Tá vendo a minha tela? Conheça os baby zoomers, a nova geração de profissionais

A geração que foi contratada durante a pandemia está prestes a compreender o que é a vida no escritório.

Eli Amdur
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Os “baby zoomers” são a geração contratada durante a pandemia e que não está habituada às rotinas e à vida no escritório

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Você se lembra do primeiro dia de trabalho no escritório em sua carreira? Você usava sua melhor roupa e caprichou no corte de cabelo. Apesar de ter dormido pouco na noite anterior por estar ansioso,  acordou cedo, entrou no metrô, e – cheio de energia – apareceu em seu primeiro emprego, de olhos brilhantes.

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Este cenário soa familiar, não importa se você é millennial, gen-Z, baby boomer. Era assim que as coisas funcionavam. 

Milhões de jovens profissionais que iniciaram suas carreiras nos últimos dois anos nunca foram ao local de trabalho ou encontraram qualquer um de seus colegas. Outros tantos não foram ao escritório vezes suficientes para saber como é “ir trabalhar” como  algo que faz parte da rotina. 

O primeiro dia de trabalho de suas vidas aconteceu em casa, via Zoom. Apesar do desejo dos empregadores de trazer a força de trabalho de volta ao ambiente corporativo, ainda vai demorar um pouco para que isso aconteça. 

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Então, como é a realidade para esses novatos em relação a trabalho, emprego e carreira? Como eles veem as relações de trabalho? Como é compartilhar espaço físico? Como estão suas habilidades de comunicação não-verbal: contato visual, expressões faciais, linguagem corporal? Eles sabem que essas coisas são importantes? Eles se importam?

Para este velho boomer – cujo trabalho há 25 anos é saber o que está acontecendo no mercado de trabalho –  esse é um momento da história em que nomeamos uma nova geração: “baby zoomers”. Até agora, a realidade chegou até eles por meio do Zoom. 

Zoom é a nova caverna de Platão

Isso traz à mente a Alegoria da Caverna, da República de Platão que, dependendo de quando você foi para a escola, pode ter sido leitura obrigatória para os calouros. 

Escrito como um diálogo entre o irmão de Platão, Glauco, e seu mentor Sócrates, o livro conta a história de captores mantendo prisioneiros em uma caverna, acorrentados para que possam ver apenas o interior dela, onde sua única luz é um fogo atrás deles lançando sombras na parede. Logo, eles se acostumam um ambiente irreal, acreditando que as sombras são imagens reais, e que a única luz do mundo vem daquele fogo bruxuleante atrás deles.

Então, supõe Sócrates, se um cativo fosse solto e se virasse para ver imagens reais, ele poderia não reconhecê-las e ficaria cego pela exposição à chama. O homem que foi compelido a olhar para o fogo tentaria voltar seu olhar para as sombras que ele percebia como reais. E se ele for trazido para a luz do sol, não ficaria angustiado e incapaz de ver “as coisas que agora dizem ser verdade” porque ele estava cego pela luz? Depois de algum tempo ao ar livre, no entanto, o prisioneiro libertado se reajustaria, até que pudesse enxergar a realidade.

Volta ao presencial

Você vê o paralelo? A parede da caverna e as telas de Zoom são a mesma coisa: uma representação bidimensional de um mundo tridimensional, iluminado artificialmente, que impossibilita a interação genuína. Vestir uma roupa de manhã, entrar no metrô e pisar no escritório pela primeira vez na vida equivale a olhar para a chama e ver o mundo real.

Ok, vamos pagar ao Zoom o que é devido. Essa tecnologia nos salvou (com certeza me salvou) e eu não posso imaginar trabalhar sem ele. Outras plataformas também fizeram o trabalho, mas vamos chamar os usuários de “baby zoomers” porque é muito mais bacana do que as outras possibilidades.

Mas a questão – readaptação, reintegração etc. – permanece. E a responsabilidade de retornar às velhas normas ou formar novas  pertence a todos: executivos, gerentes e supervisores. equipe de RH, líderes corporativos e educadores. E, claro, aos “baby zoomers”, a quem damos as boas-vindas no escritório.

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