Maio sem moda: Pandemia enrolou os tapetes vermelhos

Lu Prezia
Lu Prezia

Donata Meirelles e Carlos de Souza

Em um mundo pré-pandemia, Maio costumava ser tempo de celebração no mundo da moda. Na primeira segunda-feira do mês acontecia o Met Gala, evento em benefício do Costume Institute do Metropolitan Museum, em Nova York. Duas semanas depois, era a vez do Festival de Cannes, a mais famosa e importante mostra de cinema do mundo. Juntos, seus tapetes vermelhos eram as vitrines mais cintilantes da moda e do showbiz fora da temporada de desfiles e perdendo apenas para o Oscar.

Meu amigo Cacá – Carlos de Souza, brasileiro de sucesso na moda internacional, embaixador da marca Valentino, onde trabalha há 40 anos, vivendo entre Roma, Paris e Nova York – não só é habitué do Met Gala como cuida das celebridades que vestem a grife nas grandes premiações da indústria do entretenimento. Ele me falou como vê o impacto da pandemia nesses grandes eventos e seus “red carpets”, no momento enrolados por tempo indeterminado.

“O futuro próximo é uma incógnita e esperamos que uma vacina chegue logo. Até lá não vejo eventos para mais de mil pessoas sendo organizados”, disse Cacá, em um call direto de Roma.

A princípio, o Met Gala seria adiado, mas acabou cancelado e virou live, via YouTube – com direito a show pop, DJ e pronunciamento de sua organizadora, a super poderosa editora de moda Anna Wintour. Já os organizadores do Festival de Cannes, que haviam divulgado novas datas para o mês de junho, agora falam em novos formatos que podem incluir outras mostras internacionais, exibição de filmes em salas do circuito comercial francês – assim que forem abertas novamente – e até uma parceria com a Netflix, depois de um desentendimento entre salas de cinema X plataformas digitais.

Cacá acredita que o formato streaming parece ser a solução para um evento cinematográfico, mas não para o Met Gala, considerado uma espécie de Super Bowl fashion: “A cerimônia do Oscar pode até ser realizada on line, mas não vejo o Met Gala sem a presença física dos astros da moda”.

Ao contrário de outros tapetes vermelhos de premiações, festivais de cinema e festas beneficentes – concorridas vitrines da indústria com a divulgação planetária de roupas, acessórios e joias desfilados por celebridades de Angelina a Zellwegger – o Met Gala é a grande noite de confraternização da moda e seus players.

As imagens das performances registradas ali renderam inúmeras listas dos mais bem vestidos, dos mal vestidos, dos favoritos de todos, os inevitáveis memes e alguns vexames, claro. Rihanna já apareceu vestida de bispo, Madonna foi de dominatrix e Lady Gaga trocou de roupa, três vezes, em plena escadaria do museu. Nos últimos 20 anos, o tapete vermelho do Met Gala virou um misto de desfile de moda, performance artística, provocação, festa de Halloween e Carnaval.

Em nossa conversa, Cacá chamou atenção para o fato da festa não ser apenas outro encontro de moda ou uma ocasião para se exibir, mas sim um evento beneficente que arrecada milhões dólares em doações para manter o Costume Institute do museu Metropolitan em funcionamento. Tudo foi criação da lendária RP americana Eleanor Lambert – também “mãe” da Semana de Moda de Nova York – nos anos 1940, quando a moda americana mostrava vigor e a europeia enfrentava o recesso da II Guerra Mundial.

Com outra lenda, a editora Diana Vreeland, diretora do Costume Institute nos anos 1970, o Met Gala virou temático de acordo com as exposições que ela criava: Figurinos de Hollywood, Império Russo, a Corte de Versalhes etc. Anna Wintour assumiu o evento em 1995 e, a partir dos anos 2000, mudou a data de dezembro para Maio, com exposições elaboradas variando entre temas (Punk, Moda e Religião, Cultura Camp), homenagens e grandes criadores (Charles James, Alexander McQueen, Rei Kawakubo) e marcas como Prada.

Em 2020, aniversário de 150 anos do Metropolitan, o tema é Sobre o Tempo – Moda e Duração, as influências, correspondências e similaridades no trabalho dos designers ao longo de um século e meio. Por enquanto, o museu mantém as datas para a exposição – entre o final do mês de outubro próximo e fevereiro de 2021. Assim como os organizadores do outro festival de cinema mais festejado do mundo, o de Veneza, garantem sua realização em setembro, mas nada se falou sobre o tapete vermelho.

Como me disse o Cacá: “Na verdade, a tecnologia é a grande salvadora da temporada, depois dos cancelamentos dos desfiles da alta costura e das coleções masculinas, em junho e julho. Estamos vendo em todas as plataformas digitais o desenvolvimento de novos formatos de comunicação. E viva o Zoom e o Houseparty!”

Donata Meirelles é consultora de estilo e atua há 30 anos no mundo da moda e do lifestyle

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