Afinal, dá para ficar rica investindo?

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Como economista e, desde 2003, trabalhando com educação financeira, eu me sinto particularmente feliz em ver mais mulheres se interessando pelas suas finanças pessoais e pelas possibilidades que um bom investimento nos oferecem. Hoje, no entanto, eu queria lembrar você, que me acompanha, de que investir é o caminho, e não o fim.

Por que eu estou dizendo isso? Em primeiro lugar, você não vai ficar rica só investindo. Independência financeira não é sinônimo de riqueza, mas significa que você teve disciplina o bastante para perseguir os seus sonhos e usou o seu dinheiro para alcançá-los. E este é um ponto fundamental na trilha para a independência financeira: ter clareza sobre os seus objetivos com os investimentos e escolher os ativos que melhor podem ajudá-la a conquistá-los.

Eu comparo o processo dos investimentos ao de emagrecimento: não adianta contratar o melhor personal trainer se você não controlar a alimentação. Nas finanças, a fórmula é gastar menos do que se ganha e investir corretamente todos os meses. É por isso que eu tenho batido nas teclas da reserva de emergência e da necessidade de se construir uma base sólida na sua relação com o seu dinheiro antes de ir para a renda variável.

Alicerce do amanhã

Uma vez construída a reserva de emergência, a Renda Fixa (RF) será o alicerce do seu patrimônio. Ao investir nela, você é remunerado pela sua disciplina e recebe um ativo, neste caso, um título de crédito, que vai pagar pelo seu dinheiro. Ou seja, juro, que nada mais é que o salário do dinheiro.

Investir na renda fixa em um contexto de Selic em 2,25% a.a. e inflação projetada para 1,61% a.a., segundo o último Boletim Focus, só é um problema para quem não tem clareza dos seus objetivos. Quem sabe o que quer consegue escolher produtos com prazos e formas de rentabilidade capazes de garantir tranquilidade, independentemente do cenário econômico.

Na RF existe um universo de produtos com características diferentes, e hoje eu quero explorar as possibilidades dos que possuem garantia do Tesouro Nacional ou cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). São eles: Tesouro Direto, Certificado de Depósito Bancário (CDB), Recibo de Depósito Bancário (RDB), Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e Letra de Câmbio (LC).

Todos estes produtos são títulos de crédito, ou seja, representam uma obrigação de pagamento. Você empresta dinheiro para o banco, governo ou outro emissor e, em troca, a instituição emite um documento reconhecendo que irá lhe devolver este dinheiro em um determinado período, pagando por esse empréstimo uma taxa de juros combinada. Esses recursos captados (dinheiro que pessoas como eu e você investiram) são usados para financiar as operações dessas instituições e podem fomentar áreas específicas da economia, como o mercado imobiliário ou o agronegócio.

As garantias importam

Sabe quando podemos comprar um produto porque confiamos na marca, independentemente de quem está vendendo? É isso o que acontece com as garantias do Tesouro e do FGC: elas são atreladas aos produtos financeiros, e não as às instituições emissoras ou à sua corretora.

Assim, se você possui até R$ 250 mil aplicados (em até quatro instituições financeiras e respeitando o limite de R$ 1 milhão), o FGC devolve o seu dinheiro em até três dias caso o emissor falhe com o pagamento. Essa camada de segurança lhe dá liberdade para escolher ativos de bancos menores, que possuem maior risco de crédito e, logo, irão lhe pagar uma taxa de juros melhor. Amém!

O Tesouro Direto é o título da renda fixa mais seguro do mercado. Se o Tesouro Nacional falhar no pagamento, é porque o sistema bancário do país quebrou muito antes. Não precisa ter medo de investir em títulos do Tesouro, mas é preciso saber aonde se quer chegar com o investimento para escolher as aplicações certas para o seu dinheiro.

Quem já montou a reserva de emergência não tem de ter medo de investir nos produtos da renda fixa cobertos pelo FGC ou pelo Tesouro Nacional só porque não conhece o emissor ou porque não confia no governo. A concentração bancária no Brasil é uma das maiores do mundo e, por isso, talvez você nunca tenha ouvido falar sobre 90% dos bancos que existem no país.

Siga o prazo

Para quanto tempo você deseja investir os seus recursos e qual a sua meta com a aplicação? Essas são perguntas que você precisa se responder antes de investir, pois o prazo do investimento irá mudar drasticamente a sua rentabilidade final. Não adianta comparar um CDB de 730 dias com outro de 1800 dias, por exemplo. Só é possível comparar ativos com o mesmo prazo, pois o efeito dos juros compostos é potencializado com o tempo.

Por isso, pergunte-se assim que entrar em uma plataforma de investimentos para investir em um produto de renda fixa: esse dinheiro eu posso deixar investido em um produto que irá me pagar um juros X, durante Z anos e, não importa o que aconteça com as expectativas econômicas, posso aguardar e respeitar os prazos de vencimentos previamente acordados?

Ter clareza sobre o prazo em que você deseja ter seu dinheiro de volta é fundamental para evitar um dos erros mais comuns de quem não se planeja: o resgate do investimento com deságio antes do vencimento. Os seus investimentos precisam estar alinhados com os seus sonhos, e os seus sonhos não são atemporais, eles têm prazos, mesmo que sejam distantes.

Como eu disse no começo, você não vai ficar rica só investindo, mas uma base sólida e investimentos feitos com planejamento garantem que você, mulher, esteja pronta para conquistar a sua independência financeira sem armadilhas. Lembre-se: mulher tranquila é aquela que ganha dinheiro enquanto dorme, e bom investimento é aquele que não descansa.

Vamos colocar a renda fixa para trabalhar por você? Sem dinheiro, não há poder de decisão.

 

Francine Mendes é educadora financeira para mulheres, economista pela Universidade Federal de Santa Catarina, com mestrado em psicanálise do consumo pela Universidade Kennedy. Apresentadora do canal Mary Poupe, no YouTube, e comunicadora na RiCTV Record.

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