Estudo mostra que infecção por coronavírus é leve em mais da metade das crianças

ReproduçãoForbes
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Mais de 90% das crianças com coronavírus foram casos leves ou moderados

Dados de mais de 2.000 casos confirmados ou suspeitos de Covid-19 em crianças chinesas continuam mostrando que vítimas em idade escolar têm um risco menor de agravamento da doença, segundo um estudo publicado na “Pediatrics” em 17 de março.

Mais de 90% das crianças foram casos leves ou moderados. Entre as mais jovens, principalmente menores de um ano, as taxas de casos graves ou críticos foram um pouco mais altas do que nas mais velhas, mas menos de 2% foram críticas.

Os pesquisadores descreveram as características de 731 crianças com o vírus, comprovado por meio de testes de laboratório, e outras 1.412 com suspeitas, todas relatadas ao Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças entre 16 de janeiro e 8 de fevereiro de 2020. Para ser considerado um suspeito, nesse caso, era necessário ter duas das três condições: radiografia torácica anormal, resultados laboratoriais anormais sugerindo infecção ou inflamação e pelo menos um dos sintomas entre febre, dificuldade respiratória, desconfortos digestivos (vômitos, náusea, diarreia) ou fadiga.

Um pouco mais da metade das crianças era formada por meninos, mas os pesquisadores não viram diferenças significativas na gravidade dos casos entre meninas e meninos. Ao continuar com o padrão observado em outros relatos, a grande maioria dos casos foi leve ou moderada e pouco mais de 4% eram assintomáticos – que não apresentaram sintomas, embora o teste fosse positivo.

Maioria dos casos infantis é moderada

Cerca de metade dos casos infantis (51%) foi leve, com sintomas respiratórios como febre, fadiga, dores musculares, tosse, dor de garganta, coriza e espirros. Em alguns casos, uma infecção leve pode envolver apenas sintomas gastrointestinais, como náusea, diarreia, vômito ou dor de estômago.

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Os 39% com infecção moderada geralmente apresentavam pneumonia, além de febre e tosse frequentes. Além disso, embora algumas também tivessem chiado no peito, nenhuma teve a falta de ar comum em adultos. Alguns casos moderados incluíram pacientes sem sintomas externos, mas com lesão tecidual (lesões) nos pulmões e resultado positivo no teste.

Cerca de 6% do total de casos foram graves, taxa consideravelmente inferior aos 18,5% observados entre adultos na China – e apenas 0,6% deles foram críticos. Um caso grave envolveu febre, tosse e, às vezes, diarreia ou outros sintomas gastrointestinais, seguidos de dificuldade de respirar e baixos níveis de oxigênio no sangue em cerca de uma semana. Casos críticos envolveram síndrome do desconforto respiratório agudo ou insuficiência respiratória, às vezes com choque, dano ao cérebro ou coração ou falha de múltiplos órgãos. Uma das crianças que fazia parte do estudo morreu.

“O fato de a maioria dos casos de coronavírus em crianças ser menos grave do que os casos de adultos é intrigante”, escreveu Yuanyuan Dong, do Centro Médico Infantil de Xangai e da Faculdade de Medicina da Universidade Jiao Tong de Xangai, na China. Ele e seus amigos sugerem que os motivos poderiam estar relacionados tanto à maneira como elas são expostas quanto às características da idade e da criação. “Elas geralmente são bem cuidadas em casa e podem ter relativamente menos oportunidades de se expor a patógenos e/ou pacientes doentes.”

Outra possibilidade é que o receptor que o vírus usa para se prender às células não seja maduro o suficiente em crianças. Também é possível que o desenvolvimento do sistema imunológico em geral responda a agentes patogênicos de maneira diferente do sistema imunológico dos adultos, escreveram os pesquisadores, apontando incerteza por conta dos bebês que tinham taxas um pouco mais altas de casos graves do que as crianças que já estão em idade escolar.

Bebês têm risco ligeiramente mais alto, mas ainda assim baixo

Mesmo no grupo de maior risco, os bebês, no total de casos graves e críticos, estavam abaixo de 11%, portanto, apenas um em cada 10 teve uma infecção muito grave. Entre os menores de um ano, 8,7% dos casos foram graves e 1,8% crítico. Em pré-escolares até cinco anos, 6,9% e 0,4%, respectivamente. Enquanto isso, entre os de seis a 15 anos, apenas 4% do total de casos eram graves ou críticos e somente 3% dos adolescentes mais velhos passaram por situações preocupantes.

Pesquisas anteriores sugeriram que ter uma infecção do trato respiratório ou condição comprometida pelo sistema imunológico também pode aumentar o risco de casos mais graves da doença.

“Esses resultados indicam que os menores, principalmente bebês, eram vulneráveis ​​à infecção por 2019-nCoV”, escreveram os autores. “Portanto, os mecanismos para a diferença nas manifestações clínicas entre infância e vida adulta ainda precisam ser determinados.”

O estudo envolve incerteza nos números, uma vez que nem todas as infecções foram confirmadas com o teste. Dois terços dos casos eram suspeitos, sem confirmação de um resultado positivo. A inclusão de casos suspeitos é complicada: não incluí-los poderia deixar de fora muitos casos leves, o que faria a porcentagem de casos graves parecer maior do que realmente é. Mas incluir também pode agregar doenças respiratórias diferentes que, na verdade, não estão relacionadas ao coronavírus.

De fato, os autores observam que crianças com suspeitas de Covid-19, não confirmadas, tiveram casos mais graves do que aqueles confirmados em laboratório, “o que sugere que alguns podem ter tido outros tipos de infecções respiratórias”, como sincicial respiratório vírus (RSV).

Infecções sem sintomas são, provavelmente, subestimadas

Outro achado notável no estudo foi que 13% das crianças com infecção confirmada em laboratório não apresentaram sintomas. Esse número está “certamente” abaixo do número real de infecções assintomáticas, uma vez que as que não apresentaram sintomas não têm a probabilidade de serem testadas, apontaram Andrea T. Cruz, do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Baylor, e Steven L. Zeichner, PhD dos Departamentos de Pediatria e Microbiologia da Universidade da Virgínia, em Charlottesville. A Dra. Andrea e o Dr. Zeichner são médicos associados à “Pediatrics” que escreveram um editorial que acompanha o estudo.

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Os especialistas apontaram outra preocupação que recebeu menos atenção: o estudo das fezes. O vírus apareceu nas fezes das crianças por várias semanas após o diagnóstico, o que aumenta o potencial de infecção daquelas que não são treinadas a usar o banheiro ou não estão lavando as mãos adequadamente. A doença também parece afetar o trato respiratório superior delas, e não a parte inferior, com maior potencial de transmissão do vírus pelo nariz e pela garganta.

“O derramamento prolongado nas secreções nasais e nas fezes tem implicações substanciais para a disseminação da doença em creches, escolas e em casa”, escreveram os médicos. Esse longo período de liberação do vírus também pode dificultar a diminuição da propagação da doença.

Uma coisa que o estudo não conseguiu fazer foi caracterizar os sintomas mais comuns em crianças e como eles aparecem, que podem ser diferentes dos adultos. Os pesquisadores também não tinham informações sobre quando elas foram expostas e, portanto, não puderam verificar quanto tempo durou o período de incubação do vírus antes que desenvolvessem os sintomas.

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