SpaceX, de Elon Musk, é acusada de burlar regras de envio de satélites

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Empresa aeroespacial pretende ter frota de 30 mil aparelhos em órbita

Resumo:

  • Os satélites Starlink estão atrapalhando o trabalho de astrônomos e até mesmo sinais de televisão;
  • A crítica se dá pela diferença de tempo entre o lançamento dos aparelhos (2020) e a liberação do órgão regulamentado (2023, no mínimo);
  • A SpaceX já conta com 12 mil dispositivos na órbita terrestre

A SpaceX, companhia de sistemas e operações espaciais de Elon Musk, foi acusada de burlar as regulamentações após lançar mais 30 mil satélites em órbita. Sediada na Califórnia, a empresa enviou 20 registros à União Internacional de Telecomunicações (UIT) através da Federal Communications Commission (FCC) em 7 de outubro. A UIT é responsável por permitir que os satélites se comuniquem e operem em frequências específicas enquanto orbitam a Terra.

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A SpaceX já tinha 12 mil satélites em órbita. Os aparelhos tem como objetivo cercar o globo para transmitir internet de alta qualidade. Segundo o site especializado “SpaceNews”, os satélites de 225 kg seriam instalados entre 328 km e 580 km da Terra. O objetivo da empresa é montar um raio de cobertura de 1150 km, com equipamentos de comunicação, propulsores e um painel solar

Em maio de 2019, a empresa lançou 60 satélites Starlink. Criticada, foi acusada de aumentar o lixo espacial com a ação Em setembro, um satélite da Agência Espacial Europeia (ESA) foi forçado a desviar de um da SpaceX. Astrônomos também criticaram os objetos por suas interferências na observações espaciais.

Na terça-feira (15), a operadora de satélites SES, de Luxemburgo, disse que a SpaceX está tentando evitar problemas de interferência; conhecidos como Equivalent Power-Flux Density (EPFD) ou limites de densidade de fluxo de potência equivalente, em tradução livre.

“A SpaceX está tentando fugir dos limites da EPFD para sua rede de satélites. Dividindo seu sistema em várias partes e pedindo à ITU (União Internacional de Telecomunicações) que os avalie separadamente”, diz a SES.

Satélite móveis, como os modelos Starlink, podem causar interferência em satélites fixos maiores, ocupando parte do espectro de frequências necessário para se comunicar com a Terra. Isso pode impedir a comunicação entre eles e o solo, por exemplo. Um dos efeitos negativos pode ser, entre outros, perda de sinal de TV.

Uma fonte que não quis se identificar afirma que a empresa de Elon Musk quer subverter os limites das interferências, baseado na capacidade que um satélite tem de atrapalhar transmissões de sinais. No caso da SpaceX, há vários satélites espalhados, difundindo sua interferência. Por exemplo, se um satélite pode interferir em nível 5 (numa escala fictícia de 1 a 10), e os Starlink emitem todos um 5, eles podem causar interferência cinco vezes maior do que os outros satélites em órbita.

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Outra reclamação é que os prazos de análise da ITU são posteriores à data de lançamento dos satélites. “Como a SpaceX continua agindo, o SES e outros operadores de satélites não têm garantia de que uma medida será tomada contra a SpaceX”, diz a fonte. “Supondo que a ITU leve em média de dois a quatro meses para revisar cada arquivo, considerando a análise imediata, os resultados só sairão entre 2023 e 2026”, completa.

Tim Farrar, presidente da empresa de consultoria e pesquisa por satélite TMF Associates, na Califórnia, concorda dizendo que a SpaceX tem um “motivo oculto” para solicitar colocar em órbita mais 30 mil satélites. Ele diz que a empresa de Elon Musk pode começar a operar seu sistema Starlink antes que a ITU tome uma decisão sobre os pedidos, enquanto outras empresas tiveram de esperar pela aprovação da ITU antes de iniciar os seus. “A SpaceX está avançando de forma extremamente agressiva. Acho que haverá protestos contínuos não apenas de seus rivais, mas também de preocupações mais ativas de outros operadores de satélite”, critica.

A SpaceX, por sua vez, disse por e-mail que o último arquivo pretendia “escalar responsavelmente a capacidade total da rede e a densidade de dados da Starlink para atender ao crescimento das necessidades previstas pelos usuários”. A empresa espera oferecer seu serviço Starlink a clientes nos EUA e Canadá já no próximo ano, depois de completarem 24 lançamentos.

O próximo lote de satélites Starlink deverá ser lançado ainda neste mês, com outros três previstos para antes do final do ano. Isso sugere que a SpaceX está planejando um rápido aumento de lançamentos, com mais 20 em 2020, para iniciar suas operações conforme planejado, totalizando mais de mil envios provavelmente.

“Esse é um dos principais problemas quando se trata de regular constelações”, disse Luc Riesbeck, pesquisador do Instituto de Política Espacial da Universidade George Washington. “Atualmente, existem poucos panoramas para se basear. Reguladores e operadores devem se empenhar em arquiteturas sustentáveis ​​e seguras sempre que possível. ”

A companhia aeroespacial não é a única empresa que planeja uma megafrota para fornecer serviços globais de internet de alta velocidade em qualquer lugar da Terra. Outras com o mesmo objetivo incluem OneWeb e Amazon. A primeira já lançou satélites próprios e a segunda está trabalhando para obter as licenças necessárias para lançamento e operação.

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