de escala, porque hoje, nos métodos tradicionais de produção, para que você tenha um preço razoável, você precisa produzir uma quantidade brutal de unidades.

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