Gates compartilha dados com os 200 anos do progresso

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Gates faz parte de um grupo de pensadores, autores, estatísticos e historiadores que tentam explicar o motivo pelo qual o melhor momento para estar vivo é hoje.

Bill Gates é um entusiasta do progresso da humanidade e está sempre tentando comunicar sua história de uma maneira didática. Recentemente, o bilionário compartilhou um infográfico que fala sobre isso de uma forma bem simples, clara e visual.

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Gates faz parte de um grupo de pensadores, autores, estatísticos e historiadores que tentam explicar o motivo pelo qual o melhor momento para estar vivo é hoje. Por mais que os dados e os argumentos sejam fortes, existe uma série de barreiras que dificultam a difusão das notícias.

Uma dessas barreiras é o que o economista ganhador do Prêmio Nobel Daniel Kahneman chama de “viés de disponibilidade”, que se resume à distorção de perspectivas causadas por tudo aquilo que vemos e lemos no dia a dia. E como o “ruim” é sempre mais lembrado que o “bom”, prestamos mais atenção nas ameaças do que nas coisas positivas, ou seja, as notícias “pesadas” passam por nossos filtros mentais com mais facilidade. De acordo com algumas pesquisas, a maioria das pessoas não sabe quanto progresso foi feito nos últimos 20, 50, 100 e 200 anos, simplesmente devido ao fato de que elas não se deparam com ele todos os dias.

O economista da Universidade de Oxford Max Roser dirige o “Our World in Data”, um site dedicado a captar a história do progresso humano. Atualmente, a plataforma tem mais de 2.300 gráficos interativos que medem quase todos os aspectos do bem-estar humano. Roser criou um infográfico que Bill Gates recentemente compartilhou em seu perfil no Twitter e sobre o qual falou à “CNBC”. “Este é um dos meus infográficos favoritos”, disse ele. “Muitas pessoas subestimam o quanto a vida melhorou nos últimos dois séculos.”

O gráfico de Roser é surpreendente e capta o progresso da humanidade em um contexto que a maioria de nós identifica com facilidade – usando pessoas e não porcentagens. O economista acredita que a chave para a comunicação de dados é lembrar que “cada ponto de dados é uma vida humana”.

Seus infográficos não usam porcentagens abstratas como “a pobreza extrema diminuiu em mais de 90% nos últimos 200 anos”. Nem se baseia em números tão grandes, difíceis de dar uma noção geral. Pelo contrário. Roser coloca as pessoas na planilha, mostrando o progresso por meio de uma comunidade de 100 seres humanos que viveram na Terra nos últimos 200 anos.

A extrema pobreza em 1820, por exemplo, representava a realidade de 94 em cada 100 pessoas no mundo. Hoje, o número de pessoas que vivem nessas condições é de 10 em cada 100. A alfabetização é outro exemplo. Há 200 anos, apenas 12 de cada 100 pessoas sabiam ler. Hoje, 85 a cada 100 pessoas são alfabetizadas.

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Uma grande melhoria também pode ser vista na educação básica, nas taxas de vacinação e na mortalidade infantil.

Uma olhada mais atenta na pesquisa original na qual o infográfico foi baseado, com cerca de 4.000 palavras, mostra que o infográfico exige apenas um olhar para revelar sua essência em menos de um minuto, de forma simples e clara. A maioria das pessoas é classificada como aprendiz visual, o que faz com que fotos, gráficos e animações sejam muito mais poderosos do que um texto isolado.

A visão é o sentido mais poderoso do ser humano. Na evolução da nossa espécie, começamos a nos comunicar com imagens nas paredes das cavernas muito antes de começarmos a formar palavras e linguagem. Hoje, ainda achamos difícil internalizar conceitos abstratos em forma de texto. Uma visualização simples gera maior entendimento.

Este infográfico funciona porque conta as histórias de vidas humanas reais por trás dos dados. É uma tarefa difícil – e Bill Gates sabe disso, por isso compartilhou o recurso. É uma história que traz esperança e inspira as pessoas a continuarem progredindo para o bem do planeta.

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