Todo nosso apoio à moda da casa

Manu Scarpa
Manu Scarpa

Donata Meirelles e a jornalista de moda Lilian Pacce

Tudo começou com mensagens trocadas pelo celular entre o estilista Sandro Barros e a jornalista de moda Lilian Pacce, em uma sexta-feira qualquer no início da atual quarentena. O que poderia ser apenas uma gentileza entre amigos, acabou ganhando corpo e se tornando a campanha #euapoioamodanacional que se alastrou pelo Instagram.

Lilian, que eu conheço desde os anos 1990, das páginas do “Jornal da Tarde”, “Folha de S.Paulo” e “O Estado de S.Paulo”, virou nome nacional quando passou a apresentar o programa “GNT Fashion”, em 2000 – onde ficou por 18 anos – hoje é também escritora, consultora e está na lista dos 500 profissionais de moda mais relevantes do planeta, do renomado “Business of Fashion”.

Claro que eu não podia deixar de ligar e perguntar o que a levou a se engajar na iniciativa e qual a importância do projeto. Da tal troca de mensagens até o objetivo de conscientizar o consumidor sobre a importância da produção fashion nacional, ela contou tudo pra gente:

“Em uma sexta-feira, tarde da noite, recebi uma mensagem do Sandro Barros pedindo para várias pessoas do mundo da moda se engajarem em uma iniciativa postando, no feed do Instagram, uma foto vestindo look de um estilista ou marca brasileiros, usando a hashtag #euapoioamodanacional.

Isso para mim é muito fácil porque, além de sempre ter prestigiado a moda nacional, desde que comecei a trabalhar na TV, no ano 2000, apresentando o “GNT Fashion”, tive como regra que usaria somente marcas brasileiras, principalmente nas viagens internacionais. Então, postei imediatamente. Era por volta da meia-noite.

Quando acordei no dia seguinte e vi o post, fiquei impressionada com o tanto que aquilo havia reverberado porque, para mim, aquilo era algo muito natural. Foi aí que pensei que era preciso ampliar a campanha, fazê-la alcançar outras plataformas, outras vozes e ir muito além da foto de “look do dia”. Para mim a moda sempre foi uma força econômica e de liberação da mulher entre vários outro pontos importantes.

Conversei com o Sandro e falei que gostaria de ampliar a campanha em forma de vídeo, fazendo uma homenagem às pessoas que fazem a moda, que trabalham no meio, mas sem nenhum estilista. Minha ideia é realmente mostrar essa força econômica, criativa e engajada. Sempre acreditei que moda pode ser política e revolucionária.

Então, comecei a pedir para pessoas diferentes gravarem seus depoimentos com o mote #euapoioamodanacional. Fiz questão que fossem vozes diferentes. Pessoas da comunidade LGBTQA+, gente mais velha, jovens, celebridades, anônimos, negros, magros, gordos, camareiras, costureiras, manicures etc. Claro que o mix nunca chega a ser perfeito, mas é diverso. A stylist Renata Correa gostou da ideia e se prontificou a chamar mais pessoas ainda e o Giovanni Bianco [diretor de arte] também se engajou e trouxe o editor de vídeo Paulo Godoy, para organizar as imagens. Foi um movimento totalmente natural e espontâneo que reuniu 150 depoimentos em vídeo, em preto e branco. Há ali toda uma nova geração que encara a moda como engajamento social criativo e igualitário.

O objetivo é procurar conscientizar as pessoas para a importância de consumir o produto nacional. Seja ele popular ou de luxo. Aliás, muita gente pensa, equivocadamente, que a moda importada está somente no mercado de luxo. Mas temos uma quantidade imensa de Made in China, Made in Vietnam, Made in Bangladesh, no mercado popular de moda, porque é uma questão de barateamento de custos de produção. E quando se prestigia esse produto, acaba-se prejudicando o Made in Brazil, o nosso próprio mercado e a nossa própria economia. Países como
França e Itália sabem disso há anos e valorizam a sua própria indústria. Fazem disso uma grande valor.

Aqui ainda estamos muito longe disso porque os governos simplesmente ignoram a moda como força econômica. Afinal, a moda é muito pulverizada entre algumas grandes marcas, estilistas independentes, pequenas marcas e muita informalidade. Assim, nunca é encarada pelas autoridades como força econômica como a indústria farmacêutica e a automobilística.

O mundo globalizou e não vamos retroceder. Porém, especialmente em um momento de crise como este, o consumo da produção local é questão de sustentabilidade. Por isso, a ideia do #euapoioamodanacional é despertar no consumidor esse olhar para o seu entorno e fazer escolhas melhores e mais conscientes na hora de comprar um peça de roupa.”

Donata Meirelles é consultora de estilo e atua há 30 anos no mundo da moda e do lifestyle

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