E mais uma vez o mundo não acabou

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O ser humano possui uma capacidade camaleônica de escapar de tragédias naturais e reconstruir paragens destroçadas

Em um viés de autocomiseração, a humanidade adora ouvir, falar e discutir más notícias. A bola da vez é – e será – se o mundo resistirá a mais um ano com epidemias, drones, revoluções, mudanças climáticas, quedas de governo e disputas entre superpotências.

Se olharmos para trás, porém, veremos um poliedro histórico de alternância de lutas e de realizações que atestam a capacidade humana de adaptação a novas realidades. Vejo e revejo a capacidade camaleônica do ser humano de escapar de tragédias naturais e reconstruir paragens destroçadas sempre com uma marca de coragem e de ousadia.

Voltemo-nos às realidades e prevejamos 2020 diante de alguns fatos marcantes do ano passado. Primeiro o mundo – e seus reflexos sobre o Brasil.

China e Estados Unidos, fechando sua suposta guerra comercial, trouxeram alívio para os mercados mundiais e recordes em Wall Street e na Bovespa. Irã contido e Trump, nova pomba da paz, com 60% de aprovação após seu discurso e moderada reação aos mísseis. Brexit e sua saída da Comunidade Europeia – e um renascimento econômico que os analistas negavam mostrando uma Inglaterra sem saída. Coreia do Sul e Japão discutindo fatos ocorridos antes da Segunda Guerra Mundial, mas ativos no comércio regional. China e Hong Kong em guerra, mas com uma unidade financeira e política impossível de se dissociar.

Europa com lideranças em turno de se afastarem. Espanha sem governo por meses, mas clamando que a América Latina é instável. Austrália em fogo a entristecer o mundo, e nós a permitirmos as queimadas na Amazônia – e quando criminosos financiados por ONGs e atores ingênuos são presos, a nação se revolta.

Cai o bolivarianismo na Bolívia e na Venezuela, o dólar e o rublo reinam soberanos para vencer uma crise de gestão histórica. A Argentina amanhece com esperanças e, longe de fixar-se ao eixo cubano, adota um pragmatismo político e econômico que esperemos que dure e que nos permita trabalharmos juntos no Mercosul. Peru em pleno desenvolvimento, além dos problemas do Chile e da Colômbia sendo vencidos, mostrando que também por aqui o mundo não se acabará. Estados Unidos com desemprego a alcançar históricos 3,8% da população e inflação de 2% a driblar uma recessão sempre anunciada.

E o nosso Brasil em 2020?

“Se olharmos para trás, veremos um poliedro histórico de alternâncias de lutas e de realizações, de construções que atestam nossa capacidade de adaptação a novas realidades.”

Reformas e mais reformas para darmos vida a um ciclo de desenvolvimento sustentável, longe do galinheiro a que fomos condenados a voar, como galinhas, pela soma de erros de gerências em Brasília. Os números de 2019 dão esperança para persistirmos em uma política de estabilidade pela redução dos déficits públicos; pelo aumento da produtividade nacional; a carência de juros baixos sustentados por uma nova política tributária e a redução do peso absurdo das estruturas administrativas federal, estaduais e municipais.

Desfrutamos um momento favorável para abrirmos nossa economia, privatizar as 270 empresas governamentais, reescrevermos o pacto federativo em um clima democrático. Crescer a 2,8% neste 2020, reduzir o desemprego gerando 1,4 milhão de novos postos de trabalho, passar os EUA como maiores produtores mundiais de soja e sermos um dos mais avançados agronegócios do planeta, com a maior proteção ambiental do universo. O mundo não acabou – e o Brasil muito menos.

Mario Garnero – Chairman do Grupo Garnero e presidente do Fórum

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