Leona Forman celebra 20 anos da BrazilFoundation com primeiro gala digital

Patrick McMullan
Patrick McMullan

Nizan Guanaes, Donata Meirelles, Leona Forman e Gisele Bündchen em gala da BrazilFoundation em Nova York

Hoje, aos 79 anos, Leona Forman conta que a BrazilFoundation nasceu há duas décadas, no dia em que completou 60: “Foi quando me aposentei da ONU”, recorda. Na Organização das Nações Unidas, onde permaneceu de 1981 a 2000, ela trabalhava com informação pública – um canal de comunicação entre a organização e ONGs ao redor de todo o mundo – e agora encontrava-se obedecendo o padrão da entidade, que estabelecia os 60 como data limite para seus funcionários. “Acho curioso ouvir falar em ‘aposentadoria’ quando tanto em espanhol quanto em russo o termo usado é ‘jubilar’, que significa um momento de alegria e satisfação merecidas, depois de um tempo de muito trabalho na vida”, reflete Leona, que é igualmente fluente em russo e inglês. Mas, vamos por partes…

Na verdade, a ideia do que viria a ser a BrazilFoundation – a organização não governamental que une recursos, ideias e ações para transformar vidas brasileiras – já existia como um futuro desafio na mente de Leona. Sua intuição lhe dizia que era preciso urgentemente construir uma ponte entre os brasileiros que viviam em Nova York, como ela, e a dura realidade na qual vive a grande maioria da população no país. “Eu conhecia muita gente na área da advocacia, do mercado financeiro, das artes, da cultura e da moda e que poderiam ajudar a fazer a diferença na vida de milhares de pessoas”, diz.

A partir de uma pesquisa feita para si mesma, entre cerca de 40 jovens brasileiros residente em Nova York, ela confirmou o que já sabia: todos se revelaram dispostos a contribuir com uma organização beneficente onde os recursos doados seguissem um caminho transparente, ético e eficiente para o auxílio à comunidades carentes em todo o Brasil. Leona foi em frente.

Com muita diplomacia e os valiosos contatos feitos ao longo de uma carreira profissional de sucesso – é formada em jornalismo e chegou a trabalhar nas redações do “Jornal do Brasil” e “O Globo”, no Rio de Janeiro – Leona foi criando um círculo virtuoso de peso para o seu novo projeto de trabalho e de vida.

O formato seguia os moldes adotados entre o high society nova-iorquino, contando com a generosidade dos ricos, e dos muito ricos, e estabelecendo uma data anual para reunir os doadores, convidados e a mídia em uma grande noite de gala para celebrar os resultados alcançados e atrair novos membros para a causa. No caso, o dia escolhido para a festa foi 12 de setembro, que coincidindo com a semana de abertura da Assembleia das Nações Unidas, em Nova York. O primeiro gala aconteceu em 2003. Leona faz questão de frisar que a festa reúne “pessoas com possibilidades de fazer doações e de jovens brasileiros, bem sucedidos seu campo profissional no exterior, que desejam ajudar e confiam na Brazil Foundation para fazerem esse investimento no País”.

Meu marido Nizan Guanaes e eu tivemos a honra e o prazer de colaborar na organização do gala da BrazilFoundation em 2010, no Metropolitan Museum of Art. “Aquela edição nos colocou em um outro patamar”, garante Leona que hoje comemora os US$ 50 milhões movimentados pela entidade nos últimos 20 anos, alcançando 600 organizações de auxílio à população brasileira. Um amplo conjunto de ações sociais nas áreas de Educação e Cultura, Direitos Humanos e Cidadania, Saúde, Desenvolvimento Social e Meio Ambiente. “Fazemos questão de manter nossa independência de órgãos públicos e religiosos”, Leona faz questão de ressaltar.

Leona Forman nasceu na China, em uma família de judeus russos do setor de importação e exportação que, por razões políticas, teve de deixar o país. Ela chegou ao Brasil na condição de refugiada em 1953, aos 13 anos. “Em casa se falava russo, mas aprendi o chinês andando na rua”, conta revelando a origem de seu charmoso sotaque híbrido. “Tive a oportunidade voltar à casa onde nasci, na cidade de Tianjin e, para minha surpresa, a casa em frente à nossa hoje abriga o Museu da Vida dos Estrangeiros, os imigrantes que viveram na China”, fala com entusiasmo. Conheceu o marido, o antropólogo norte-americano Shepard Forman, na Universidade Columbia, em Nova York, onde viveu por 30 anos. O casal tem dois filhos e uma neta. Hoje, eles moram no Rio de Janeiro, em um apartamento sobre o mar de Copacabana.

Orgulhosa da organização que idealizou e construiu ao longo das últimas duas décadas, Leona gosta de falar dos muitos projetos em andamento auxiliados pela BrazilFoundation, porém destaca o Programa de Educação em Células (Prece) da comunidade de Cipó, no Ceará. Nascido sob uma árvore, onde sete estudante decidiram estudar junto para o vestibular, cada um ensinando os outros na disciplina que mais gostavam e conheciam, o Prece pode se desenvolver e se espalhar por outras comunidades com a ajuda da BF ajudando cada vez mais estudantes a ingressar no ensino superior, pois passou a fazer parte do programa de ensino do Estado. “É um exemplo da educação do futuro”, resume Leona.

Por essas e outras ela vê o futuro com esperança: “Acredito que vamos, sim, sair dessa pandemia com a consciência de que somos pessoas que podem fazer a diferença. Aprendemos a olhar para os outros”, finaliza.

Este ano, por conta da quarentena e do distanciamento social, o Gala da BrazilFoundation será realizado online, como uma live no YouTube, no próximo sábado, 12 de setembro – os convites com o link de acesso foram enviados digitalmente.

A seguir Leona Forman, mulher de sucesso, responde:

Qual o seu maior exemplo de mulher de sucesso?

Dona Ruth Cardoso. Esposa, mãe, antropóloga, professora, primeira dama do país, fundadora da Comunidade Solidária. Acredito que o sucesso dela não tenha sido sem obstáculos, imprevistos ou desafios. Ela conquistou o merecido respeito pelos resultados que obteve e foram importantes em sua vida. Era uma pessoa acessível, inteligente, generosa, honesta, poderosa, responsável e digna. Dona Ruth Correa Leite Cardoso é meu exemplo de Mulher de Sucesso.

Qual sua ideia de felicidade no trabalho?

Felicidade no trabalho é acreditar naquilo que se faz e, melhor ainda, quando se descobre que outros também acreditam. É desvendar os mistérios, galgar o próximo degrau – com entusiasmo e perseverança – que o leva aos resultados. E, principalmente, o sorriso que sinto no meu rosto quando sinto ter feito algo que deu certo.

Eu achava que o sucesso era… e descobri que é…

Achava que era simplesmente o reconhecimento público, mas descobri que, na verdade, ele reside na minha própria cabeça, quando aceito as incertezas, os desafios, as derrotas e finalmente chego à satisfação. E compartilho comigo mesma.

Depois da pandemia qual será a mudança mais significativa na sua área de atuação profissional?

A pancada da pandemia sentimos todos. Esse inimigo desconhecido nos impôs conhecer nossos limites. Meu marido e eu estamos em isolamento voluntário, seis meses sem sair na rua, como eu nunca imaginei poder viver, mesmo tendo janelas com uma vista incrível do Atlântico. O que virá depois? Conheci o potencial da tecnologia para criar laços profundos com meus filhos e minha neta, apesar de não nos abraçarmos fisicamente. Poder encontrar amigos de todas as partes do globo e fazer reuniões com colegas de trabalho à distância. Esses chats virtuais se revelaram mais íntimos do que uma saída para jantar ou ver um filme. Com o Zoom, o WhatsApp e o FaceTime olhamos de perto os rostos, os olhos, compartilhamos risos, lágrimas, esperanças, sonhos… Até a chegada de uma vacina que nos liberte. A sensação de continuar viva aponta para um futuro muito ativo e criativo. Pela internet estou aprendendo truques novos, como tirar boas fotos com meu iPhone.

Se você pudesse escolher um superpoder, qual seria?

Ontem, conversando com um amigo de 14 anos que está se adaptando à nova vida em Berlim com sua mãe, ele disse que gostaria de inventar uma pílula para curar todas as doenças. Para se tomar uma única vez, na hora certa e… voilá! Gostaria de ter o poder de criar essa pílula. E que ela também pudesse curar as dores da injustiça e da alma.

Que tipo de hábito ou exercício você recomenda para desligar ou aliviar sua mente?

Música, sempre! E, de uma forma mais prosaica, tomar um grande copo de água (600ml) pela manhã, em temperatura ambiente, 30 minutos antes de comer qualquer coisa. E, durante essa meia hora, focar no que vai fazer e vai lhe dar prazer pelo resto do dia. Regar e conversar com as plantas, planejar o menu do almoço, pensar nos amigos com quem vai conversar. Começar o dia assim é muito bom.

Qual mensagem que você gostaria de deixar para as próximas gerações?

Estude. Nunca deixe de aproveitar uma possibilidade para aprender mais, conhecer, desvendar. Há muitas formas de estudar: do ensino formal em grupo até estudar sozinho porque se deseja saber mais, encontrar outros caminhos. Não há limites. Lembre-se que a vida hoje geralmente é mais longa e se pode abrir uma nova trilha em qualquer idade. Olhe para a frente.

Com Mario Mendes e Antonia Petta

Donata Meirelles é consultora de estilo e atua há 30 anos no mundo da moda e do lifestyle.

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