Os benefícios de empregar um nômade digital

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Modelo pode trazer mais produtividade, afirma o empreendedor Matheus de Souza

Nômades digitais podem funcionar como agentes de inovação e trazer mais resultados para as organizações que buscam fazer mais com menos e se manter na vanguarda ao mesmo tempo.

Esta é a visão de Matheus de Souza, influenciador digital que deixou a vida na pacata cidade catarinense de Imbituba para ganhar o mundo e atender clientes brasileiros de qualquer um dos 26 países por onde passou até agora.

O empreendedor de 30 anos, que atualmente mora em São Petersburgo, na Rússia, diz que o networking nos principais hubs do mundo, típica do metier dos nômades digitais, é benéfico para empresas que querem estar próximas de tendências globais.

“As duas maiores áreas às quais a maioria dos nômades pertencem são criação, com especialistas em marketing e publicidade, e tecnologia, onde é comum ver programadores e donos de startups”, conta.

“Existe muita troca de informações e ideias interessantes nessa comunidade engajada, que pode levar a novas visões de negócio”, afirma Souza. “Se as empresas começassem a liberar seus funcionários para trabalhar de forma remota, colaboradores teriam o mundo à sua disposição para aprender novos conceitos e ideias, que podem por sua vez serem aplicadas em projetos.”

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Além da possibilidade de exposição ao que há de mais interessante no meio digital, empresas podem se beneficiar de outras formas quando o assunto é empregar nômades digitais, ou mesmo permitir que funcionários adotem este “lifestyle” por um tempo.

“Nômades digitais tendem a ser profissionais de capacitação multidisciplinar e também são altamente organizados com relação a prazos. Isso se torna ainda mais importante quando há uma diferença grande de fuso horário”, ressalta Souza.

Promover o nomadismo digital em empresas acaba sendo uma maneira de tornar funcionários mais produtivos, segundo o empreendedor, que escreveu um livro sobre o assunto e cofundou um portal para freelancers e nômades, o Befreela.

“Acabo fazendo até mais do que os clientes me pedem, justamente por não estar trancado em um escritório”, conta. “Em tempos de pejotização e fazer mais com menos, nômades acabam sendo bem atrativos para empresas.”

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Mas existem reveses no mundo do nômade digital. Um deles é ter algum tipo de rotina entre as constantes mudanças de apartamento alugados no Airbnb e a necessidade de entrar no ritmo dos moradores locais dos lugares que escolhe para morar períodos que variam de um a três meses.

“Tive experiências incríveis que só foram possíveis por ser nômade, mas são extremos”, conta. “Por outro lado, às vezes sinto falta de uma normalidade e por isso estabeleci padrões diários que incluem desde exercícios ir à feirinha do bairro, até para garantir minha produtividade.”

Outro desafio é lidar com o preconceito quanto ao estilo de vida, considerado pelos mais tradicionais como algo que só jovens privilegiados conseguem alcançar.

“Sou justamente o contraponto desta visão, uma pessoa que realmente veio do zero, do litoral de Santa Catarina e hoje consegue ser uma autoridade digital em sua área. Mas isso foi um processo que passei seis anos construindo.”

Apesar de não ter ocorrido como preparação para o estilo de vida, o processo de construção do perfil de influenciador foi a saída que Souza encontrou para encontrar oportunidades de trabalho fora do eixo Rio-São Paulo.

“Foi uma espécie de marketing pessoal no início. No caminho, conheci o nomadismo digital e vi que o fetiche que tantos têm, de trabalhar menos, ganhar mais e viajar o mundo, é possível.”

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A Uninove vai inaugurar o 9Lab, seu centro de inovação. O centro nasce como uma iniciativa para conectar o meio acadêmico com a nova economia. O centro de inovação, que inicia suas atividades no dia 22, começa seus trabalhos já com duas startups incubadas: uma healthtech e uma startup de “mindfulness”.

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O Sesc São Paulo vai reunir artistas, cientistas, criadores, mestres populares e pesquisadores negros e negras para compartilharem seus conhecimentos no campo de tecnologia e artes em bate-papos, palestras, encontros, cursos e oficinas. Temas das sessões incluirão tecnologias africanas na construção de moradias, afrogames, escrita afrofuturista e reconhecimento facial, na qual a questão de processamento de imagens e questões raciais serão discutidas. A ação Tecnologias e Artes em Rede: Tecnologias Negras acontecerá durante o mês de outubro, nas unidades de todo o Estado.

 

Angelica Mari é jornalista especializada em inovação há 18 anos, com uma década de experiência em redações no Reino Unido e Estados Unidos. Colabora em inglês e português para publicações incluindo a FORBES (Estados Unidos e Brasil), BBC, The Guardian e outros.

 

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