O tão necessário protagonismo feminino

Flávio Rocha
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Flávio Rocha: “Dar espaço às mulheres no mundo corporativo é obrigatório”

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A pauta de equidade de gênero não é uma novidade no século 21 e os resultados da maior presença feminina no ambiente corporativo já são notórios.

Apesar de o Brasil ainda enfrentar problemas, como a disparidade nos salários e na ocupação de cargos, a perspectiva é que essas diferenças diminuam. Grandes empresas trabalham cada vez mais para concretizar essa expectativa.

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O protagonismo feminino é de extrema importância para mulheres – e para homens também. Quando debatemos questões relacionadas a gênero, abordamos também as dinâmicas sociais e culturais. Tive o privilégio de iniciar esse debate em 2004 com uma mulher admirável: Luiza Trajano, com quem tive a honra de fundar o IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo). Com ela, entendi a diversidade como parte estrutural da questão – a ótica que faltava.

A padronização – o oposto da diversidade – empobrece as decisões. A somatória de vivências e pontos de vista precisa estar refletida nas empresas. Dar espaço às mulheres no mundo corporativo é obrigatório. Identificar potenciais mulheres líderes, e ajudá-las a ganhar espaço, é um passo fundamental para qualquer grande corporação.

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No Grupo Guararapes, esse avanço segue em ritmo acelerado. Entendemos que mulheres contribuem de forma mais ampla para tomada de decisões. Essa perspectiva feminina tem sido importante, sobretudo em assuntos relacionados à escolha de sucessores, à identificação de talentos e às transições de comando.

Dados do McKinsey Study mostram que empresas com mulheres na liderança têm maior resultado operacional (48%), maior alta no faturamento (70%) e menos casos de falência (20%). No grupo Riachuelo, 63% dos cargos de comando estão nas mãos de mulheres. Não é apenas uma escolha baseada no gênero, mas sim na capacidade que essas mulheres têm de gerenciar crises, propor mudanças e gerir recursos. Não foi à toa que o grupo mereceu o selo “Woman on Board”, que reconhece a presença de mulheres em cargos estratégicos, de liderança, nos conselhos de administração ou consultivos.

Uma delas é Cidinha Fonseca, a papisa dos recursos humanos, pessoa inspiradora que presenciou as transformações no mercado de trabalho nas suas dimensões econômica, social e cultural. Detentora de um currículo ímpar, Cidinha está sempre à frente do seu tempo. Propôs intervenções no Grupo Guararapes e endossou a aceleração do nosso processo de governança, num momento em que essa questão ainda não era central para muitos empreendedores.

Por fim, se até poucas décadas atrás o estereótipo do homem líder corporativo era predominante, devo salientar que esse mundo mudou e não tememos seguir essa transformação. Vamos avançando, dando espaço e abraço, pois, além dos conflitos entre os papéis corporativos e os relacionamentos interpessoais, há pessoas e corações. Nem tudo será perfeito. As mulheres ainda vão encontrar por aí empecilhos de todas as formas. E é exatamente por isso que, mais do que nunca, devemos continuar lutando. Da nossa parte, continuaremos sempre ao lado delas.

Flávio Rocha é presidente do conselho de administração do Grupo Guararapes.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

Coluna publicada na edição 94, de fevereiro de 2022

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