Rainha Elizabeth permite que premiê suspenda o Parlamento antes do Brexit

Reuters
Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, limitará o poder do Parlamento de frustrar seu plano para a separação britânica da União Europeia reduzindo o tempo em que este se reunirá entre agora e o prazo de saída de 31 de outubro, enfurecendo opositores que fizeram um apelo pela intervenção da rainha Elizabeth.

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Em sua manobra mais ousada até agora para concretizar o Brexit com ou sem um acordo, Johnson agendou para 14 de setembro o Discurso da Rainha – a abertura formal de uma nova sessão do Parlamento, que é precedida por uma suspensão da Câmara dos Comuns.

A rainha concordou com a data, na prática suspendendo o Parlamento durante cerca de um mês a partir de meados de setembro.

Furiosos, líderes opositores escreveram à rainha para expressar sua preocupação e pediram uma reunião, ameaçando arrastar a monarca de 93 anos para a crise constitucional. “Haverá tempo de sobra no Parlamento para os parlamentares debaterem a UE, debaterem o Brexite todas as outras questões, tempo de sobra”, disse Johnson aos repórteres.

Indagado se está tentando impedir os parlamentares de adiarem a ruptura com o bloco, ele respondeu: “Isso é completamente falso”.

Embora suspender o Parlamento antes do Discurso da Rainha seja a norma histórica no Reino Unido, a decisão de limitar a análise parlamentar semanas antes da decisão política mais polêmica do país em décadas provocou uma revolta imediata.

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Ela também aumentou as chances de Johnson enfrentar uma moção de desconfiança no Executivo, o que pode desencadear uma eleição.

“Não se enganem, este é um golpe muito britânico”, disse John McDonnell, segundo homem mais poderoso do opositor Partido Trabalhista. “Qualquer que seja sua opinião sobre o Brexit, uma vez que você permite que um primeiro-ministro impeça a operação completa e livre de nossas instituições democráticas, você está em um caminho muito precário.”

A libra esterlina sofreu uma grande queda, já que os investidores viram a notícia como um sinal de que um Brexit sem acordo, e a perspectiva de um abalo na economia britânica, é mais provável.

A Igreja da Inglaterra disse que uma saída caótica da UE prejudicará os pobres, o presidente do Parlamento disse que os políticos precisam ser ouvidos e um grupo de parlamentares de vários partidos pediu uma medida liminar.

Faltando 65 dias para a desfiliação, os parlamentares estão lutando para impedir o premiê de tirar o Reino Unido da UE sem um acordo de transição, o que colocaria um dos países mais estáveis da Europa em um terreno desconhecido.

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