Projetos sociais pelo Brasil buscam salvar vidas e manter a economia girando

GettyImages/ SDI Productions
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Além de produtos de higiene, muitas famílias periféricas do Brasil não encontram maneira de conseguir alimento durante a quarentena. Projetos como a Amigos do Bem, Gerando Falcões e Instituto Ekloos estão na linha de frente dessa luta

Desde a chegada do coronavírus, ainda em março, o Brasil sofre para manter sua economia operando com o mesmo ritmo de antes e começa a apresentar índices preocupantes, como altas recordes do dólar e oscilação da bolsa. Esse cenário preocupa a todos, mas alguns sentem mais na pele do que outros.

A quarentena e o fechamento de ruas e comércios provocou um súbito corte no ganha pão de autônomos e fechamento de escolas públicas que auxiliavam as famílias mais pobres com a merenda das crianças, entre outros efeitos colaterais. Isso tudo acabou impactando um fundamental pilar da sociedade: o terceiro setor.

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“Esses programas estão em contato com pessoas necessitadas e conseguem canalizar os recursos humanos, materiais e financeiros para contribuir da melhor forma”, diz Ricardo Teixeira, coordenador do MBA em gestão empresarial e financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), ressaltando a importância de programas e entidades.

“As pessoas não entendem o nível de desigualdade do Brasil”, afirma Andrea Gomides, executiva que largou uma carreira que contava com passagens por companhias como HP e Microsoft para liderar o Instituto Ekloos. A organização busca ajudar e desenvolver empresas sem fins lucrativos através de mentorias por todo o Brasil, sejam elas virtuais ou presenciais.

A pandemia de Covid-19 mudou as operações da entidade, tornando a rotina mais difícil e exigente, mas Andrea Gomides se mantém confiante: “Quando se está em uma crise, é preciso tirar o ‘S’ da palavra e começar a criar”.

Assim como ela, Alcione Albanesi é outro exemplo de executiva de sucesso que deixou a carreira empresarial de lado e está lutando ainda mais neste momento de incerteza. Depois de construir e fazer da FLC a maior empresa de lâmpadas do país, decidiu se dedicar ao terceiro setor. Ela já completou mais de 26 anos no comando da Amigos do Bem, organização criada por ela que atua no sertão nordestino do Brasil, nos estados de Alagoas, Pernambuco e Ceará. Todos os meses, 75 mil pessoas são beneficiadas pelo projeto que provê educação, trabalho, renda, água, moradia e saúde.

A Amigos do Bem oferece oportunidade de ensino para as crianças, adolescente e adultos da região. Alcione lembrou com alegria que as primeiras crianças beneficiadas pelo projeto estão chegando à faculdades e conseguindo uma vida melhor para suas famílias. O plano não se resume a ajudar as famílias imediatamente, mas fazer com que elas possam sair da pobreza e conquistar um estilo de vida melhor.

De origem humilde, Eduardo Lyra sabe das dificuldades que as comunidades enfrentam, especialmente para conseguir comida em um momento como o dessa crise: “Eles configuram uma zona de risco extrema, por não terem o que comer”, afirma. Ele é CEO e fundador da organização Gerando Falcões, grupo que atua em periferias e favelas, busca a promoção de crianças e adolescentes por meio de esporte e cultura, e a qualificação profissional para jovens e adultos.

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No início da crise, Andrea Gomides criou o movimento “Rio Contra Corona”, para levantar o maior número de produtos de higiene possível e proteger as comunidades cariocas. Posteriormente, o movimento evoluiu para atender a outra demanda dessa população: a fome. As doações para a causa já ultrapassaram R$ 10 milhões.

A pandemia de coronavírus obrigou o projeto Amigos do Bem a fechar os centros educacionais e mais de 10 mil crianças deixaram de receber as refeições diárias. Além disso, as arrecadações mensais de alimentos, feitas com milhares de voluntários em supermercados, para atender as famílias do sertão também não aconteceram no mês passado.

A situação do sertão brasileiro é, segundo a organização, crítica. Os povos que vivem por lá estão isolados geograficamente de qualquer hospital, fonte de remédios ou recursos. Além de passarem fome e sede, as famílias da região vivem aglomeradas e em casas de barro.

Para combater tamanha pobreza e necessidade, a entidade precisou criar um plano de ação emergencial. O objetivo é manter os projetos já existentes na região e distribuir recursos para as famílias, como 60 mil cestas básicas, 25 milhões de litros de água e 20 mil kits de higiene.

Caroline Albanesi, filha de Alcione, afirma que a meta está longe de ser atingida, mas não perde a esperança: “Ainda precisamos de muitos recursos. Somos um projeto contínuo, que não apenas atende, mas acompanha a vida das pessoas, em todas as áreas”.

Já a Gerando Falcões lançou a campanha “Corona no Paredão, Fome não” com a intenção de arrecadar 1 milhão de cestas básicas, para que as famílias periféricas de 11 estados do Brasil não precisem sair de casa em busca de dinheiro para se alimentar.

Para ajudar ainda mais as comunidades, Eduardo Lyra lembra da importância da cesta básica ser entregue para as pessoas através de um cartão. Dessa maneira, as famílias evitam pegar filas e aglomerações, e podem usar o dinheiro arrecadado para comprar alimentos nos comércios locais e fazer a economia local continuar viva.

A Tecnologia a favor da caridade

Para Ricardo Teixeira, a tecnologia exerce um papel fundamental no terceiro setor, por facilitar a disseminação das notícias e fazê-las chegar ao público com o perfil desejado pelas organizações. “São criadas redes de influência, que encontram pessoas com interesse em ajudar. As chances de sucesso aumentam”, analisa.

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A campanha digital da Gerando Falcões, segundo Lyra, já conta com apoio de famosos e com doações relevantes de empresários, como Jorge Paulo Lemann, Abilio Diniz e Olavo Setubal Jr. O projeto já soma mais de 15 mil doadores espalhados em mais de 10 países e beneficia uma rede de ONGs parceiras.

Também usando a tecnologia a seu favor, Andrea Gomides organizou o “Festival UP”, um site que oferece performances de artistas de diferentes áreas em troca de doações para esse público que também está passando por um momento difícil, já que não pode se apresentar ao grande público.

O conteúdo do site continuará sendo renovado até 12 de julho. O objetivo, segundo Andrea Gomides, é beneficiar até mil artistas pelo país.

Ricardo Teixeira lembrou que, mesmo em um momento difícil do ponto de vista econômico, é importante que as empresas se esforcem para ajudar a sociedade: “as empresas que mais contribuíram no momento de crise devem ser reconhecidas novamente no futuro”.

A Amigos do Bem está arrecadando doações através de seu site para suprir as necessidades imediatas dos sertanejos que moram na região atendida pelo programa.

Para acompanhar o andamento dos projetos da Gerando Falcões, conhecer os parceiros e fazer uma doação, basta acessar o site da organização.

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