Piada no exílio

É bem esquisita essa geração descolada (?) que leva Jean Wyllys a sério.

Guilherme Fiuza
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No aniversário de um ano da prisão de Lula, o embaixador do BBB na Europa, Jean Wyllys, enviou ao ex-presidente uma “carta desde o exílio”. O folclórico personagem, que continua mandando ao Brasil notícias épicas desde o seu teatro de autoperseguição, é uma usina de piadas prontas e infelizmente desperdiçadas. O humorismo brasileiro está dominado por uma geração que, diante desses hilariantes revolucionários do PSOL, fica séria e bate continência.

É bem esquisita essa geração descolada (?) que leva Jean Wyllys a sério. Compraram um kit libertário para burguês mimado e saem por aí exaltando hipócritas e suas fantasias desde o exílio imaginário. O kit deveria conter o alerta ao consumidor: liberdade e hipocrisia não podem ocupar o mesmo lugar no espaço e no tempo, não se misturam como água e óleo, e todas as leis da física que forem necessárias para explicar essa aberração moral. Ou seria uma aberração estética?

Como o fabricante não incluiu o alerta no kit, os libertários de butique ficam em posição de sentido (só falta a farda) quando uma vítima profissional chama um ladrão julgado e condenado de preso político.

O tom solene entre o arremedo de Che Guevara e o sindicalista 171 que roubou um país inteiro – tudo envernizado com uma indescritível retórica de grêmio estudantil – renderia centenas de piadas no “Pasquim”, no “Planeta Diário”, na “TV Pirata”. A nova geração se acha herdeira desses clássicos do humor nacional – mas nenhum deles jamais bajularia políticos do PSOL e revolucionários de auditório. Como é careta, essa geração.

O jeito é ir todo mundo pro cercadinho do rock (?) brincar de revolução – pagando caro por aquele engajamento histriônico contra qualquer poder que não seja o do Lula, da Dilma, do Maduro, enfim, desses heróis imaculados que jamais ouviram um pio desde os festivais conscientes. Deve ser bom negócio, senão lendas vivas como Roger Waters não estariam vendendo seu corpinho nesse ramo.

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Notícia fresca desde o Congresso Nacional: a principal agenda da República – a reforma vital para tirar o país do buraco – é barrada no grito por barraqueiros profissionais como Gleisi Hoffmann, Maria do Rosário, Zeca Dirceu e outros representantes da quadrilha que depenou a nação. Silêncio nos festivais, continência nos humorísticos, respeito cerimonioso da resistência democrática nas redes sociais. A sabotagem é sagrada.

Traduzindo a cartinha desde o exílio: hipocrisia fantasiada de liberdade se chama covardia.

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