Medo de prejuízo no carnaval derruba Ibovespa

Amanda Perobelli- REUTERS
Investidores brasileiros evitam exposição ao risco antes do feriado de carnaval

O Ibovespa reduziu um pouco as perdas no período da tarde de hoje (21), mas investidores ainda seguem preocupados e preparando-se para o período de carnaval em que não vão poder operar. É que as bolsas estrangeiras terão negócios normalmente e continuam sob o estresse do impacto econômico causado pelo avanço do coronavírus.

A orientação dos analistas de corretoras aos clientes tem sido de cautela e de não assumir grandes riscos neste último pregão antes do feriado. A bolsa brasileira só reabre na tarde de quarta-feira de cinzas.

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Às 15h24, horário de Brasíilia, o Ibovespa caía 1,16% aos 113.256 pontos.

De acordo com João Freitas, analista da Toro Investimentos, o investidor brasileiro está buscando proteção no pregão de hoje diante da propagação do coronavírus e da dificuldade de precificação do impacto financeiro do surto da doença Covid-19 em um mundo globalizado e de mercados conectados.

“No Brasil, ninguém quer ficar exposto ao risco antes do feriado e a orientação é encerrar ou diminuir posições em ações, comprar dólar e fazer hedge, ou seja, buscar proteção no mercado futuro do índice”, afirma Freitas.

O analista ainda lembra que ativos considerados de proteção em situações de aversão ao risco estão sendo muito procurados, a exemplo do ouro e dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, para 30 anos.

Apenas três ações da carteira do Ibovespa têm alta: Lojas Americanas (LAME4) com valorização de 3,39% a R$ 27,75, WEG (WEGE3) que subia 1,26% a R$ 48, 09 e Klabin (KLBN11) com mais 0,05% a R$ 21,04.

A Vale segue como destaque de baixa do índice, com VALE3 perdendo 4,13% a R$ 50,04. A mineradora reportou prejuízo de R$ 1,562 bilhão no quarto trimestre de 2019.

No balanço, a companhia apresentou o relatório do Comitê Independente de Assessoramento Extraordinário formado para investigar o rompimento da barragem de Brumadinho, Minas Gerais, que causou a morte de, pelo menos, 259 pessoas.

De acordo com a investigação, ao menos desde 2003, a Vale tinha informações sobre as condições frágeis da barragem e as medidas de segurança adotadas foram “limitadas e malsucedidas”. Ainda segundo o relatório, a companhia sabia que os impactos seriam significativos no caso de um rompimento.

Abaixo da Vale, as principais perdas do Ibovespa eram da Rumo (RAIL3) com recuo de 3,85% a R$ 23,20, Bradespar (BRAP4) com menos 3,68% a R$ 36,89, CSN (CSNA3) que perdia 3,25% a R$ 12,79 e Gerdau (GGBR4) que caía 3,17% a R$ 18,91.

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Luciene Miranda é jornalista especializada em Economia, Finanças e Negócios com coberturas independentes na B3, NYSE, Nasdaq e CBOT

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