Lee Iacocca, pai do Mustang e da minivan, morre aos 94 anos

Reprodução/Forbes
Morre hoje (3) aos 94 anos o gigante da indústria automobilística Lee Iaccoca

Resumo:

 

  • Morreu hoje aos 94 anos Lee Iacocca, que dirigiu a Ford e a Chrysler e foi pai do Mustang e da Minivan;
  • Iacocca foi o último gigante dos CEOs da indústria automobilística dos EUA, reconhecido como o líder por duas décadas até ser forçado a sair da Chrysler;
  • O empresário se tornou conhecido por conta de gastos generosos, socialização com celebridades e por ser um operador político muito assertivo na busca dos próprios interesses.

Lee Iacocca, que dirigiu tanto a Ford quanto a Chrysler em diferentes momentos de sua carreira e foi o pai do Mustang e da minivan, morreu hoje (3). O empresário tinha 94 anos e faleceu por conta de complicações da doença de Parkinson.

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Iacocca foi o último gigante dos CEOs da indústria automobilística dos EUA, reconhecido como o líder do segmento por duas décadas até ser forçado a sair da Chrysler. Ele foi tão bem-sucedido como vendedor e até mesmo como CEO, que chegou a aparecer em diversos anúncios de TV e impressos da Chrysler durante seus anos de liderança. As pessoas confiavam em Iacocca, mesmo que ele vendesse carros.

De fato, ele era tão admirado e tinha um reconhecimento tão grande que gerou comentários sobre uma possível candidatura à presidência em 1988, quando os democratas pareciam não ter um bom candidato e levaram o governador de Massachusetts, Michael Dukakis, a assumir o cargo de vice-presidente de George Bush. Iacocca foi chefe de um comitê que restaurou a Estátua da Liberdade e a Ellis Island e sua celebridade o colocou em capas de revistas como a Time, Newsweek, Forbes e Fortune.

Sua marca era enorme, tão grande quanto a de Steve Jobs nos anos 2000 antes de sua morte e a de Jeff Bezos hoje. Ele era um líder de negócios legítimo e de sucesso, e os criadores de reis políticos acreditavam que ele tinha o que era preciso para governar o país.

Iacocca, filho de vendedores de cachorro-quente que cresceu em Allentown, Pensilvânia, sentia-se extremamente orgulhoso de sua ascensão por mérito próprio e sua educação adquirida na universidade Lehigh University, na Pennsylvania. No entanto, depois de ingressar na Ford, ele conseguiu uma bolsa de estudos em Princeton e fez um mestrado.

O Mustang foi seu maior sucesso na Ford Motor Company, contudo ele também recebe crédito pelo Pinto. Além disso, foi na Ford que ele aprovou um projeto de minivan o qual daria sinal verde à Chrysler para enorme sucesso e lucro. Durante anos, ele apoiou a posição da indústria em relação aos padrões de economia de combustível, cintos de segurança e airbags. Seu histórico era misto, embora sua celebridade fosse enorme.

Ele também era um operador político muito assertivo na busca dos próprios interesses, com um enorme ego. A mídia corria para Iacocca como mariposas para uma chama, já que era sempre sincero e fazia citações inspiracionais. Tornou-se presidente da Ford Motor Co. aos 46 anos em 1970, embora tenha sido demitido em 1978 por Henry Ford II, que passou a desprezar o ego de Iacocca, o qual parecia ter esquecido que quem controlava a empresa era a família Ford, não ele.

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De fato, o empresário se tornou conhecido por conta de gastos generosos e socialização com celebridades numa época em que a crise do gás estava desacelerando as vendas de automóveis e obrigando as pessoas a comprar carros pequenos, mais baratos e menos lucrativos.

Iacocca passou de uma queda drástica na Ford para uma ascensão espetacular na Chrysler, que se localizava a apenas 17 quilômetros de distância, em Highland Park, Michigan, antes de transferir a empresa para uma sede moderna em Auburn Hills. A Chrysler estava afundando e se aproximando da falência. Iacocca convenceu o Congresso e o presidente Carter a permitir que a companhia tivesse uma garantia de empréstimo federal muito controversa de US $ 1,5 bilhão. Parece uma pequena mudança agora, mas foi um grande negócio no passado.

Iacocca, foi tão eficaz na persuasão do Congresso Americano a conceder o empréstimo, que seus publicitários o incentivaram a se dirigir à mídia com uma das campanhas mais famosas da história corporativa, que dizia ao telespectador: “Se você puder encontrar um carro melhor, compre.”

O empréstimo, apoiado pelos contribuintes, foi pago de volta sete anos antecipadamente, quando a economia se recuperou e as pessoas voltaram a comprar carros novos como Chryslers, Dodges e Plymouths. A perda de US$ 1,7 bilhão da empresa em 1980 se tornou um lucro de US$ 2,4 bilhões em 1984.

Iacocca, em 1987, fez um dos negócios mais inteligentes da história corporativa, comprando a American Motors em 1987 com o propósito específico de alcançar a marca Jeep. Sob a liderança de Iacocca e de um gerente de produtos experiente, chamado Bob Lutz, a Chrysler transformou a Jeep em uma cash-cow perene com famílias suburbanas pegando veículos utilitários Cherokee e mais tarde um Grand Cherokee, bem como o Wrangler clássico que inspirou o Jeep Willys desenvolvido para a Segunda Guerra Mundial.

Ainda hoje, a empresa que é descendente da Chrysler, a Fiat Chrysler, comercializa os carros da Jeep em todo o mundo e, segundo analistas, a marca vale mais do que a companhia como um todo.

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Ele notoriamente só recebeu uma compensação de US$ 1 por ano quando começou na Chrysler. Mas em 1987, ele estava ganhando US$ 18 milhões por ano, o que era generoso para a época.

Contudo, Iacocca não levou a sério a onda de carros japoneses da Toyota e da Honda em particular, que estava rapidamente redefinindo a qualidade dos automóveis. Uma empresa relativamente nova em cena, J.D. Power and Associates, viria para classificar a marca de automóveis todos os anos em termos de qualidade, e foi assim que os japoneses dominaram a lista. Em vez de adotar novos processos de última geração e modernizar a manufatura, Iacocca gastou tempo e dinheiro em investimentos de derivativos na Gulfstream e formou uma aliança com a Maserati. Eventualmente, ele iria dirigir um investimento na montadora japonesa Mitsubishi, no entanto, essa foi uma escolha ruim e o negócio era difícil de administrar ao longo do tempo.

Ele começou a afastar seus designers e engenheiros de produto fazendo alterações arbitrárias em veículos que haviam sido meticulosamente planejados. No início dos anos 90, as equipes de produtos trabalharam arduamente para encontrar um sedã da Chrysler Fifth Avenue que eles acreditavam que poderia competir com os japoneses. Iacocca não gostou do que viu, e ordenou que janelas de ópera (janelas laterais pequenas, discretas e fixas) muito antiquadas fossem acrescentadas ao pilar C do carro, juntamente a estofados adornados com botões. A pesquisa não importa, “Eu sei o que quero e o que as pessoas querem”, como era escutado de Iacocca.

Ele foi expulso da empresa em 1992, dando lugar ao executivo da GM Europe, Robert Eaton, que era despretensioso e não possuía o talento de Iacocca. O gigante ítalo-americano faria uma tentativa de retornar à Chrysler alguns anos depois, em 1995, buscando tomar a companhia com o bilionário Kirk Kerkorian. Mas o esforço foi inútil, e Iacocca passou a ser praticamente uma pessoa indesejável na Chrysler depois disso.

Ele morou em Bel Air, Califórnia e trabalhou em poucas empresas após seus dias de automóvel, investindo em bicicletas elétricas e azeite de oliva. Além disso, se interessou pelo negócio do vinho e dirigiu alguns fundos para pesquisa de diabetes, doença que tirou a vida de sua primeira esposa.

Sua última visita à Chrysler foi em 2008, apenas alguns meses antes de a companhia e a GM terem pedido falência. Ele foi recebido por mais de mil funcionários que o aplaudiram de pé.

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