Exclusivo: Rock Content compra norte-americana ScribbleLive

Divulgação
Mary Ward, chief commercial and marketing officer da ScribbleLive, e Diego Gomes, cofundador da mineira Rock Content

A empresa mineira de marketing de conteúdo Rock Content anunciou a compra da estadunidense ScribbleLive, o que cria um dos maiores players do segmento nas Américas.

A aquisição, divulgada com exclusividade para a Forbes, marca a continuação da expansão internacional da empresa, que começou em 2017 com a abertura de um escritório no México. A primeira compra da Rock Content aconteceu há um mês com a iClips, startup mineira de gestão de projetos de agências de publicidade.

Com a ScribbleLive (SL), que tem escritórios em Boca Ratón, na Flórida; e em Toronto, no Canadá, a Rock adiciona cerca de 100 funcionários ao seu quadro de 400 colaboradores. A base de freelancers das duas empresas é de 80 mil profissionais.

A nova empresa também traz um portfolio de clientes que inclui nomes como Red Bull, Cisco, FedEx, Dell, Reuters, Deloitte e American Express. Algumas das organizações na carteira consolidada de mais de 2,000 clientes que já trabalhavam com a Rock, como a Oracle, poderão ser atendidas de forma mais abrangente com serviços em português, espanhol e inglês, bem como outros produtos oferecidos pelo grupo.

“A maior oportunidade trazida por essa aquisição é poder ajudar nossos clientes a consolidarem seus esforços de marketing de conteúdo em múltiplas geografias e idiomas”, diz o cofundador da Rock, Diego Gomes. “Nossa rede de profissionais criativos é um diferencial que nenhuma outra plataforma de conteúdo pode oferecer.”

O valor da compra não foi divulgado, mas, segundo Gomes, a aquisição foi feita por “dezenas de milhões de dólares” e envolveu a saída de cerca de uma dúzia de investidores da SL, como a Summerhill Venture Partners, First Ascent Ventures e Fidelity Growth. A compra foi apoiada com um pequeno aporte da base de investidores atual da Rock, que inclui a e.bricks Ventures, Provence Capital e Unbox Capital.

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As empresas se conheceram há pouco mais de dois anos e, segundo Gomes, o processo competitivo pela ScribbleLive incluiu “negociações intensas” durante um período de seis meses. “No final, nossa visão de longo prazo fez mais sentido para a Scribble Live do que as outras opções”, conta.

Segundo Mary Ward, chief commercial e marketing officer da empresa norte-americana, a cultura trazida pela Rock também foi um fator determinante na decisão da SL.

“A equipe, cultura e visão que a Rock apresentou eram muito parecidos com os nossos e nos atraíram bastante, bem como os recursos que eles ofereceram para acelerar nosso crescimento e nos posicionar como um líder global da categoria”, aponta a executiva.

Sem citar nomes, Gomes diz que uma característica de concorrentes de porte igual ou maior é a intensa utilização de venture capital, em certos casos com múltiplos até 15 vezes superiores ao total levantado pela Rock ao longo de sua existência. A gestão da empresa mineira ainda controla a maioria do capital.

“O que nos diferencia da competição é a eficiência de capital. A Rock cresceu rapidamente e gerando lucro, o que é raro em nossa categoria”, argumenta. Concorrentes da empresa incluem nomes como Contently, Skyword, Kapost e Newscred.

Segundo Mary, essa eficiência de capital foi outro fator que fez com que a empresa norte-americana escolhesse se aliar à brasileira: “Valorizamos o crescimento sustentável e, considerando que a categoria é super-capitalizada, as empresas que irão vencer serão as que focarem em crescimento no longo prazo.”

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A integração entre as equipes da Rock e ScribbleLive tem conclusão esperada para o final do primeiro semestre de 2020. Comercialmente, a equipe já começa o novo ano vendendo as soluções do grupo: por exemplo, o produto de criação de conteúdo em video Visually, da SL, será vendido para clientes na América Latina, e a plataforma Stage, da Rock, será ofertada para clientes na América do Norte.

As equipes que atualmente compõem o grupo são complementares e a intenção não é fazer demissões, mas sim aumentar o quadro. Em 2020, Gomes pretende contratar até 100 profissionais nos quatro países em que está presente, nas áreas de tecnologia, marketing e vendas.

“Estamos montando uma empresa global e distribuída, e esse movimento cria uma série de oportunidades para talentos que querem trabalhar e se desenvolver em uma verdadeira multinacional”, ressalta.

Apesar de mais empresas brasileiras estarem mostrando sua vocação global, Gomes diz que negócios no país ainda não exploram o mercado internacional como deveriam.

“Muitas vezes, empresas brasileiras ficam focadas demais no mercado local e deixam de olhar para fora, mas o objetivo tem de ser montar um bom produto, cultivar bons relacionamentos com clientes e boas equipes e ter competitividade global”, aponta.

“O que estamos fazendo é algo atípico, e consolidar uma categoria é extremamente desafiador, mas estamos construindo uma grande história.”

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Fernando Birman deixa Solvay para focar no ecossistema

Um dos personagens mais conhecidos da cena de inovação brasileira tomou a decisão de mergulhar ainda mais no ecossistema no próximo ano. O diretor do Digital Office da gigante de produtos químicos belga Solvay, Fernando Birman, deixará a empresa depois de 34 anos, no dia 16 de dezembro.

O executivo conciliava a atividade relacionada à inovação no Brasil com idas e vindas entre o país, França e Bélgica para liderar a agenda do Digital Office, uma função facilitadora de adoção de soluções e transformação digital criada pela empresa há cinco anos.

Em 2016, Birman deixou Bruxelas e retornou ao Brasil, onde se tornou mentor de startups e de vários programas, como o Inovativa, Startout, HackBrasil, e investidor, com a GV Angels. Em 2020, o especialista em inovação planeja um intenso envolvimento no ecossistema por meio de seus atuais canais, bem como uma possível entrada em mais um grupo de investidores-anjo.

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Bossa Nova investe na fintech Glebba

A fintech Glebba recebeu uma rodada de R$ 800.000, liderada pelo fundo de venture capital Bossa Nova Investimentos. A empresa possibilita o crowdfunding de investimento para o setor imobiliário, com o objetivo de otimizar a estrutura de capital para loteadoras e incorporadoras. O capital será usado para reforçar o marketing e aprimorar a tecnologia para atrair mais investidores para a plataforma.

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Overdrives acelera startups em Recife

A Overdrives, aceleradora investida pelo grupo brasileiro de educação superior Ser Educacional, abriu inscrições para a nova edição de seu programa de aceleração. O foco são empresas early stage e o programa de 6 meses acontecerá em Recife. As startups terão mentoria, capacitação profissional e oportunidades de geração de negócios, bem como um aporte financeiro de até R$ 100.000, com um retorno de até 14% em ações. As inscrições vão até 12 de janeiro.

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Manufatura faz progresso digital, mas precisa arriscar

Empresas do setor de manufatura têm focado na centralidade do cliente e na adoção de produtos digitais, enquanto migram as abordagens B2B para um modelo B2B2C mais integrado, mas precisam arriscar mais. É o que conclui uma pesquisa global da Harvard Business Review Analytic Services, patrocinada pela empresa indiana de outsourcing Tata Consultancy Services (TCS).

Segundo o relatório, empresas de manufatura estão abraçando a transformação digital e atualizando seus modelos de negócios para se manterem à frente da concorrência. Mas o relatório adverte que a mudança requer um apetite por risco, que vem com a transformação dos negócios, investimentos significativos, gestão de mudanças, novas competências e talentos.

Se o progresso é tímido no mundo, no Brasil, o andar da carruagem é ainda mais lento. A lacuna na digitalização do setor foi ilustrada em um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre o tema Indústria 4.0 divulgado no ano passado, que aponta que empresas do segmento no Brasil ainda estão em um estágio incipiente – só 33% das empresas do setor buscam usar ferramentas digitais para desenvolver novos modelos de negócio e produtos.

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Angelica Mari é jornalista especializada em inovação há 18 anos, com uma década de experiência em redações no Reino Unido e Estados Unidos. Colabora em inglês e português para publicações incluindo a FORBES (Estados Unidos e Brasil), BBC, The Guardian e outros.

 

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