Richard Branson planeja programa de crédito para startups no Brasil

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Fundador do Virgin Group quer fornecer empréstimos em parceria com o governo

O magnata britânico Richard Branson sinalizou que poderá lançar uma iniciativa de crédito para startups no Brasil.

O fundador do grupo Virgin esteve no país em visita relâmpago no mês passado, cuja agenda incluiu a divulgação da rota São Paulo-Londres da Virgin Atlantic, que inicia em março de 2020.

A visita começou com uma longa viagem de carro no trânsito paulistano que irritou o bilionário, morador de uma ilha particular no Caribe. No dia seguinte, já recuperado, Branson recebeu a FORBES e falou sobre temas que incluíram possibilidades de investimento para a Virgin no Brasil, além da companhia aérea.

A empresa mantém um programa de investimento focado em novas empresas, chamado Virgin StartUp Loans, que fornece linhas de crédito para pequenos empreendedores e mentoria de negócios. No Reino Unido, os empréstimos podem chegar até £25.000 (R$ 135mil) e podem ser pagos em cinco anos, com juros anuais fixos de 6% e sem multas para quitação antecipada.

“[O Virgin StartUp Loans] tem tido muito sucesso no Reino Unido e fizemos o mesmo na África do Sul, com pequenos empréstimos para pessoas que têm ideias para começar seus próprios negócios”, aponta Branson.

O bilionário, que estima que o programa já concedeu cerca de 4.000 startups, diz ser receptivo a propostas de parcerias com o governo brasileiro para implantar o programa no Brasil. “Ficaríamos muito felizes em lançar o programa aqui”, ressalta.

Projetado especificamente para startups early-stage, o produto de crédito da Virgin se posiciona como um complemento para outros tipos de financiamento e uma alternativa vantajosa para empreendedores que não querem diluir a participação no capital de suas empresas.

Considerando os atuais problemas relacionados ao meio ambiente e as possibilidades oferecidas pelo avanço tecnológico, Branson diz que, se estivesse começando a carreira no Brasil e fosse criar uma startup, perseguiria oportunidades relacionadas à energia limpa.

“É importante trabalhar em projetos sobre os quais pessoas sintam orgulho e que estão fazendo a diferença. Existe todo um mundo de negócios em energia sustentável, com lacunas a serem preenchidas em coisas que não estão sendo bem-feitas no momento”, ressalta.

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Criptomoedas sob ataque

O tubarão multimilionário Mark Cuban fez uma série de críticas sobre a real viabilidade de criptomoedas, mesmo com a apreensão sobre o possível impacto de evoluções como a futura moeda digital do Facebook no ecossistema financeiro. Cuban, que fez fortuna vendendo a MicroSolutions para a CompuServe nos anos 90, disse que criptomoedas como o bitcoin são “muito difíceis de usar, muito fáceis de hackear, muito fáceis de perder, muito difíceis de entender e de avaliar”.

Mas o maior desafio, segundo Cuban, é fazer com que as pessoas usem as moedas digitais. Em seu perfil no Twitter, o empreendedor notou que o percentual de consumidores ainda é ínfimo, apesar de sua disponibilidade em qualquer país e quase gratuitamente. Ele citou que o time de basquete Dallas Mavericks, do qual é dono, começou a aceitar bitcoin em 2015 e até agora só concluiu cinco transações com a criptomoeda.

“Nada que tenha sido dito até agora desafia minha opinião. As respostas têm sido técnicas e acadêmicas, o que é interessante, mas discussões acadêmicas raramente mudam os corações e mentes de consumidores”, aponta.

Cuban, que é uma figura frequente no reality show de empreendedorismo “Shark Tank – Negociando com Tubarões”, não se diz um opositor do bitcoin e afirma que entende a premissa do formato, mas aponta que é comum ver ótimos produtos que falharam por falta de usuários. “Se as pessoas não veem o valor [do bitcoin], este é o problema que vocês precisam resolver.”

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Goiás inaugura centro de IA

O Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), da Universidade Federal de Goiás, começa as atividades amanhã (18), lançado por meio do Instituto de Informática, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG) e o governo do Estado de Goiás, o CEIA. O CEIA prevê investimentos de R$ 50 milhões para fomentar a competitividade de organizações públicas e privadas por meio do desenvolvimento de soluções baseadas em IA. A cerimônia de abertura do centro conta com a presença do ministro de ciência e tecnologia, Marcos Pontes, do governador do Estado de Goiás, Ronaldo Caiado, do reitor da UFG, Edward Madureira Brasil, e do presidente da FAPEG, Robson Vieira.

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Unidos pelo blockchain

O primeiro registro de união estável homoafetiva por meio da tecnologia blockchain ocorreu no Brasil. O fato aconteceu no dia 11 de novembro e foi registrado pelo 15º Ofício de Notas do Rio de Janeiro, tendo como protagonistas o defensor público Diego Vale e o médico tenente da Força Aérea Brasileira, Guilherme Mesquita. O registro foi feito pela rede Notary Ledgers, da startup Growth Tech, que fornece serviços cartoriais digitalmente usando o IBM Blockchain Platform em IBM Cloud.

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Vida em Marte

Um projeto de estudantes da cidade de Sorriso, no Mato Grosso, terão um experimento embarcado em um foguete da SpaceX rumo à Estação Espacial Internacional (ISS) em 2020 e testado no espaço por astronautas da Agência Espacial Americana (NASA).

O experimento de alunos do segundo ano do Ensino Médio do Colégio Regina Coeli busca estudar se há relação entre a degradação da lactose e a gravidade e estudar o desenvolvimento de bactérias probióticas, frequentemente usadas na indústria de laticínios, fora do planeta Terra.

O desafio Garatéa-ISS é apoiado pelo Instituto TIM e ligado ao Student Spaceflight Experiments Program (SSEP), programa norte-americano que envia experimentos de alunos de 10 a 18 anos para o espaço. O Brasil foi o primeiro país fora da América do Norte a participar da iniciativa, em sua terceira edição.

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Franco crescimento

A empresa de software para gerenciamento de processos Pipefy foi reconhecida pela Endeavor, organização sem fins lucrativos que oferece suporte financeiro e mentoria para empreendedores, como a companhia que mais cresceu entre suas apoiadas. Desde sua fundação, em 2015, a Pipefy conquistou 20 mil clientes, em mais de 150 países. A equipe de 200 colaboradores está baseada em escritórios em Curitiba, São Francisco, Vale do Silício e Austin, no Texas.

Neste ano, a empresa recebeu um aporte de US$ 45 milhões em rodada série B liderada pelo fundo nova-iorquino Insight Partners, com a participação dos investidores existentes, OpenView e Trinity Ventures. O capital tem sido usado para para escalar as operações da empresa no Brasil e Estados Unidos.

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Novo marco

O InovAtiva Brasil, programa de aceleração de negócios do governo, encerrou seu 10º ciclo com 1.000 startups aceleradas desde o seu lançamento em 2013. A iniciativa registrou o marco em seu último evento do ano, concluído no início deste mês, onde mais de 400 presentes participaram de mentorias, pitches e conexões com grandes empresas, como Bosch, Vale e Johnson & Johnson, entre outras.

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Quem paga mais

A Husky, fintech que integra serviços de contabilidade e administração financeira para pessoas jurídicas, gaba-se de pagar salários que estão entre os 10% maiores do mercado de tecnologia em São Paulo. Com um time atual de somente oito pessoas, a Husky não quer passar dos 15 colaboradores em 2020 e diz que manter uma operação enxuta é um de seus diferenciais.

A startup diz oferecer os mesmos valores salariais que gigantes da tecnologia e startups que já levantaram centenas de milhões em investimentos. No Google, a média salarial mensal de um engenheiro de software é R$ 9.997, segundo o Glassdoor. A Husky diz ter um salário inicial de cerca de R$ 8.000 e que profissionais no meio da carreira podem receber até R$ 16.000, acrescidos de bônus.

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Angelica Mari é jornalista especializada em inovação há 18 anos, com uma década de experiência em redações no Reino Unido e Estados Unidos. Colabora em inglês e português para publicações incluindo a FORBES (Estados Unidos e Brasil), BBC, The Guardian e outros.

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