Impedidas de funcionar, academias oferecem aulas online gratuitas para toda a população

 Jose Luis Pelaez Inc/Getty Images
Jose Luis Pelaez Inc/Getty Images

Exercícios em casa, a qualquer hora: uma nova realidade surge com o coronavírus

Na tarde de ontem (18), o governador de São Paulo, João Doria, recomendou, durante uma entrevista coletiva, que as academias da capital e da Grande São Paulo fiquem fechadas até 30 de abril como forma de tentar conter a disseminação do novo coronavírus. A partir da publicação do decreto – hoje (19), no Diário Oficial –, grupos proprietários de academias poderão discutir as formas mais adequadas para que o atendimento ao público seja interrompido, mas a ideia é que, na próxima segunda-feira (23), nenhuma delas esteja funcionando.

A Bodytech, dos sócios Alexandre Accioly, Luiz Urquiza e Bernardo Rezende, que conta com mais de 150 mil alunos nas bandeiras Bodytech, Bodytech Babies & Kids e Fórmula, diz que já tinha decidido fechar todas as suas 102 unidades do país a partir de hoje independentemente de qualquer decreto. “Nos locais onde há determinação oficial, vamos cumpri-la. Onde não há, suspenderemos as atividades por 15 dias, passível de prorrogação”, explica Luiz Urquiza.

Ontem mesmo, porém, a rede liberou gratuitamente, para qualquer cidadão do Brasil ou do mundo, o acesso ao BTFIT, aplicativo criado há alguns anos que oferece, em português e inglês, três tipos de serviços que podem ser feitos a qualquer hora, em qualquer lugar: personal trainer, aulas coletivas e programas de treinamento para necessidades específicas e com níveis de dificuldade – tudo online.

Assim que o anúncio foi feito, o aplicativo, disponível para Android e IOS, registrou, simultaneamente, 10 mil downloads, o que obrigou a empresa inclusive a contratar banda adicional na Amazon para suportar os acessos. Hoje, 24 horas depois, 37 mil novos downloads foram feitos, número 10 vezes maior do que a média. No Google Play, houve um aumento de 300% de ontem para hoje. Na Apple Store o incremento foi de 105%. “Temos gente conectada em 162 países”, revela Urquiza, explicando que, até este momento, já são mais de 3,5 milhões downloads. A princípio, a gratuidade do app vai até 31 de março.

“Quando pensamos no aplicativo, a ideia era atender uma nova geração, que tem mais familiaridade com a tecnologia, e resolver os problemas de falta de tempo, dinheiro ou a timidez que impediam as pessoas de praticar atividades físicas. Agora, neste momento, ele caiu como uma luva para que as pessoas não interrompam seus treinos. Não é uma ferramenta que reproduz o mundo offline no online. É realmente uma solução feita para ser usada a qualquer momento, por qualquer pessoa. Eu acredito que, quando tudo isso passar, vamos entender que as duas coisas podem conviver em harmonia e uma nova tendência por ser criada”, diz.

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OUTROS GRUPOS FITNESS

A rede de academias Smart Fit, que detém as bandeiras Bio Ritmo, Smart Fit e 02, anunciou que também vai fechar todas as suas 700 unidades, em 12 países da América Latina, a partir de hoje por, pelo menos, 15 dias. A medida já havia sido tomada no Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

As matrículas dos alunos – quase 3 milhões em toda a região – serão trancadas, mas para que eles não interrompam suas rotinas de exercícios, a companhia criou uma plataforma aberta de treinos que qualquer pessoa pode usar, de forma gratuita. Já estão disponíveis vídeos de 30 minutos com sequências que não usam nenhum acessório ou equipamento. No mesmo espaço, a Smart Fit reuniu treinos, também gratuitos, de marcas parceiras. É o caso do FitDance e do Les Mills, que oferece o body combat.

“Queremos dar opções para que todos tenham como se movimentar e cuidar da saúde. Por isso, os professores da Smart Fit se uniram, em diversos países, para criar uma plataforma gratuita repleta de treinos”, explica Edgard Corona, presidente do grupo. A cada semana, serão lançadas novas aulas para diferentes objetivos: musculação, hipertrofia, emagrecimento, corrida, ioga, funcional e até alongamento.

A iniciativa foi concluída em tempo recorde – menos de uma semana – com a ajuda de 30 profissionais e versões em português e espanhol. “Os treinos remotos são muito importantes para que as pessoas mantenham sua saúde em dia. A atividade física e mental fortalece o sistema imunológico e isso ajuda a combater diversas patologias”, explica Luiz Carnevali, diretor técnico da rede Smart Fit.

Outra rede low cost, a Selfit, também anunciou a suspensão das atividades a partir de hoje em suas 70 unidades espalhadas pelo Brasil por, no mínimo, 15 dias. Depois desse período, o prazo poderá ser postergado se houver necessidade. Para evitar o prejuízo aos alunos, os dias em que as academias ficarem fechadas serão acrescentados ao final dos contratos.

Para minimizar o sedentarismo durante a quarentena, a rede também se preparou para oferecer, em suas redes sociais e site, exercícios fáceis de serem realizados em casa, sem a necessidade de equipamentos. Gratuita, a ferramenta pode ser usada por qualquer pessoa.

A rede Pure Pilates, que conta com 45 estúdios na Grande São Paulo e São José dos Campos, informou que fechará suas unidades entre 23 de março e 6 de abril, quando a situação será reavaliada. Durante esse período, os alunos poderão contar com aulas online.

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Rafa Moreira, personal trainer: aumento da demanda para atendimentos online

O personal trainer Rafa Moreira (foto) diz que, nos últimos dias, já percebeu o aumento da demanda por seus treinos e consultoria online. “Aumentou muito a procura por alternativas para exercícios em casa, de forma muito expressiva.” Por isso, o profissional está disponibilizando conteúdos gratuitos nas suas redes sociais. “Seja como forma de entreter as pessoas, seja através de exercícios para fazer em casa, quero contribuir. Tenho feito lives e postado conteúdo diário no Instagram e até mesmo aulas inteiras no meu canal do YouTube. Quanto mais eu puder colaborar para que as pessoas fiquem em casa e tenham um motivo a menos para sair às ruas, melhor.” Aqueles que quiserem ter acesso total à plataforma terão, durante a crise, um desconto de 50%.

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