Tudo que aconteceu na Copa do Mundo de “Fortnite”

Reprodução/Espat Midia
Torneio que aconteceu em Nova York premiou três campeões com US$ 3 milhões

Resumo:

  • A primeira Copa do Mundo de “Fortnite”, eSport de estratégia, foi disputada no último fim de semana, em Nova York;
  • O vencedor do modo solo foi Kyle “Bugha” Giersdorf, e a disputa de duplas foi vencida por Bergquist “Nyhrox” e Thomas “Aqua”;
  • Disputada desde abril, a Copa do Mundo de “Fortnite” distribuiu US$ 40 milhões ao todo, recorde de premiação em um torneio de eSports;
  • Os seis brasileiros que disputaram o competitivo ganharam US$ 50 mil cada um.

Entre os dias 26 e 28 de julho, a Copa do Mundo de Fortnite distribui US$ 30 milhões em premiações apenas nas finais do evento, disputadas em Nova York. Na sexta (26), foram jogados o Modo Criativo (com oito equipes de quatro jogadores), o Pro-Am, evento beneficente com cem celebridades e jogadores profissionais para arrecadar US$ 3 milhões, e as finais solo e em dupla.

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O grandes campeões têm apenas 16 anos e levaram US$ 3 milhões para casa cada um. No modo solo, o campeão foi o norte-americano Kyle “Bugha” Giersdorf. Nas disputas em dupla, o título ficou com o norueguês Bergquist “Nyhrox” Pedersen e o austríaco Thomas “Aqua” Arnould.

A Epic Games fez um ótimo trabalho com a Copa do Mundo depois de alguns problemas nos eSports no passado. Veja, a seguir, alguns destaques da competição de Fortnite:

“Bugha” o destruidor

Obviamente, a maior história do campeonato é a história do campeão. Kyle Giersdorf tem apenas 16 anos. Não que isso tenha sido incomum entre os cem primeiros colocados do solo. A lista está cheia de competidores adolescentes, incluindo outros como “King”, que com apenas 13 anos alcançou o quinto lugar.

No entanto, “Bugha” tem uma história diferente. O jovem se classificou na primeira semana do Mundial de “Fortnite”, que começou em 13 de abril. Na final, ele derrotou a maioria dos jogadores, ficando com uma pontuação (59) de quase o dobro do segundo colocado (33), seu conterrâneo “Psalm”; algo que vale a pena ressaltar.

“Bugha” tem um jogo agressivo, e conseguiu o maior número de mortes no torneio. Ele tem algumas jogadas loucas, como o momento em que ele estava com pouca vida e sem materiais. Mesmo assim, conseguiu duas mortes rápidas no círculo final. O campeão não mostrou nenhum medo, eliminando diversos oponentes, mesmo com alguns contratempos, como a eliminação quase instantânea no jogo 2.

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Ele é agora US$ 3 milhões mais rico, com apenas 16 anos, e foi incrível ver seu total domínio ontem. Espere grandes coisas deste garoto no futuro.

Jogabilidade geral

Essa foi uma das melhores competições de “Fortnite”. Estratégias e lutas emocionantes tomaram conta, diferentemente de eventos anteriores.

Era comum ver os jogadores escondidos, se esgueirando pelas estruturas por cerca de dez minutos. Alguns ficavam parados em torres e só se mexiam em último caso. Assim, parte das conclusões das partidas eram graças às tempestades (momento do jogo em que o mapa começa a se fechar e eliminar os jogadores que estão fora da zona delimitada) ou em batalhas individuais.

Apesar de alguns competidores ainda fazerem isso, houve mudanças nas formas de pontuação e na mecânica, recompensando os jogadores corajosos. Para quem não conhece, “Fortnite” pode ser um jogo incompreensível pela sua velocidade e combates malucos, mas a edição 2019 foi uma das melhores.

Tfue?

Mesmo que “Tfue” seja um dos melhores jogadores “Fortnite” do mundo, entre streamers e jogadores profissionais, até mesmo alguém como acabar indo mal. Aos 21 anos, ele é o único cruzamento entre os astros famosos de “Fortnite” na plataforma de streaming Twitch e pessoas que realmente se classificaram para a final solo. Mas, no final, ele não se destacou.

Clube do Bolinha

Nas finais individuais, todos os cem jogadores eram homens. Esse não é um caso específico de “Fortnite”, mas de eSports no geral. Reforçar isso é um lembrete que ainda há um longo caminho na representatividade feminina no mundo dos esportes eletrônicos.

Os 100 jogadores que disputaram o modo solo

No Twitter, é “normal” as pessoas falarem que o torneio era aberto e qualquer um poderia se qualificar, mas isso não leva em conta outras considerações radicais que fazem com que garotas não apareçam em jogos quando são mais jovens ou, se o fizerem, muitas vezes sofrem repressão e não são bem recebidas. Se a grande maioria do público é masculino, há mais chances de uma final só com homens. A solução para isso não é colocar 50 mulheres na competição, mas sim estimular o interesse delas nos jogos, eliminar a toxicidade e o sexismo da comunidade para as garotas no jogos e nos eSports.

Reforçando, isso não é uma responsabilidade única da Epic, pois é um problema em muitos e muitos esportes (não só os eletrônicos), mas foi um fator notável nesta final. As coisas estão melhorando, pelo menos em comparação com a última década. Uma das melhores histórias do fim de semana foi a de Soleil “Ewok” Wheeler, de 13 anos. Ela foi a primeira garota (também é surda) do time FaZe Clan. E, não, eu não acho que essa é uma posição terrivelmente controversa que ainda há mais trabalho a fazer.

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Brasileiros

Entre os participantes do evento de caridade, disputado em duplas, estavam o streamer Calango e o influenciador Cauê Moura; o youtuber Pai Também Joga e o cantor Detonator (Bruno Sutter); e o streamer “Sev7n” e o influenciador PC Siqueira.

No competitivo solo, o melhor classificado no ranking geral foi Henrique “Kurtz”, que ficou na 27ª colocação no torneio. Ele foi seguido por Nicolas “Nicks” (51º) e Leonardo “leleo” (57º). Nas duplas, Pedro “pfzin” e “Nicks” chegaram ao 47º lugar, com Caio “wisheydp” e Gustavo “Gustavox8” logo atrás, em 48º. Todos levaram US$ 50 mil cada, a premiação mínima de participação.

No país, a BBL, em São Paulo, e a Game XP, no Rio de Janeiro, realizaram eventos para os fãs. Com transmissões ao vivo e atrações da grande final do battle-royale.

No geral

Este foi um grande evento. A competição estava tensa, os apresentadores eram ótimos, a torcida era enérgica, os competidores eram afáveis. Foi um torneio muito divertido de assistir e participar. Parece que a Epic aprendeu muitas lições desde o ano passado, tentando fazer o “Fortnite” funcionar como eSport, e não apenas pelas grandes premiações. Todos os envolvidos fizeram um ótimo trabalho e devem ser elogiados. E um parabéns especial para “Bugha”, com sua excelente performance.

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